| “Como
posso fazer para que minha guitarra com Floyd Rose não
desafine por completo quando uma corda arrebenta?”
Só travando a ponte para trás! Eu explico: o
trêmolo Floyd Rose atua com uma mecânica de equilíbrio
das cordas contra a mola (veja isso na CG 59). Uma vez regulada
essa tensão, a ponte trêmolo estará equilibrada,
já que cordas e molas estão exercendo “forças”
contrárias equivalentes, como em um “cabo de
guerra”. Evidentemente, quando uma corda se quebra,
significa que as molas venceram o “jogo” e o equilíbrio
da tensão se perdeu, provocando a desafinação
completa.
Não existe uma forma efetiva de evitar esse processo,
uma vez que isso é uma característica do sistema.
Entretanto, pode-se travar a atuação da Floyd
Rose para trás, não permitindo que ela seja
alavancada para cima (subindo a afinação, foto
1), mas apenas para baixo (descendo a afinação,
foto 2). Para que isso ocorra em seu instrumento, é
preciso levá-lo ao luthier e pedir para que ele ampute
esse movimento, travando a parte de baixo da Floyd Rose. Essa
operação fará com que mesmo quebrando
uma das cordas, as demais não desafinem. Todavia, é
importante lembrar que, ao fazer isso, você estará
abrindo mão de cerca de 50% dos movimentos que o trêmolo
oferece. Felizmente, essa operação de travamento
é reversível, ou seja, caso o músico
queira ter novamente a atuação completa de sua
Floyd Rose, basta que leve novamente sua guitarra ao luthier
e peça que se retire o dispositivo de travamento anteriormente
colocado.
“Por
que toda vez que vou gravar em estúdio minha guitarra
apresenta trastejamento nas primeiras casas ou falta de sustentação?”
Isso
é um fato bastante comum para quem regula seu instrumento
com ação muito baixa de cordas. Quando um luthier
efetua uma regulagem completa ou parcial, são verificados
e corrigidos vários itens, tais como alinhamento de
trastes (veja CG 64); ajustes no tensor, ângulo do braço
e da ponte; altura de cordas no nut (capotraste) e tantos
outros que, por fim, determinam uma ação de
cordas ideal para o seu gosto. Entretanto, esses ajustes foram
feitos em uma determinada temperatura ambiente. Se por qualquer
circunstância essa temperatura variar sensivelmente,
o braço do instrumento apresentará irregularidades
significativas. Exemplo: uma guitarra foi regulada com a temperatura
ambiente de cerca de 31°C. Se ela cair para 23°C,
o braço envergará para trás (foto 3),
causando trastejamento no início da escala. Se o caso
for o inverso, ou seja, a temperatura posterior à da
regulagem for mais alta, o instrumento apresentará
uma ação de cordas altas, e até trastejamento
no final da escala. No estúdio, acontece mais ou menos
isso. O instrumento regulado em uma temperatura ambiente sofre
com a presença dos aparelhos de ar condicionado, geralmente
regulados para baixas temperaturas, o que faz ocorrer o trastejamento.
A perda de sustentação se dá porque a
ação de cordas fica tão baixa que não
há espaço físico suficiente para que
as mesmas mantenham seus padrões vibratórios.
Por essa razão, a duração do som da nota
é interrompida e, consequentemente, a perda da sustentação
é constatada. Para solucionar esse problema, antes
de gravar é preciso fazer uma visita ao seu luthier
de confiança para que ele execute os ajustes necessários
em sua guitarra. No caso de você ser pego desprevenido,
basta afrouxar um quarto de volta do tensor do seu instrumento
(foto 4), atenuando o problema.
"Não
sou músico profissional. Como posso detectar se a minha
guitarra necessita de uma regulagem?”
Essa
dúvida não é exclusiva de músicos
iniciantes ou amadores. Às vezes, até profissionais
“passam da hora” em mandar ajustar seus instrumentos,
o que dificulta o emprego de suas técnicas. Isso se
dá porque o instrumento não perde a regulagem
de uma hora para a outra, e sim aos poucos. Dessa forma, o
músico acaba, sem perceber, se adaptando às
irregularidades. O ideal é procurar seu luthier pelo
menos duas vezes ao ano, para que ele possa diagnosticar previamente
qualquer problema. Entretanto, não custa nada ficar
atento e verificar se os trastes não estão ficando
marcados pelo uso, se a ação de cordas não
está excessivamente alta ou baixa, se elas estão
“duras” de tocar, se o Floyd Rose apresenta desequilíbrio
ou se a parte elétrica proporciona ruídos, chiados
e mal contatos. Trastes marcados em excesso, dependendo da
profundidade de seus amassados, causam trastejamento e podem
se tornar irrecuperáveis. Se isso acontecer, o luthier
será obrigado a fazer uma troca de trastes, processo
que não é barato em termos financeiros. Outro
procedimento importante é fazer uma verificação
visual longitudinal (foto 5) a fim de perceber se o braço
assumiu um perfil muito côncavo (foto 6). Caso isso
tenha acontecido, além das cordas trastejarem no final
do braço, a ação das mesmas também
poderá estar alta. Se o braço assumir um perfil
convexo, as cordas estarão trastejando nas primeiras
casas.
