| É
importante lembrar que esses acessórios agem de forma
diferente em cada guitarra, porque cada instrumento é
confeccionado com um tipo de madeira ou com um corte diferente,
o que modifica o timbre - mesmo que pouco - de forma notória.
Vamos a um exemplo. Uma Strato com corpo feito em maple pode
não ter a mesma sonoridade de outra guitarra com medidas
iguais e feita da mesma madeira oriunda de uma árvore
diferente. Embora a diferença entre os dois instrumentos
seja sutil, isso gera modificações no timbre
como um todo (sustentação, peso e consistência).
Dessa forma, podemos notar como é difícil indicar
um captador sem antes conhecer detalhes sobre o instrumento
no qual ele será aplicado.
Se você estiver procurando mais detalhes sobre captadores
(o que são, como funcionam e como interagem com a madeira),
dê uma lida no que escrevi nas edições
50 e 51 da CG.
Outra dificuldade encontrada na indicação de
captadores é que o conceito de “som bom”
ou “som ruim” varia de acordo com o gosto pessoal
dos guitarristas e com o seu estilo musical preferido. O referencial
de “peso” é muito variável. O som
que Ritchie Blackmore tira de sua guitarra pode ser bem pesado
para algumas pessoas, enquanto que outras podem preferir classificar
dessa forma o som de Dimebag Darrell (Pantera). Um guitarrista
de blues pode achar maravilhosa a sonoridade de Stevie Ray
Vaughan, enquanto outros preferem a de B.B King. Marcas com
EMG, Seymour Duncan e DiMarzio, entre outras, disponibilizam
no mercado catálogos contendo todos os modelos e as
respectivas informações sobre freqüências,
saída, volume e força. Vale a pena reafirmar
que esse recurso funciona muito mais na teoria, já
que é preciso pesar as características do instrumento
e as preferências do músico antes de adquirir
um captador.
Vou
dar algumas dicas sobre quais captadores usar para obter um
timbre com maior sustentação, maior ataque e,
consequentemente, para tocar riffs pesados e frases rápidas
com mais facilidade (é importante lembrar que essas
sugestões são baseadas em minha experiência
e no meu gosto pessoal). Existe disponível no mercado
uma infinidade de marcas e modelos, tais como Seymour Duncan,
EMG, DiMarzio, Bill Lawrence, Gibson, Fender, Rio Grande,
Tom Anderson, Schaller, Gotoh, Shadow e Fishmam, entre outros.
Abordarei apenas alguns modelos das marcas mais fáceis
de serem encontradas. Mas não se desespere! Seu luthier
de confiança poderá orientá-lo sobre
outros modelos e marcas. Para dar idéia da proporção
das freqüências de cada captador, usarei uma escala
de 0 a 5 e, para comparação de potência
(saída), ficaremos com uma de 0 a 10. Exemplo: o captador
X possui a equalização de suas freqüências
com aproximadamente 5 de agudo; 3 de médio, 1 de grave
e saída moderada (5). Então, você deverá
entender que esse acessório possui pouco grave, bastante
agudo, médios não proeminentes e que (5) de
saída garante que ele não seja muito forte e
nem de volume tão alto quanto seria um de (7). Bom,
vamos lá:
Esse humbucker é bastante usado no mundo todo para
tocar tanto hard blues quanto hard rock ou jazz rock. Trata-se
do JB,
da Seymour Duncan. Esse captador
é bastante versátil e de freqüências
equilibradas quando falamos de rock moderado ou pesado. A
tabela de equalização de suas freqüências
fica mais ou menos assim: 5 de
agudos, 4 de médio, 2 de graves e 7 de saída.
Dessa forma, ele proporciona boa variedade de harmônicos
e muito boa sustentação. Possui ainda uma saída
bem forte (massa de volume e potência).
Outro
modelo parecido com o JB no que diz respeito ao estilo de
aplicação é o humbucker PAF
Pro, da DiMarzio. Bastante usado,
este captador possui freqüências um pouco mais
equilibradas que o JB: 5 de agudos,
4 de médios, 3 de graves e 6,5 de saída.
É um pouco mais fraco, mas igual em termos de harmônicos
e sustentação. Graças à sua quantidade
de médios, ele proporciona um pouco mais de saturação.Já
o 500 T, da Gibson,
possui excelente equilíbrio de freqüências
e saída fortíssima: 5
de agudos, 4,5 de médios, 4 de graves e 8,5 de saída.
Proporciona ótima sustentação, timbre
“gordo” e límpido. Entretanto, graças
à sua alta saída, satura com facilidade. É
indicado para hard rock, heavy metal e até para um
jazz mais pesado. Infelizmente, só deve ser utilizado
na posição bridge (ponte), pois satura demais
no de “sujo”. Por isso, é indicado para
hard rock, heavy metal e até jazz.
O Duncan Custom, da Seymour Duncan,
é bem parecido com o 500 T. Embora não seja
tão equilibrado e “forte”, possuí
excelente sustentação e equilíbrio de
freqüências, timbre bastante límpido e “gordo”,
com saída fortíssima. Sua tabela mostra 5
de agudos, 3 de médios, 4 de graves e 8 de saída.
Este captador satura com facilidade, mas está longe
de ser chamado de “sujo”. Por isso, é indicado
para hard rock, heavy metal e até jazz.
