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Dúvidas mais freqüentes V

De volta com a coletânea de dúvidas mais freqüentes, Edmar Luighi propõe soluções interessantes para problemas corriqueiros que deixam guitarristas iniciantes e profissionais de cabelo em pé
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 95 - Out/02

 

“Como posso fazer para que minha guitarra com Floyd Rose não desafine por completo quando uma corda arrebenta?”


Só travando a ponte para trás! Eu explico: o trêmolo Floyd Rose atua com uma mecânica de equilíbrio das cordas contra a mola (veja isso na CG 59). Uma vez regulada essa tensão, a ponte trêmolo estará equilibrada, já que cordas e molas estão exercendo “forças” contrárias equivalentes, como em um “cabo de guerra”. Evidentemente, quando uma corda se quebra, significa que as molas venceram o “jogo” e o equilíbrio da tensão se perdeu, provocando a desafinação completa.

Não existe uma forma efetiva de evitar esse processo, uma vez que isso é uma característica do sistema. Entretanto, pode-se travar a atuação da Floyd Rose para trás, não permitindo que ela seja alavancada para cima (subindo a afinação, foto 1), mas apenas para baixo (descendo a afinação, foto 2). Para que isso ocorra em seu instrumento, é preciso levá-lo ao luthier e pedir para que ele ampute esse movimento, travando a parte de baixo da Floyd Rose. Essa operação fará com que mesmo quebrando uma das cordas, as demais não desafinem. Todavia, é importante lembrar que, ao fazer isso, você estará abrindo mão de cerca de 50% dos movimentos que o trêmolo oferece. Felizmente, essa operação de travamento é reversível, ou seja, caso o músico queira ter novamente a atuação completa de sua Floyd Rose, basta que leve novamente sua guitarra ao luthier e peça que se retire o dispositivo de travamento anteriormente colocado.

“Por que toda vez que vou gravar em estúdio minha guitarra apresenta trastejamento nas primeiras casas ou falta de sustentação?”

Isso é um fato bastante comum para quem regula seu instrumento com ação muito baixa de cordas. Quando um luthier efetua uma regulagem completa ou parcial, são verificados e corrigidos vários itens, tais como alinhamento de trastes (veja CG 64); ajustes no tensor, ângulo do braço e da ponte; altura de cordas no nut (capotraste) e tantos outros que, por fim, determinam uma ação de cordas ideal para o seu gosto. Entretanto, esses ajustes foram feitos em uma determinada temperatura ambiente. Se por qualquer circunstância essa temperatura variar sensivelmente, o braço do instrumento apresentará irregularidades significativas. Exemplo: uma guitarra foi regulada com a temperatura ambiente de cerca de 31°C. Se ela cair para 23°C, o braço envergará para trás (foto 3), causando trastejamento no início da escala. Se o caso for o inverso, ou seja, a temperatura posterior à da regulagem for mais alta, o instrumento apresentará uma ação de cordas altas, e até trastejamento no final da escala. No estúdio, acontece mais ou menos isso. O instrumento regulado em uma temperatura ambiente sofre com a presença dos aparelhos de ar condicionado, geralmente regulados para baixas temperaturas, o que faz ocorrer o trastejamento. A perda de sustentação se dá porque a ação de cordas fica tão baixa que não há espaço físico suficiente para que as mesmas mantenham seus padrões vibratórios. Por essa razão, a duração do som da nota é interrompida e, consequentemente, a perda da sustentação é constatada. Para solucionar esse problema, antes de gravar é preciso fazer uma visita ao seu luthier de confiança para que ele execute os ajustes necessários em sua guitarra. No caso de você ser pego desprevenido, basta afrouxar um quarto de volta do tensor do seu instrumento (foto 4), atenuando o problema.

"Não sou músico profissional. Como posso detectar se a minha guitarra necessita de uma regulagem?”

