Guitarras
  Contrabaixo
  Violões
  Eletrônicos
  Componentes
  Cordas
  Captadores
  Cabos
  Pedais
  Livros do luthier
  Galeria de fotos
  Novidades
  Dicas do luthier
  Raio "X" artistas
  Jornal do luthier
  Classificados
  Ofertas do mês
  Assist. autorizadas
  Edmar Luighi guitars
  f.a.q
  Links recomendados
  Parceria
  Como anunciar
  receba informativos e promoções, digite o seu e-mail no campo abaixo.
   
Como melhorar o som da sua guitarra – Parte III
“Humbuckers em formato de single”
Nesta edição, continuo a escrever sobre captadores, agora de uma maneira mais específica, tratando apenas de captadores em formato single. Atenção: formato single não é o mesmo que single coils.
Humbuckers em formato single ou singles de bobina duplas ou stacks são termos que se referem a um mesmo componente.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
 

Humbuckers de bobinas sobrepostas

Na verdade, são humbuckers, mas em vez de possuírem suas bobinas de forma paralela (foto 1), possuem as mesmas sobrepostas (fotos 2a e 2b). Embora a intenção não seja a de atuarem com o mesmo impacto de um tradicional humbucker, muitos deles se mostram tão poderosos quanto os mais potentes captadores deste tipo.

A idéia aqui é proporcionar o mesmo timbre dos captadores single coil, porém sem o hum (ruído), e isso é alcançado com cerca de 80% de sucesso na maior parte dos casos. Não chega a 100% de redução de ruído, pois ouvidos mais apurados percebem que não são singles de verdade e os músicos adeptos da sonoridade vintage ainda preferem o timbre dos single de bobina única, apesar do ruído terrível.
Embora a idéia fosse fazer um single coil sem ruído, os singles de bobinas duplas foram sendo incrementados com aumento de potência e sustentação, a ponto de começarem a substituir os humbuckers em alguns casos. Percebam a ironia: um tipo de captador desenvolvido para substituir um single coil acabou se saindo melhor na “substituição” de humbuckers.

Esses singles de bobinas dupla se adaptaram bem à função de humbuckers, primeiro pela parte visual (já que ficam mais atrativos quando colocados na guitarra) e depois em casos em que o espaço destinado ao captador comporta apenas um de formato single. As guitarras modelo Stratocaster são as mais beneficiadas com esse captador, por possuírem comumente espaço para três captadores em formato single. Esses stacks proporcionam ao músico mais possibilidades sonoras, sem ter que trocar o escudo de sua guitarra. Com estes captadores, pode-se direcionar o som de acordo com o estilo (hard rock, heavy metal, hard blues, jazz rock, etc).


As dicas que trago a respeito do uso dos captadores em formato single têm o intuito de ajudar os guitarristas a perceber a variedade de opções disponíveis e não de indicar um modelo para a hora da compra. Isso porque, além de existirem muitos tipos de captadores, marcas e modelos, o critério de avaliação está ligado diretamente ao gosto pessoal. Além do mais, é importante lembrar que captadores agem diferentemente em cada guitarra. Cada instrumento é fabricado com um tipo de madeira, e mesmo aqueles de madeiras do mesmo tipo tem timbres diferentes, por causa do corte efetuado em árvores diferentes. Exemplo: um corpo de Strato feito em maple pode produzir sonoridade um pouco diferente de outro corpo com as mesmas medidas e especificações, também feito em maple, mas cortado de uma outra árvore. Embora não de forma discrepante, haverá diferença no timbre como um todo.(sustentação, peso, consistência...), como comentei na edição passada. Por aí, vocês podem notar como é difícil indicar um captador. Acredito que o maior índice de acerto neste tipo de conselho é 80%.


Quase tudo interfere, na performance do captador - tipo e densidade da madeira, desenho do corpo, modo como é fixado no corpo do instrumento, qualidade de propagação dos apoios (ponte e capotraste ), tipos de trastes, regulagem do instrumento, altura dos captadores (proximidade dos mesmos à corda). Se você quer saber mais detalhes sobre captadores (o que são, como funcionam e como interagem com a madeira), dê uma lida no que escrevi nas edições 50 e 51 da COVER GUITARRA.

A seguir, passo alguns toques sobre que captadores usar para obter um timbre com maior sustentação, maior ataque e, consequentemente, para tocar riffs pesados e frases rápidas com mais facilidade - é importante lembrar que essas sugestões são baseadas em minha experiência e no meu gosto pessoal. Existe disponível no mercado uma infinidade de marcas e modelos de captadores de formato single com duas bobinas, tais como Seymour Duncan, EMG, DiMarzio, Bill Lawrence, Gibson, Fender, Rio Grande, Tom Anderson, Schaller, Gotoh, Shadow e Fishman, entre outros. Abordarei apenas alguns modelos das marcas mais fáceis de serem encontradas. Mas não se desespere! Seu luthier de confiança poderá orientá-lo sobre outros modelos e marcas.

Assim como na edição passada, quando abordei os humbuckers, também aqui usarei uma escala de 0 a 5 no que se refere às freqüências de cada captador e de 0 a 10 para comparação de potência (saída) )veja tabela na edição passada). Um stack bastante comum e muito usado no mundo todo é o HS3, da DiMarzio, um captador bem versátil e utilizado pelo Yngwie Malmsteen. Sua saída e seu timbre imita muito os originais das Fender American Standard, entretanto com um pouco mais de agudos e, evidentemente, sem ruído algum. Suas freqüências são 5 de agudo, 4 de médio, 2 de grave e 4 de saída. É um captador que proporciona uma boa gama de harmônicos e sustentação bacana, embora o considere um pouco estridente. Ele possui uma saída (massa de volume e potência) relativamente fraca. É bastante usado para blues, hard blues, rock moderado e todo os estilos que necessitem de som limpo. Não se deixe levar pelo timbre obtido por Malmsteen, pois são as mãos dele que fazem a diferença.

