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Ruídos em Guitarras
Por causa das dúvidas que tenho recebido por e-mails e as visitas em meu ateliê, preparei para esta edição uns toques rápidos sobre ruídos, “roncos” ou chiados
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves

muito comum receber músicos se queixando de que sua guitarra está com um “ronco” que antes não existia ou que, ao tirar as mãos das cordas, surge um “zumbido” ou ainda, mesmo quando com o volume “zerado”, o instrumento apresenta ruídos.

Todos já se depararam com coisas do gênero em suas guitarras e, muitas vezes, não conseguiram detectar as causas. Nesta matéria, cito os causadores mais comuns desses barulhos para que todo mundo possa tomar precauções que amenizem esse problema irritante.


Primeiramente, é importante lembrar que captadores single coils (foto 1) geram ruídos (hum), pois são transdutores de energia eletromagnética e, como tal, possuem uma bobina que, por sua vez, é vulnerável à interferência de radiação. Isso significa que elas tendem a captar ruído ou zunido por si só (leia matéria na CG 50). Por essa razão, foi inventado o humbucker, que possui duas bobinas em vez de uma (foto acima), com suas polaridades magnéticas opostas uma da outra e “enroladas” defasadas, o que provoca o cancelamento do ruído. Embora ele seja eficaz com relação ao ruído, os captadores não são as únicas fontes de barulhos indesejáveis. Às vezes, a parte elétrica da guitarra não está “aterrada”, o que pode gerar um barulho constante. Comumente, ela é aterrada na ponte do instrumento (foto 3) pela parte de baixo, no compartimento de molas (foto 4) - no caso de uma ponte trêmolo.

Uma vez que o aterramento está feito na ponte (de metal) e sobre ela repousam as cordas (também de metal), quando colocam-se as mãos sobre as cordas, está se usando nosso corpo como uma espécie de “fio terra”, “isolando” o ruído e, dessa forma, amenizando-o. É claro que, quando as mãos são retiradas das cordas, o ruído tende a aumentar. Uma maneira de detectar se o instrumento está “aterrado” ou não é colocar as mãos sobre as cordas e perceber se isso minimiza o ruído. Caso isso não ocorra, procure seu luthier para que ele verifique o que está ocorrendo.

Um outro causador de barulho são as fontes de pedais e pedaleiras (foto 5). Elas são conversores de energia, que transformam a corrente alternada (a.c.) da nossa rede elétrica em corrente continua (d.c.), reduzindo a voltagem de 110 para 6, 9 ou 12 volts. Entretanto, quando não balanceada e filtrada adequadamente, elas geram um ronco grave (riple), que muitas vezes nos leva a crer que o ruído provém da guitarra ou do amplificador. A solução é procurar um luthier ou um técnico em eletrônica para que ele verifique o estado de sua fonte e, caso detecte algum mal funcionamento, lhe sugira troca, balanceamento ou filtragem.
Outro inimigo do silêncio são os cabos de má qualidade que ligam a guitarra ao amplificador (foto 6). Aqueles com a malha inferior não oferecem uma blindagem eficaz, gerando ruído ou até perda de sinal. Conectores de metal barato geram maus contatos, falhas e até “roncos”, impossibilitando um som cristalino.

As diferenças sonoras entre um cabo bom e outro ruim são facilmente perceptíveis. A simples troca já mostra, de forma gritante, a diferença entre eles. Antes de comprar um cabo, pergunte ao vendedor as características dele. Se possível, consulte alguém que já tenha usado a mesma marca ou modelo. Acredite: usar um cabo de boa qualidade melhora - e muito - o som e o ruído de seu instrumento.

Um dos principais geradores de ruídos é a nossa própria rede elétrica. Nos amplificadores, ela pode gerar um ruído constante de freqüência média chamado histerese, que se evidencia quando usamos saturação (overdrive, etc.). É uma espécie de interferência que pode ser causada por máquinas elétricas de pequeno/grande porte, freqüências de rádio, lâmpadas fluorescentes, etc. Existem regiões em que é impossível ligar qualquer equipamento sonoro, por causa do grande número de torres, antenas transmissoras de rádio e TV. Uma das soluções é o uso de filtros de linha e estabilizadores de voltagem, que amenizam o problema, assim como o aterramento na rede elétrica (isso requer perfurações no solo), coisa que muitos estúdios de ensaios e gravações adotam, para acabar com a histerese. Com esse processo, por exemplo, se comuta o terceiro pólo das tomadas (foto 7) de amplificadores, o que irá funcionar como um aterramento.

Amplificadores de má qualidade ou com defeitos podem gerar ruídos que levam a crer que o problema está na guitarra, às vezes obrigando o músico a gastar dinheiro na troca de componentes do instrumento. Por essa razão, antes de julgar a guitarra, teste-a em outro amplificador ou com outro cabo, com e sem os pedais, para que você possa ter uma opinião mais certeira. Potenciômetros e chaves (foto 8) sujos e com mal contato podem, no futuro, transformar-se em grandes propagadores de ruídos.

Existem alguns procedimentos que devem ser seguidos, tais como uso de cabos blindados na parte elétrica de sua guitarra em vez de fios, revestimento do compartimento elétrico do seu instrumento com tinta condutiva ou lâminas de metal, para conseguir um melhor isolamento do ruído. Mas, antes de julgar qualquer elemento do seu set up, procure um profissional da área para melhor orientá-lo. Como você viu, o problema pode estar tanto na rede elétrica da sua casa como nos cabos que você utiliza.

 

 

 

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