| Em
virtude do calor, suamos mais intensamente e, com isso, constantemente
umedecemos ponte, parafusos, cordas, parte elétrica
e a escala quando tocamos. Nosso suor é abrasivo para
o instrumento. É claro que essa abrasividade varia
de pessoa para pessoa, mas em qualquer dos casos, a tendência
é o aparecimento de pontos de ferrugem, mal contato
na parte elétrica e um desgaste excessivo das cordas.
O calor faz também com que o braço do instrumento
assuma uma posição mais côncava, ou seja,
ele empena, tornando a ação de cordas mais alta
e “dura” - se não for corrigido logo, o
braço poderá “torcer” e, desta forma,
tornar o conserto muito mais caro e difícil. Muito
comum também é a situação em que
os músicos deixam instrumentos no carro, sob um calor
de 30º C, e quando percebem, eles empenaram, muitas vezes
de forma irreversível. Isso sem contar os músicos
que nessa época do ano fazem shows no litoral, às
vezes próximo de praias, e que sofrem com o hardware
de sua guitarra todo enferrujado.
Nessa
edição, trago dicas do que fazer para que seu
instrumento sobreviva ileso a esse verão que promete
ser muito quente. Primeiramente, procure seu luthier de confiança
para que ele verifique o estado em que se encontra seu instrumento
- se ele precisa de uma regulagem completa ou apenas um ajuste
no tensor par adequar o braço do seu instrumento à
nova estação. Feito isso, é hora de se
adaptar a novos hábitos para com sua guitarra ou contrabaixo:
Se for ficar longe de seu instrumento por mais de 15 dias,
tome algumas providências antes de se ausentar. Substitua
as cordas se estas apresentarem sinais de ferrugem, para que
não comprometa os demais componentes. Seque bem todas
as partes de metal do seu instrumento, usando uma flanela
seca e limpa (foto 1), com exceção das cordas,
pois a flanela solta pêlos que prejudicam a vibração
das mesmas. Posteriormente, compre uma escova de dentes de
cerdas macias, aplique algumas gotas de óleo lubrificante
(foto 2) comumente encontrados em supermercados e espalhe
sobre a ponte (foto 3) e locking nut (trava de cordas). Com
o auxílio de um cotonete também embebido em
óleo, lubrifique todos os parafusos (foto 4) e as terminações
superiores aparentes dos imãs dos captadores (foto
5).
As
tarraxas também devem ser lubrificadas usando-se uma
flanela levemente embebida no óleo (foto 6). Aguarde
alguns minutos e depois, com a flanela, seque o excesso. Após
esses cuidados, evite tocar no seu instrumento para que seu
suor não se infiltre nele e, na sua ausência,
comece a corroer as partes de metal.
Caso
você vá aproveitar esse período para estudar
melhor ou fazer shows, siga todos os passos citados anteriormente.
Porém, a cada vez que parar de tocar, seque as cordas
e todas as partes de metal. Para secar as cordas, sugiro um
pano de limpeza do tipo Perfex (foto 7), encontrado facilmente
em supermercados.
Quanto à conservação das cordas, volto
a dizer que a durabilidade das mesmas (vide CG 68) depende
também do organismo do músico. A quantidade
de ácido úrico contida no suor, por exemplo,
determinará quanto tempo a corda vai durar, assim como
em que velocidade será o desgaste das partes de metal
do instrumento. Desconheço qualquer líquido
milagroso que possa evitar esse processo de deterioração.
Os produtos disponíveis no mercado apenas ajudam a
conservação das cordas, uma vez usado enquanto
o encordoamento for novo. Isso porque quando iniciado o processo
de corrosão, fica impossível eliminá-lo.
O uso de limpadores corrosivos - do tipo Kaol - podem até
deter e retirar a ferrugem, mas comprometem a afinação
e a sonoridade das cordas. A limpeza e a secagem preventiva
são a melhor alternativa para a conservação
das mesmas. Nessa época de calor, se o uso do instrumento
for freqüente, a lubrificação que citei
acima se faz necessária a cada duas semanas, principalmente
para aqueles músicos que transpiram em demasia e que
possuam quantidade excessiva de substâncias abrasivas
no organismo.
Para músicos que irão tocar no litoral ou moram
em cidades litorâneas, os procedimentos anteriores devem
ser seguidos à risca, pois além da umidade do
ar ser maior, a maresia também é um dos grandes
agentes causadores da corrosão. Entretanto, alguns
músicos constatam outro tipo de problema nessas regiões:
mal contato na parte elétrica - potenciômetros
“raspando”, chave e jack falhando. Existem casos
comuns de músicos passarem temporadas tocando nessas
cidades litorâneas e a chave de comutação
de captadores enferrujar por completo, sendo a única
solução a substituição da mesma.
Existem algumas dicas de como minimizar esse processo de deterioração.
Porém, sugiro que após a volta para sua cidade,
você procure um luthier de confiança para uma
limpeza mais minuciosa, seguida de um tratamento lubrificante.
Isso vale também para quem reside nessas cidades litorâneas:
procurem periodicamente seu luthier. Um truque bastante usado
por músicos mais experientes é prender saquinhos
de sílica gel no compartimento da parte elétrica
(foto 8), a fim de que ele absorva parte da umidade e evite
danos maiores. Esse saquinho deve ser colocado de forma a
não pressionar nenhum terminal da chave ou dos potenciômetros.
A sílica gel pode ser encontrada em algumas lojas de
instrumentos musicais.
Caso
já ocorra o mal contato e você esteja muito longe
do seu luthier, proceda com os passos de primeiros socorros
a seguir e procure o profissional dessa área o mais
rápido possível, para uma limpeza mais efetiva.
• Compre uma seringa de vidro com uma agulha e álcool
isopropílico ou benzina (encontrados em farmácias).
Ambos são produtos químicos voláteis,
ou seja, evaporam com facilidade. Por essa razão, são
ótimos limpadores de parte elétrica, pois não
deixam resíduos de umidade.
• Injete um pouco do produto na parte superior da chave
de comutação (foto 9) caso note algum mal contato
nessa região. Em seguida, movimente-a em todas as posições
algumas vezes. Faça o mesmo com os potenciômetros,
só que na sua parte superior (foto 10) e inferior (foto
11), também movimentando-os em seguida. No jack, faça
os mesmos procedimentos, só que embeba um pouco do
líquido num cotonete e limpe a extremidade do mesmo
(foto 12). Com esses procedimentos, você eliminará
provisoriamente ou quase que por completo os ruídos
e mal contatos de componentes elétricos do seu instrumento.
Todos esses problemas acontecem normalmente em qualquer época
do ano, embora mais freqüentemente no verão.
Outro problema comum agora no verão é o músico
levar o instrumento para um luthier ajustar o tensor para
uma temperatura alta – tipo 35°C – e, em seguida,
ensaiar ou gravar em estúdio com o aparelho de ar condicionado
ligado, com temperatura ambiente em torno de 22°C. Isso
já é o suficiente para o instrumento começar
a trastejar nas primeiras casas. Isso se dá pela discrepância
de temperaturas. Por isso, é importante avisar seu
luthier na hora da regulagem, para que ele encontre um meio
termo para essas variações as quais você
irá expor seu instrumento.
Se você seguir essas dicas, com certeza manterá
seu instrumento em um bom estado de conservação
por muito mais tempo.
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