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Guitarras semi-acústicas
Vou falar daquelas guitarras que, por fora, ora são "obesas" ou "magrelas", mas que são sempre ocas por dentro. Sim, estou me referindo às semi-acústicas ou, se preferir, semi-sólidas
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
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Os assuntos abordados nesta primeira parte são os cuidados, as formas de conservação e as regulagens dessas guitarras. De maneira geral, vou tomar como base o modelo Gibson 335 e seus similares. Nos próximos números, outros tipos de guitarras serão colocados em pauta, além de seus captadores, potenciômetros, principais características, defeitos mais comuns e suas respectivas pontes

Primeiramente, é importante saber que por não serem maciças, essas guitarras são mais frágeis do que as tradicionais de corpo rígido. Se uma delas sofrer uma queda, o dano, na maioria das vezes, será maior do que se acontecesse com uma de outro gênero. Uma Fender Stratocaster pode ter a pintura riscada ou até mesmo a madeira lascada, mas seu reparo fica perfeito mesmo nos casos em que é necessário inserir novos pedaços de madeira. Isso não é suficiente para alterar o seu som original - caso isso aconteça, a alteração não ultrapassa os 15%. Já no caso de uma semi-acústica, a necessidade de enxertos pode acarretar transformações em sua sonoridade, às vezes, de até 80%. É claro que isso é uma hipótese bem negativa, mas possível. Outra característica fundamental desse instrumento é o fato de, aproximadamente, 90% deles possuírem o braço integral ao corpo (foto 1) ou colado (foto 2), o que requer ainda mais cuidado. Quedas de forte impacto podem ocasionar rachaduras e envergamentos de braço, mais comumente na altura do tróculo (foto 3). Essas avarias têm soluções, porém o custo é alto devido à delicadeza que uma operação desse gênero exige. No caso de um reparo mal efetuado, o braço pode ficar desalinhado em comparação ao corpo, o que acarreta vários problemas em relação à altura das cordas, ao conforto e à sonoridade sem trastejamento.

A maior parte dos músicos que usa semi-acústicas opta por encordoamentos pesados, em virtude do estilo que esse tipo de guitarra sugere (jazz e blues). Por serem muito macias de tocar, medidas de cordas como 0.09 e 0.10 normalmente não são utilizadas em semi-acústicas bem reguladas. Prioritariamente, usa-se tamanhos pesados, como 0.11, 0.12 e 0.13. É evidente que encordoamentos de tensões maiores proporcionam melhor sustentação, definição e volume de som, mas a pressão sobre o braço exercida pela corda é muito alta. Então, se ele não estiver adequado para aquele calibre, corre o risco de empenar.

O tensor das semi-acústicas deve ser ajustado (foto 4)e reajustado com freqüência, a fim de evitar qualquer tipo de irregularidade no braço. Se o uso de cordas pesadas, por um lado, oferece vantagens em relação a timbres, por outro torna a semi-acústica bastante dura de tocar. Se a guitarra não estiver com uma boa ação baixa de cordas, trastes nivelados entre si, tensor bem ajustado e o conjunto ponte/capotraste bem regulados, ela não terá tocabilidade. Note que a diferença entre uma corda Mi (E) 0.09 e um Mi 0.13 (foto 5) é muito grande no que diz respeito à espessura. Daí se justifica a preocupação excessiva quanto à regulagem e ao braço.Normalmente, as semi-acústicas possuem afinação quase indefectível por toda a extensão do braço, mas é imprescindível a regulagem de oitavas por meio dos parafusos de fenda (foto 6), que são localizados na ponte. Isso deve ser conferido com uma periodicidade maior do que àquela recomendada para as guitarras maciças pois, em virtude da utilização de encordoamentos pesados, as oitavas tendem a se desajustar mais freqüentemente.

A resposta para isso é simples: a pressão exercida pelas cordas mais pesadas pode modificar a posição dos saddles – também conhecidos como "carrinhos da ponte" (foto 7) -, criando discrepâncias na afinação. Elas também tendem a gerar microfonias quando ligadas a pedais ou pedaleiras de overdrive (distorção), quando submetidas a volumes altos ou quando excessivamente próximas do amplificador. Isso se dá por conta das aberturas em "F" localizadas no tampo superior do instrumento (foto 8), que permitem a guitarra ter uma sonoridade acústica. Entretanto, ela gera também uma realimentação do som que proporcionam esse tipo de ruído. O fato de a guitarra ser oca contribui bastante para isso.

Os covers (foto 9) - capas de metal que cobrem os captadores - são determinantes na produção de microfonia. Sua função não é apenas estética, pois o metal contribui com as freqüências agudas e médias. Por essa razão, propiciam esse barulho quando o instrumento é tocado muito próximo ao ampli com um drive bastante forte.
Um truque que os guitarristas costumam usar - e que, às vezes, minimiza o problema em até 50% - é o de vedar as duas bocas em "F" com fita adesiva transparente (durex ou papel contact). Isso diminui bastante esse tipo de feedback, mas compromete um pouco a sonoridade do instrumento quando não conectado a um amplificador.

 

 

 

 

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