Essa dúvida não é exclusiva de músicos iniciantes ou amadores. Às vezes, até profissionais “passam da hora” em mandar ajustar seus instrumentos, o que dificulta o emprego de suas técnicas. Isso se dá porque o instrumento não perde a regulagem de uma hora para a outra, e sim aos poucos. Dessa forma, o músico acaba, sem perceber, se adaptando às irregularidades. O ideal é procurar seu luthier pelo menos duas vezes ao ano, para que ele possa diagnosticar previamente qualquer problema. Entretanto, não custa nada ficar atento e verificar se os trastes não estão ficando marcados pelo uso, se a ação de cordas não está excessivamente alta ou baixa, se elas estão “duras” de tocar, se o Floyd Rose apresenta desequilíbrio ou se a parte elétrica proporciona ruídos, chiados e mal contatos. Trastes marcados em excesso, dependendo da profundidade de seus amassados, causam trastejamento e podem se tornar irrecuperáveis. Se isso acontecer, o luthier será obrigado a fazer uma troca de trastes, processo que não é barato em termos financeiros. Outro procedimento importante é fazer uma verificação visual longitudinal (foto 5) a fim de perceber se o braço assumiu um perfil muito côncavo (foto 6). Caso isso tenha acontecido, além das cordas trastejarem no final do braço, a ação das mesmas também poderá estar alta. Se o braço assumir um perfil convexo, as cordas estarão trastejando nas primeiras casas.

“Os captadores instalados em guitarras com Floyd Rose são diferentes daqueles colocados em modelos com ponte fixa?”

Os captadores destinados para posição “ponte” (bridge) normalmente são diferentes. O espaçamento de cordas em uma Floyd Rose (foto 7) é normalmente maior (mais largo nas extremidades) do que em uma ponte Strato, por exemplo (foto 8). Então, um humbucker - satisfatório em uma guitarra Strato - colocado em uma guitarra Floyd Rose pode comprometer, por exemplo, o som da 1ª corda (“mizinha”), fazendo com que o som saia com menos volume ou sustentação - a corda fica mais “para fora” da ação do campo magnético do captador (foto 9). Quase todos os fabricantes de captadores possuem seus modelos em duas versões: para uso com Floyd Rose e para com ponte fixa. Exemplos: a DiMarzio coloca na embalagem de seus captadores o nome “F Spaced” quando o mesmo foi projetado para o uso com Floyd Rose; a Seymour Duncan já usa a nomenclatura “Trembucker” para a mesma função. Nos dois casos, os captadores possuem campos magnéticos um pouco mais espaçados e abrangentes para as laterais, para que não haja perda de sonoridade. No entanto, existem Floyd Roses que possuem a mesma configuração de espaçamento de uma ponte fixa. Portanto, procure sempre se informar com um luthier ou com um músico mais experiente nesse assunto, para que você não erre na hora da compra.

Usar captadores feitos para Floyd Rose em guitarras com ponte fixa pode dar errado. A “mizinha” provavelmente vai soar com volume mais baixo porque a corda está “mais para dentro” e não coincidiu com o pólo do captador, que está “mais para fora” (foto 10), mas isso não é uma regra fixa. Porém, quanto mais informações sobre o que você está instalando em sua guitarra ou contrabaixo, melhor.

“Existe alguma forma efetiva de se conseguir uma ação realmente baixa de cordas em uma Strato?”

Se a ação de cordas que se espera for semelhante àquela conseguida em guitarras como Ibanez, Jackson, Kramer e outras, na maioria dos casos só se consegue realinhando a escala e trocando os trastes de uma Strato. O caso é que os tópicos que determinam as características sonoras invejáveis de uma Strato são os mesmos que colaboram para críticas a seu respeito. Seu som brilhante e cristalino é proveniente de seus captadores single coils, instalados em um escudo, que por sua vez é colocado em um corpo com uma série de compartimentos cavados (foto 11). Estes evidenciam uma considerável ausência de madeira, se comparada às guitarras que citei acima. Tudo isso, aliado a um braço com trastes normalmente com aspecto fino e baixo, e associado a uma escala bastante abaulada, determinam o timbre maravilhoso de uma Strato. Entretanto, os mesmos captadores e trastes que proporcionam esse timbre brilhante contribuem para um som estalado e, muitas vezes, até “trastejante”. O grau de abaulamento da escala (radium) intensifica o problema quando se quer ter uma ação de cordas baixa e conseguir bends altos. Existem outros aspectos que contribuem para o som característico da Strato. No entanto, citei aqueles que contribuem mais diretamente para a impossibilidade de uma ação de cordas muito baixa.


A solução mais efetiva é reduzir o grau de abaulamento da escala e colocar trastes novos de tamanho médio/jumbo (veja CG 65), procedimento que não altera quase em nada o timbre de uma Strato. Contudo, o resultado na ação de cordas, na pegada, na maciez e nos bends é sensível. Esse tipo de trabalho só deve ser feito por um luthier experiente e de sua confiança.

Por essa edição, é só. Um grande abraço e até o próximo mês.


 

 

 

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