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Como melhorar o som da sua guitarra – Parte IV
“Escalopes & espessuras de braços”

Este mês continuo a escrever sobre o tema abordado nas edições anteriores, mas agora o foco será o braço da guitarra - vernizes, espessura e escalope.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves

Um problema que incomoda muitos músicos é o verniz atrás do braço da guitarra. Alguns deles afirmam que quando suam, a “mão agarra” por causa do produto usado, restringindo um pouco o movimento das mãos e prejudicando a execução de solos e ritmos. Com o objetivo de sanar essa dificuldade, algumas guitarras trazem o braço apenas encerado, mas o verniz não serve apenas para dar aquele brilho, mas sim para impermeabilizar a madeira e evitar que o suor penetre pelos poros da mesma. Caso contrário, a guitarra pode ganhar manchas, muitas vezes irreparáveis, e ficar mais exposta à formação de fungos - um braço “fungado” fica com marcas esverdeadas e um aspecto horrível. Quase sempre esta marca é muito profunda e nem mesmo com uma lixa é possível reverter a situação.
Se você quer evitar que sua mão fique “presa” no braço da guitarra por causa do verniz, recomendo que substitua essa proteção por uma leve camada de um impermeabilizante fosco. Na hora de tocar, a sensação será a mesma de um braço encerado, só que sem o risco de manchas. É possível ainda lixar moderadamente o próprio verniz com o intuito de reduzir sua espessura e brilho, e poli-lo novamente com massa de polimento e cera. O resultado é semelhante ao verniz fosco citado acima. É preciso ressaltar que o aparecimento de manchas esverdeadas em braços encerados não é uma regra, já que a ocorrência de fungos não está ligada somente ao tipo de madeira ou de cera, mas sim ao suor do guitarrista, que pode ser ácido demais e excessivo. Independente da medida escolhida para contornar esse problema, lembre-se que os procedimentos devem ser feitos por luthiers, profissionais familiarizados com vernizes e outros produtos.
Outro problema que incomoda bastante os guitarristas são os braços “gordinhos”, espessos, que dificultam a execução de solos e ritmos, tornando a prática bastante cansativa. Os argumentos sobre a espessura dos braços giram em torno do gosto pessoal de cada músico. As medidas mais apreciadas são as que ficam em torno de 21 mm., obtidas com um instrumento de precisão chamado paquímetro (foto1). Problemas com braços “obesos” são resolvidos quando achatamos um pouco seu centro (foto 2), reduções geralmente feitas com uma pequena grosa (foto 3) ou alguns formões (foto 4). Após o uso dessas ferramentas, é preciso lixar o instrumento e retirar os riscos, melhorando o acabamento. Em seguida, uma nova camada de verniz deve ser aplicada para proteção. Tal operação também só deve ser feita por um profissional capacitado e de confiança, pois é um serviço de alto risco. Um luthier irá calcular com precisão quanto o braço poderá ser gasto, pois o tensor do instrumento está localizado entre a escala e o braço. A retirada excessiva de madeira pode comprometer o instrumento tanto no aspecto estético quanto em sua funcionalidade, às vezes de forma irreparável.

Um outro recurso que vem sendo usado com mais freqüência é o “escalope”, técnica que consiste em retirar um pouco da madeira da escala entre os trastes, para que a mesma assuma uma forma côncava, como uma concha (foto 5). Este recurso é aplicado com o intuito de facilitar a execução de solos, uma vez que os dedos deixam de entrar em atrito com a madeira retirada, tornando mais fácil a prática de técnicas como vibratos e bends - um dos pioneiros da guitarra escalopada foi Ritchie Blackmore. Quando bem feito, o escalope não oferece qualquer perigo ao braço do instrumento. Recomendo que ele seja feito da primeira à última casa pois, se aplicado de forma parcial (da 12ª casa em diante, por exemplo), pode tirar o equilíbrio do braço, causando pequenas torções ou funcionamento irregular do tensor.
Algumas precauções ainda podem ser tomadas para garantir a segurança do braço da guitarra. Evite fazer uma concavidade superior a três milímetros. Independente da espessura da escala, recomendo essa medida para diminuir possíveis riscos de torções e empenamentos. Aprofundamentos maiores que isso em nada melhoram a performance do instrumento e acabam atrapalhando a execução de acordes. É preciso ainda verificar se não há indícios desse problema que podem piorar após o escalope. Se houver algo do tipo, conserte antes de aplicar essa técnica. Seu luthier procederá uma retífica da escala, talvez com uma troca de trastes (veja na CG 65). É bom que a profundidade de cada casa seja a mesma, sem variações discrepantes, para que a escala não fique descompensada em sua estrutura. Seu luthier saberá tomar todas essas precauções para que seu instrumento saia “ileso” após a escalopagem.

Existem várias formas de escaloparmos uma escala. Descreverei aqui uma das mais comuns (Se você quiser saber mais detalhes sobre o assunto, verifique a minha coluna na edição 52):

1) Com ajuda de um lápis, traçamos uma linha na lateral da escala do braço, para que seja estipulada a profundidade do escalope. Nenhuma casa deve ser mais cavada que a outra (foto 6, na página anterior);

2) O luthier verifica a necessidade de retirar as marcações de casas da escala;

3) Com o auxílio de uma grosa redonda, começamos a gastar o centro das casas a serem escalopadas (foto 7);

4) Utilizando um formão, começamos a dar forma côncava às casas (foto 8);

5) Usando lixas de madeira de números 150 e 220 - ambas enroladas em pequenos cilindros de madeira -, damos acabamento ao escalope (foto 9);

6) Recolocamos as marcações (caso tenham sido retiradas) e damos melhor acabamento, agora usando lixas 220 e 240, respectivamente.

Pronto! A grosso modo, está pronto o escalope.

Estes passos servem apenas para vocês conhecerem um pouco mais sobre o procedimento. Não se arrisque a escalopar sua guitarra sozinho, nem peça a alguém que não seja acostumado a realizar tal tarefa. Qualquer erro pode causar danos irreparáveis em seu instrumento.
Antes de fazer modificações em sua guitarra, veja se o verniz ou a espessura do braço do instrumento o incomoda. Pense se o escalope é realmente a ajuda que você espera. Converse com seu luthier de confiança ou escreva para nós.

Um grande abraço!


 

 

 

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