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Como melhorar o som da sua guitarra “Parte II “Captadores Humbuckers”
Nesta edição vamos falar especificamente sobre os captadores e algumas configurações alternativas de ligações elétricas.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
 

É importante lembrar que esses acessórios agem de forma diferente em cada guitarra, porque cada instrumento é confeccionado com um tipo de madeira ou com um corte diferente, o que modifica o timbre - mesmo que pouco - de forma notória.
Vamos a um exemplo. Uma Strato com corpo feito em maple pode não ter a mesma sonoridade de outra guitarra com medidas iguais e feita da mesma madeira oriunda de uma árvore diferente. Embora a diferença entre os dois instrumentos seja sutil, isso gera modificações no timbre como um todo (sustentação, peso e consistência). Dessa forma, podemos notar como é difícil indicar um captador sem antes conhecer detalhes sobre o instrumento no qual ele será aplicado.
Se você estiver procurando mais detalhes sobre captadores (o que são, como funcionam e como interagem com a madeira), dê uma lida no que escrevi nas edições 50 e 51 da CG.
Outra dificuldade encontrada na indicação de captadores é que o conceito de “som bom” ou “som ruim” varia de acordo com o gosto pessoal dos guitarristas e com o seu estilo musical preferido. O referencial de “peso” é muito variável. O som que Ritchie Blackmore tira de sua guitarra pode ser bem pesado para algumas pessoas, enquanto que outras podem preferir classificar dessa forma o som de Dimebag Darrell (Pantera). Um guitarrista de blues pode achar maravilhosa a sonoridade de Stevie Ray Vaughan, enquanto outros preferem a de B.B King. Marcas com EMG, Seymour Duncan e DiMarzio, entre outras, disponibilizam no mercado catálogos contendo todos os modelos e as respectivas informações sobre freqüências, saída, volume e força. Vale a pena reafirmar que esse recurso funciona muito mais na teoria, já que é preciso pesar as características do instrumento e as preferências do músico antes de adquirir um captador.

Vou dar algumas dicas sobre quais captadores usar para obter um timbre com maior sustentação, maior ataque e, consequentemente, para tocar riffs pesados e frases rápidas com mais facilidade (é importante lembrar que essas sugestões são baseadas em minha experiência e no meu gosto pessoal). Existe disponível no mercado uma infinidade de marcas e modelos, tais como Seymour Duncan, EMG, DiMarzio, Bill Lawrence, Gibson, Fender, Rio Grande, Tom Anderson, Schaller, Gotoh, Shadow e Fishmam, entre outros. Abordarei apenas alguns modelos das marcas mais fáceis de serem encontradas. Mas não se desespere! Seu luthier de confiança poderá orientá-lo sobre outros modelos e marcas. Para dar idéia da proporção das freqüências de cada captador, usarei uma escala de 0 a 5 e, para comparação de potência (saída), ficaremos com uma de 0 a 10. Exemplo: o captador X possui a equalização de suas freqüências com aproximadamente 5 de agudo; 3 de médio, 1 de grave e saída moderada (5). Então, você deverá entender que esse acessório possui pouco grave, bastante agudo, médios não proeminentes e que (5) de saída garante que ele não seja muito forte e nem de volume tão alto quanto seria um de (7). Bom, vamos lá:
Esse humbucker é bastante usado no mundo todo para tocar tanto hard blues quanto hard rock ou jazz rock. Trata-se do
JB, da Seymour Duncan. Esse captador é bastante versátil e de freqüências equilibradas quando falamos de rock moderado ou pesado. A tabela de equalização de suas freqüências fica mais ou menos assim: 5 de agudos, 4 de médio, 2 de graves e 7 de saída. Dessa forma, ele proporciona boa variedade de harmônicos e muito boa sustentação. Possui ainda uma saída bem forte (massa de volume e potência).

Outro modelo parecido com o JB no que diz respeito ao estilo de aplicação é o humbucker PAF Pro, da DiMarzio. Bastante usado, este captador possui freqüências um pouco mais equilibradas que o JB: 5 de agudos, 4 de médios, 3 de graves e 6,5 de saída. É um pouco mais fraco, mas igual em termos de harmônicos e sustentação. Graças à sua quantidade de médios, ele proporciona um pouco mais de saturação.Já o 500 T, da Gibson, possui excelente equilíbrio de freqüências e saída fortíssima: 5 de agudos, 4,5 de médios, 4 de graves e 8,5 de saída. Proporciona ótima sustentação, timbre “gordo” e límpido. Entretanto, graças à sua alta saída, satura com facilidade. É indicado para hard rock, heavy metal e até para um jazz mais pesado. Infelizmente, só deve ser utilizado na posição bridge (ponte), pois satura demais no de “sujo”. Por isso, é indicado para hard rock, heavy metal e até jazz.

O Duncan Custom, da Seymour Duncan, é bem parecido com o 500 T. Embora não seja tão equilibrado e “forte”, possuí excelente sustentação e equilíbrio de freqüências, timbre bastante límpido e “gordo”, com saída fortíssima. Sua tabela mostra 5 de agudos, 3 de médios, 4 de graves e 8 de saída. Este captador satura com facilidade, mas está longe de ser chamado de “sujo”. Por isso, é indicado para hard rock, heavy metal e até jazz.

