| Nesta
sexta edição de dúvidas mais freqüentes,
iremos nos ater a apenas uma questão: como analisar
a condição do instrumento no momento da compra?
Essa foi a dúvida mais recorrente em emails recebidos
nos últimos três meses. Listei uma série
de itens que devem ser verificados no momento da compra e
que não necessitam que o músico esteja munido
de nenhum equipamento especial para tanto.
É
comum ouvir queixas de guitarristas dizendo que seus instrumentos
estão “duros”, não afinam, apresentam
rachaduras, maus contatos, cordas altas, entre outros problemas.
Os diagnósticos apresentados pelos técnicos
- quando a causa não for falta de regulagem -, são:
captadores defeituosos, braço empenado ou torcido,
trastes que já foram gastos para esconder defeitos
na escala, etc. Embora muitas vezes o consumidor seja reembolsado
pela garantia oferecida pelo fabricante, o tempo gasto e a
dor de cabeça que esses problemas provocam não
têm preço. Acontece também do músico
esperar muito tempo para procurar uma ajuda especializada,
aí quando detectado o problema, a garantia já
expirou.
Mas às vezes a qualidade do produto é sofrível
mesmo. Embora não apresente nenhum defeito, ele jamais
ficará bom, nem mesmo depois de uma minuciosa regulagem
feita por um luthier profissional. Em todos esses casos, o
descontentamento poderia ter sido evitado se o músico
tivesse informações mais criteriosas sobre o
produto na hora da compra. Vamos ver o que é preciso
para não comprar gato por lebre.
Em primeiro lugar, é preciso estar ciente do tipo de
instrumento que o seu som e estilo exigem. Caso seja iniciante
e não possua tal informação, um boa dica
é conversar com seu professor, com um músico
profissional ou até mesmo comum luthier para obter
dados fundamentais na hora da escolha do seu instrumento.
Só depois de ter certeza do que quer efetue a compra.
Corpo
Quando pegar um instrumento que o agradou visualmente, pergunte
ao vendedor ou verifique as especificações técnicas
que geralmente acompanham o produto. Certifique-se do tipo
de madeira com que o corpo do instrumento foi feito. As mais
nobres são normalmente mais caras e na maioria das
vezes proporcionam timbres melhores. Dentre elas destaco as
mais comuns: alder, ash, maple, mogno, bass wood e cedro.
O corpo também pode ser feito de madeiras nada nobres
que são compensado e MDF - madeiras não maciças
coladas em lâminas e uma espécie de aglomerado
de materiais. Não existe nada errado em ter um instrumento
com corpo feito desse tipo de matéria-prima, embora
eles não proporcionem som com grandes sustentações.
Normalmente instrumentos feitos desse material, por serem
mais baratos, tornam-se uma boa opção para músicos
iniciantes ou com menor poder aquisitivo.
Outro item importante a ser observado no corpo do instrumento
é se ele não apresenta nenhuma rachadura em
algum dos lados. Mesmo pintado, é possível ao
olhá-lo contra a luz, ver alguma evidência de
rachadura ou possível rachadura. Cuidado para não
confundir essa impressão com a emenda que muitos corpos
possuem. As emendas sempre são retas e na maioria das
vezes estão no centro do corpo ou nas extremidades
laterais, sempre na vertical.
Braço
O
braço normalmente é feito em maple com
escala em jacarandá; maple com escala em ébano;
ou todo em maple ou em marfim - essa última mais
comum em instrumentos nacionais. Todos esse materiais
são bons para a fabricação de braços.
A escolha se dá, na maioria das vezes, pelo aspecto
visual e construção (largura, comprimento,
espessura). |
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O
braço normalmente é feito em maple com
escala em jacarandá; maple com escala em ébano;
ou todo em maple ou em marfim - essa última
mais comum em instrumentos nacionais. Todos esse materiais
são bons para a fabricação de
braços. A escolha se dá, na maioria
das vezes, pelo aspecto visual e construção
(largura, comprimento, espessura).
Na
loja, o instrumento pode parecer horrível de
tocar. Isso se dá por ele não ter sido
previamente regulado. A ainda se estiver em ordem,
ele pode não oferecer tudo aquilo que o músico
esperava. Isso porque a pré regulagem feita
para venda visa apenas da uma estabilidade padrão
ao instrumento, sem direcioná-lo para nenhum
estilo ou técnica em especial. É importante
verificar alguns itens que citarei para saber se a
tocabilidade que agora não está do agrado,
poderá estar satisfatória após
a regulagem de seu luthier.