Os
dois modelos a seguir não são tão
fortes e agressivos quantos os anteriores, mas são
mais versáteis. O primeiro é o The
59 Model, da Seymour Duncan,
um humbucker que possui som limpo bastante cristalino
e encorpado e que, quando saturado, mostra freqüências
bastante equilibradas. Longe de ser um captador estridente,
o 59 apresenta as seguintes características de
freqüência: 5
de agudos, 2,5 de médios e 4,5 de graves, com
saída 6,5. É
preciso ressaltar que o 59 produz um som cheio por conta
de suas equalizações, mas por não
possuir as freqüências médias acentuadas,
não favorece um ataque vertiginoso. Quando saturado,
demonstra excelente sustentação. É
indicado para hard blues, jazz/jazz rock, hard rock
e até mesmo um heavy metal não tão
visceral. O segundo captador é o Fred,
da DiMarzio, que apresenta
as seguintes características de freqüências:
5 de agudos, 5 de médios,
5 de graves e 7 de saída.
Como você pode perceber, os dois são parecidos
em termos de equalização, mas o Fred possui
um pouco mais de ataque e força, além
de um som limpo, cristalino e bem definido. Os estilos
aos quais se aplica mais adequadamente são hard
blues, jazz rock, hard rock e heavy metal (não
muito pesado). |
Fatores
que interferem na Performance do Captador |
Tipo
e densidade da madeira |
Desenho
do corpo |
Maneira
como o captador é fixado no corpo do instrumento |
Qualidade
de propagação dos apoios (ponte
e captadores) |
Tipo
de trastes |
Regulagem do instrumento |
Altura dos captadores (proximidade dos mesmos
à corda) |
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Outra dupla bastante especial é
formada pelo Tone Zone, da DiMarzio,
e pelo Original Trembucker, da
Seymour Duncan. O primeiro é
um captador de sons bastante graves e encorpados, com médios
pouco proeminentes, que produz uma excelente saturação,
sem deteriorar o timbre limpo. Sua equalização
de freqüências é: 2,5
de agudos, 5 de médios, 5 de graves e 7,5 de saída.
É um humbucker bem forte, de ótima sustentação
e ataque, com bom timbre limpo. Já o Original
Trembucker possui equalizações
parecidas com o Fred –
2,5 de agudos, 4 de médios, 5 de graves e 7,5 de saída.
As freqüências médias são mais atenuadas,
fazendo com que tenha um pouco menos de força no ataque.
Entretanto, possui ótima sustentação
e som bem grave. Esse captador não é nada estridente
e proporciona ótima saturação. Essa dupla
de humbuckers é indicada para músicos de jazz
rock, fusion, hard rock ou heavy metal.
A
linha Power possui vários captadores que se destacam,
dos quais citarei apenas três - não se esqueça
de consultar seu luthier de confiança antes de comprar,
já que ele poderá ajudar com outras sugestões.
A Seymour Duncan possui o Duncan
Distortion, que é um humbucker
de saída fortíssima, excelente sustentação
e ótima saturação. Suas freqüências
são: 5 de agudos, 4,5
de médios, 3 de graves e 8,5 de saída.
Perceba que os médios são bastante acentuados,
originando uma boa variedade de harmônicos. O
Super Distortion, da DiMarzio,
possui as seguintes equalizações:
2,5 de agudos, 4,5 de médios, 5 de graves e 8,5 de
saída. Este humbucker
é um dos mais usados para o heavy metal. Possui médios
extremamente proeminentes e graves quase tão acentuados.
Proporciona extrema saturação, sustentação
e um som limpo um tanto carregado. Já a Bill
Lawrence possui o L 500, um poderoso
humbucker, cujas freqüências são:
5 de agudos, 5 de médios, 3 de
graves e 8,5 de saída.
Também de excelente sustentação e saturação,
apresenta uma “pontinha” de agudo que pode se
tornar incômoda em algumas guitarras. Estes três
captadores são mais indicados para hard rock, heavy
metal ou trash metal.
Da linha Extra Power, indico dois captadores que considero
bem “podres” (no bom sentido). Trata se do X2N,
da DiMarzio, e do Invader,
da Seymour Duncan. Ambos são
indicados para heavy metal ou trash metal. O
X2N possui freqüências
com as seguintes equalizações: 5 de agudos,
5 de médios, 4 de graves e 10 de saída. Proporciona
incrível sustentação e saturação,
embora seu som limpo deixe um pouco a desejar. O Invader possui
as suas freqüências: 3
de agudos, 4 de médios, 5 de graves e 10 de saída.
Este humbucker apresenta som um pouco mais “gordo”
e “sujo”, mas com igual saída, sustentação
e saturação. Seu som limpo não é
dos melhores (obviamente), mas este poderosíssimo humbucker
talvez seja o captador passivo mais forte do mundo.
É claro que existem muitos outros modelos importantes,
tais como o Evolution da DiMarzio
e o Screamin
Deamon, da Seymour Duncan, além
de outras marcas – Vanzam, Lindy Fralin, etc. Acredito
que nesta coluna foi possível conhecer a variedade
de captadores que podemos encontrar no mercado. É importante
lembrar que esses acessórios foram indicados privilegiando
os músicos que querem trabalhar com sons mais pesados.
Na próxima edição, falarei sobre os singles
de bobinas dupla ou humbuckers em formato single, com características
para sons pesados. Um abraço e até a próxima!
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