Os dois modelos a seguir não são tão fortes e agressivos quantos os anteriores, mas são mais versáteis. O primeiro é o The 59 Model, da Seymour Duncan, um humbucker que possui som limpo bastante cristalino e encorpado e que, quando saturado, mostra freqüências bastante equilibradas. Longe de ser um captador estridente, o 59 apresenta as seguintes características de freqüência: 5 de agudos, 2,5 de médios e 4,5 de graves, com saída 6,5. É preciso ressaltar que o 59 produz um som cheio por conta de suas equalizações, mas por não possuir as freqüências médias acentuadas, não favorece um ataque vertiginoso. Quando saturado, demonstra excelente sustentação. É indicado para hard blues, jazz/jazz rock, hard rock e até mesmo um heavy metal não tão visceral. O segundo captador é o Fred, da DiMarzio, que apresenta as seguintes características de freqüências: 5 de agudos, 5 de médios, 5 de graves e 7 de saída. Como você pode perceber, os dois são parecidos em termos de equalização, mas o Fred possui um pouco mais de ataque e força, além de um som limpo, cristalino e bem definido. Os estilos aos quais se aplica mais adequadamente são hard blues, jazz rock, hard rock e heavy metal (não muito pesado).
Fatores que interferem na Performance do Captador
Tipo e densidade da madeira
Desenho do corpo
Maneira como o captador é fixado no corpo do instrumento
Qualidade de propagação dos apoios (ponte e captadores)
Tipo de trastes
Regulagem do instrumento
Altura dos captadores (proximidade dos mesmos à corda)

Outra dupla bastante especial é formada pelo Tone Zone, da DiMarzio, e pelo Original Trembucker, da Seymour Duncan. O primeiro é um captador de sons bastante graves e encorpados, com médios pouco proeminentes, que produz uma excelente saturação, sem deteriorar o timbre limpo. Sua equalização de freqüências é: 2,5 de agudos, 5 de médios, 5 de graves e 7,5 de saída. É um humbucker bem forte, de ótima sustentação e ataque, com bom timbre limpo. Já o Original Trembucker possui equalizações parecidas com o Fred – 2,5 de agudos, 4 de médios, 5 de graves e 7,5 de saída. As freqüências médias são mais atenuadas, fazendo com que tenha um pouco menos de força no ataque. Entretanto, possui ótima sustentação e som bem grave. Esse captador não é nada estridente e proporciona ótima saturação. Essa dupla de humbuckers é indicada para músicos de jazz rock, fusion, hard rock ou heavy metal.

A linha Power possui vários captadores que se destacam, dos quais citarei apenas três - não se esqueça de consultar seu luthier de confiança antes de comprar, já que ele poderá ajudar com outras sugestões. A Seymour Duncan possui o Duncan Distortion, que é um humbucker de saída fortíssima, excelente sustentação e ótima saturação. Suas freqüências são: 5 de agudos, 4,5 de médios, 3 de graves e 8,5 de saída. Perceba que os médios são bastante acentuados, originando uma boa variedade de harmônicos. O Super Distortion, da DiMarzio, possui as seguintes equalizações: 2,5 de agudos, 4,5 de médios, 5 de graves e 8,5 de saída. Este humbucker é um dos mais usados para o heavy metal. Possui médios extremamente proeminentes e graves quase tão acentuados. Proporciona extrema saturação, sustentação e um som limpo um tanto carregado. Já a Bill Lawrence possui o L 500, um poderoso humbucker, cujas freqüências são: 5 de agudos, 5 de médios, 3 de graves e 8,5 de saída. Também de excelente sustentação e saturação, apresenta uma “pontinha” de agudo que pode se tornar incômoda em algumas guitarras. Estes três captadores são mais indicados para hard rock, heavy metal ou trash metal.
Da linha Extra Power, indico dois captadores que considero bem “podres” (no bom sentido). Trata se do
X2N, da DiMarzio, e do Invader, da Seymour Duncan. Ambos são indicados para heavy metal ou trash metal. O X2N possui freqüências com as seguintes equalizações: 5 de agudos, 5 de médios, 4 de graves e 10 de saída. Proporciona incrível sustentação e saturação, embora seu som limpo deixe um pouco a desejar. O Invader possui as suas freqüências: 3 de agudos, 4 de médios, 5 de graves e 10 de saída. Este humbucker apresenta som um pouco mais “gordo” e “sujo”, mas com igual saída, sustentação e saturação. Seu som limpo não é dos melhores (obviamente), mas este poderosíssimo humbucker talvez seja o captador passivo mais forte do mundo.
É claro que existem muitos outros modelos importantes, tais como o
Evolution da DiMarzio e o Screamin Deamon, da Seymour Duncan, além de outras marcas – Vanzam, Lindy Fralin, etc. Acredito que nesta coluna foi possível conhecer a variedade de captadores que podemos encontrar no mercado. É importante lembrar que esses acessórios foram indicados privilegiando os músicos que querem trabalhar com sons mais pesados.
Na próxima edição, falarei sobre os singles de bobinas dupla ou humbuckers em formato single, com características para sons pesados. Um abraço e até a próxima!


 

 

 

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