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Normalmente,
na loja o instrumento apresenta ação de
cordas alta e muitas vezes trastejamento. Verifique
se isso apenas se dá por não estar regulado
ou por defeitos mais graves. Preste atenção!
As cordas podem estar altas porque o braço está
um tanto côncavo (foto 1), precisando de ajuste
no tensor. Uma forma para verificar isso é tomar
o instrumento nas mãos e olhar o braço
lateralmente contra a luz (foto 2), verificando a curvatura
nas laterais. Se ela for pouco acentuada (foto 3) o
tensor poderá corrigi-la e o instrumento ficará
bom. Se for muito acentuada (foto 4) o tensor não
poderá fazer milagres. Aí teremos um braço
empenado. |

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Nas
ilustrações, estamos demonstrando essas
deformidades com uma régua, pois se fosse com
um braço de guitarra seria mais difícil
perceber o problema, já que a lente da máquina
fotográfica não demonstra facilmente
essas irregularidades como o olho humano.
Outro
fator determinante para cordas altas e trastejamento
é braço torcido. Chamamos assim o braço
possui a concavidade diferente em cada um dos lados.
Se a discrepância dessas curvaturas for grande
(ex.: um lado está côncavo e outro convexo),
esse instrumento não deverá ser comprado.
Esse problema tem solução, mas o custo
é muito alto e só vale a pena solucioná-lo
quando um instrumento comprado anteriormente precisa
ser usado e conservado.
É importante observar também nas visualizações
laterais do braço (vide foto 2), se não
existe alguma irregularidade em sua extensão,
independente dele estar côncavo ou convexo.
Se houver, pode ser irreparável mesmo depois
de nova regulagem. Isso acontece por que o tensor
atua no braço de uma forma geral e não
corrige defeitos ou irregularidades localizadas.
O instrumento pode estar com ação de
cordas baixa ou alta e trastejando da primeira a quinta
casa. Deve-se verificar por meio da visualização
das laterais do braço se ele não está
convexo (foto 05). Se a curvatura for pouca, até
poderá ser corrigida soltando-se o tensor.
Também é importante verificar se as
possíveis irregularidades existentes no braço
não estão sendo provocadas pelo descolamento
da escala. Olhe atentamente em toda a extensão,
nos dois lados, e certifique-se que não há
nenhum espaço entre ela e o braço (foto
06).
Uma boa parte dos instrumentos, principalmente os
de headstock inclinado, possuem a madeira do braço
emendada um pouco abaixo do mesmo. Passe a mão
sobre essa emenda e verifique se ela não está
descolando. É possível notar algum relevo
se ela estiver soltando.
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Trastes
Outro detalhe determinante a ser observado são os trastes.
Antes de comprar um instrumento, é preciso checar se
os trastes estão com seus perfis arredondados e intactos.
Não pode haver marcas de limas ou lixas. Caso note
alguma esteja certo que há irregularidades na escala
ou na colocação dos mesmo e foi dado um “jeitinho”
para que o instrumento não apresentasse trastejamento.
É comum notar essas gambiarras mais no fim da escala,
feitas para esconder empenamentos e torções
localizadas. Preste atenção: esse tipo de instrumento
não deve ser comprado. Depois vai ser preciso gastar
uma grana considerável com um luthier para retificar
a escala e trocar os trastes. Mas lembre-se sempre de usar
o bom senso na hora de julgar um eventual trastejamento. A
ação de cordas do instrumento testado pode estar
baixa com intuito de torná-lo macio e confortável.
Se o músico “descer a mão” na hora
de tocar vai achar que está impróprio. Verifique
todos os itens anteriores, faça todas as possíveis
análises para poder ter critérios para um julgamento.
Instrumentos com ação de cordas baixa devem
ser tocados com menos força para não trastejarem.
Isso não caracteriza defeito, mas sim uma opção
de regulagem. Fique atento!
Por hoje é só. Na próxima edição
continuaremos tratando dos cuidados que são preciso
no momento da compra. Na COVER GUITARRA nº 99 vamos tratar
de:
- Regulagens: verificação da forma como está
regulado o instrumento, antes de tecer uma opinião
sobre ele;
- Parte elétrica: verificação de captadores
potenciômetros e chaves, afim de saber qual estado em
que se encontram;
- Hardware: verificação das partes cromadas
e mecânicas; além do estado da pintura, floyd
roses e um pouco mais a respeito dos braços
Um abraço e boas compras !
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