Outro captador bastante usado e parecido com o HS3 - no que diz respeito ao estilo de aplicação - é o STK S1 Classic Strat Stack, da Seymour Duncan. Ele possui freqüências um pouco mais equilibradas do que o HS3: 5 de agudo, 3 de médio, 3,5 de grave e 4,5 de saída. Acho este captador bem parecido com os originais da Fender, e se aplica aos mesmos estilos do que o HS3. O STK S 2 Hot Strat Stack, também da Seymour Duncan, possui freqüências muito próximas aos anteriores, mas apresenta saída um pouco mais forte e maior sustentação, apesar de soar um pouco estridente. Suas freqüências são 5 de agudo, 2,5 de médio, 3 de grave e 5,5 de saída. Proporciona ótima sustentação e um timbre um pouco mais “gordo” e límpido. Entretanto, graças à sua saída um pouco alta, satura com mais facilidade. Indicado para um hard rock leve e até para jazz e fusion.

O Virtual Vintage Solo, da DiMarzio, se assemelha bastante ao STK S2, embora seja menos estridente - este é um dos meus preferidos. É um captador de timbre bonito, som encorpado, com boa sustentação e som limpo bastante cristalino. O Virtual Vintage possui cinco versões: 2.1, 2.2, Blues, Heavy Blues e o Solo, que é o mais forte deles. A equalizações de suas reqüências são 4 de agudo, 4,5 de médio, 4 de grave e 5,5 de saída e é indicado para hard blues, hard rock, jazz ou fusion.

A Seymour Duncan possui um captador bastante interessante para quem quer um som pesado, porém limpo e cristalino, mais ou menos como o de uma Les Paul. Trata-se do Little 59, um single de duas bobinas que permite um timbre limpo, bastante cristalino e encorpado. Quando saturado, mostra freqüências bastante equilibradas e com boa sustentação. Longe de ser um captador estridente, o 59 apresenta as seguintes características de freqüência: 5 de agudo, 3 de médio e 4,5 de grave, com saída de 6,5. Podemos notar ainda que o Little 59 é um captador de som cheio devido às suas equalizações. Apesar de não possuir as freqüências médias acentuadas ou um ataque vertiginoso, é de excelente sustentação quando saturado. Este stack é indicado para hard blues, jazz ou fusion, hard rock e talvez para um heavy metal não tão visceral. Um captador parecido com este é o JB Junior, da Seymour Duncan, que apresenta as seguintes características de freqüência: 3 de agudo, 5 de médio, 4 de grave e 7,5 de saída. Como você pode perceber, ambos são parecidos em termos de saída , sendo que o JB possui um pouco mais de ataque e força, enquanto que em matéria de som limpo, o Little 59 é melhor definido. O Junior proporciona uma excelente sustentação e saturação, mas é um pouco estridente, apesar de que esta característica pode ser corrigida no amplificador. É indicado para hard blues, jazz rock, hard rock e heavy metal não muito pesado.

Outra stack bastante avassalador é o Fast Track 2, da DiMarzio. Suas freqüências são as seguintes: 2,5 de agudo, 5 de médio, 5 de grave e 7 de saída. É um humbucker bastante forte, de ótima sustentação e ataque, com timbre razoavelmente limpo. Suas características marcantes são médios acentuados e facilidade de saturação. É indicado para hard rock, jazz rock e heavy metal. Mas o single de bobina dupla passivo mais forte do planeta é o Hot Rails, da Seymour Duncan. Seu timbre limpo deixa um pouco a desejar - diria até que, realmente, não é indicado para quem deseja tocar um blues nem um heavy blues, por exemplo -, mas é recomendável para quem deseja tocar hard rock, jazz rock, heavy metal e até mesmo trash metal, mas com moderações. O Hot Rails possui uma magnífica sustentação e satura com facilidade, sendo rico em harmônicos e com as seguintes freqüências: 5 de agudo, 4 de médio, 3 de grave e 9 de saída. Como vocês podem ver, é uma verdadeira paulada, um autêntico humbucker. Embora seja um captador um pouco estridente, não produz timbre irritante. Se usado com saturação muito forte, tende a embolar um pouco as notas, embora proporcione um grave interessante.

A Fender possui um stack chamado Noiseless, um captador que talvez seja o “melhor similar” aos singles da Fender American Standard inventado até hoje. Embora proporcione o mesmo timbre característico das Stratos, ele não produz qualquer hum. Os demais captadores da Fender em formato single conhecidos aqui no Brasil são os singles tradicionais.

Como escrevi acima, espero que tenham percebido quanta variedade de modelos e marcas podemos obter para melhorar o timbre de nossa guitarra. É importante lembrar que seu luthier de confiança pode lhe orientar sobre captadores e ajustes adequados para o seu estilo, para que você não acabe gastando dinheiro em algum que não lhe satisfaça e se arrependa futuramente. Nas últimas edições, nos prendemos mais diretamente a captadores para um estilo mais pesado, de frases mais rápidas e de maior ataque. Nas próximas, comentarei a respeito de captadores e regulagens para um estilo mais clean. No mês que vem, o assunto será vernizes no braço, escalopes, etc.

Antes de me despedir, quero relembrar que meu e-mail mudou. Por favor, envie suas mensagens para atendimento@edmarluighi.com.br, pois assim poderei respondê-las. Um abraço e até a próxima!


 

 

 

Visitantes ativos 9
 
© Copyright 2003 / 2008 - EDMAR LUIGHI LUTHIERS - Todos os direitos reservados