“Os
captadores instalados em guitarras com Floyd Rose são
diferentes daqueles colocados em modelos com ponte fixa?”
Os
captadores destinados para posição “ponte”
(bridge) normalmente são diferentes. O espaçamento
de cordas em uma Floyd Rose (foto 7) é normalmente
maior (mais largo nas extremidades) do que em uma ponte Strato,
por exemplo (foto 8). Então, um humbucker - satisfatório
em uma guitarra Strato - colocado em uma guitarra Floyd Rose
pode comprometer, por exemplo, o som da 1ª corda (“mizinha”),
fazendo com que o som saia com menos volume ou sustentação
- a corda fica mais “para fora” da ação
do campo magnético do captador (foto 9). Quase todos
os fabricantes de captadores possuem seus modelos em duas
versões: para uso com Floyd Rose e para com ponte fixa.
Exemplos: a DiMarzio coloca na embalagem de seus captadores
o nome “F Spaced” quando o mesmo foi projetado
para o uso com Floyd Rose; a Seymour Duncan já usa
a nomenclatura “Trembucker” para a mesma função.
Nos dois casos, os captadores possuem campos magnéticos
um pouco mais espaçados e abrangentes para as laterais,
para que não haja perda de sonoridade. No entanto,
existem Floyd Roses que possuem a mesma configuração
de espaçamento de uma ponte fixa. Portanto, procure
sempre se informar com um luthier ou com um músico
mais experiente nesse assunto, para que você não
erre na hora da compra.
Usar captadores feitos para Floyd Rose em guitarras com ponte
fixa pode dar errado. A “mizinha” provavelmente
vai soar com volume mais baixo porque a corda está
“mais para dentro” e não coincidiu com
o pólo do captador, que está “mais para
fora” (foto 10), mas isso não é uma regra
fixa. Porém, quanto mais informações
sobre o que você está instalando em sua guitarra
ou contrabaixo, melhor.
“Existe
alguma forma efetiva de se conseguir uma ação
realmente baixa de cordas em uma Strato?”
Se
a ação de cordas que se espera for semelhante
àquela conseguida em guitarras como Ibanez, Jackson,
Kramer e outras, na maioria dos casos só se consegue
realinhando a escala e trocando os trastes de uma Strato.
O caso é que os tópicos que determinam as características
sonoras invejáveis de uma Strato são os mesmos
que colaboram para críticas a seu respeito. Seu som
brilhante e cristalino é proveniente de seus captadores
single coils, instalados em um escudo, que por sua vez é
colocado em um corpo com uma série de compartimentos
cavados (foto 11). Estes evidenciam uma considerável
ausência de madeira, se comparada às guitarras
que citei acima. Tudo isso, aliado a um braço com trastes
normalmente com aspecto fino e baixo, e associado a uma escala
bastante abaulada, determinam o timbre maravilhoso de uma
Strato. Entretanto, os mesmos captadores e trastes que proporcionam
esse timbre brilhante contribuem para um som estalado e, muitas
vezes, até “trastejante”. O grau de abaulamento
da escala (radium) intensifica o problema quando se quer ter
uma ação de cordas baixa e conseguir bends altos.
Existem outros aspectos que contribuem para o som característico
da Strato. No entanto, citei aqueles que contribuem mais diretamente
para a impossibilidade de uma ação de cordas
muito baixa.
A solução mais efetiva é reduzir o grau
de abaulamento da escala e colocar trastes novos de tamanho
médio/jumbo (veja CG 65), procedimento que não
altera quase em nada o timbre de uma Strato. Contudo, o resultado
na ação de cordas, na pegada, na maciez e nos
bends é sensível. Esse tipo de trabalho só
deve ser feito por um luthier experiente e de sua confiança.
Por
essa edição, é só. Um grande abraço
e até o próximo mês.
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