| É
importante averiguar detalhes reguláveis no instrumento
antes de tecer uma opinião sobre ele. O instrumento
pode estar “duro” de tocar e com cordas altas,
mas não necessariamente empenado ou com defeito. Uma
vez visto por meio de visualização das laterais
do braço (foto 1) que não há torções
nem empenamentos (lembre-se da edição passada),
o braço está reto, equilibrado. Observe o nut
(capotraste) (foto 02) ou o locking nut (trava de cordas)
(foto 03) e perceba se as mesmas não estão partindo
de lá muito altas. Caso isso esteja ocorrendo, o ato
da digitação será dificultado, requerendo
muita força para que as cordas toquem os trastes. Um
luthier pode facilmente regular e tornar equilibrada essa
ação. Também pode acontecer o contrário,
ou seja, as cordas, quando tocadas soltas, podem trastejar.
Verifique se as cordas estão partindo tão baixas
do nut ou do locking nut que estão encostando no primeiro
traste e causando o problema. Toque na primeira casa: se cessar
o trastejamento, o problema está no nut; se não,
o problema pode estar na ação do tensor. Certifique-se
de que o braço não está muito convexo
(se estiver, aí está o problema!); caso contrário,
o problema pode estar nos trastes. Nesse caso, é prudente
testar outro instrumento ou ligar para seu luthier buscando
informações.
A
ação de cordas no nut deve variar de 1 a 1,5
mm (no máximo). Acima disso, ela já se torna
difícil de ser tocada. O mesmo fator, na ponte, também
ajuda a determinar se o instrumento está trastejando
com facilidade ou se está “duro” e difícil
de ser tocado. As cordas, ao partirem muito baixas da ponte,
facilitam a execução de escalas, mas também
limitam a força da mão direita (quando se tratar
de um músico destro). As cordas, partindo altas da
ponte, tornam o instrumento difícil de ser tocado.
Um luthier pode equilibrar isso com facilidade, mas preste
atenção em todos os itens para julgar o que
está sendo comprado.
Parte
Elétrica
Potenciômetros e chaves com ruídos quando manuseadas
indicam sujeira nos componentes. Isso não é
um problemas irreparável - ao contrário, quase
sempre é de fácil solução -, mas
deve ser evitado. Verifique se todos os captadores funcionam.
Procure ouvir em separado o som de cada um deles, comutando-os
por intermédio da chave de seleção. Com
uma moeda, bata levemente sobre cada um deles para verificar
se todos estão funcionando. Coloque a chave de comutação
em cada posição oferecida e vá batendo
nos imãs dos captadores com a moeda (foto 4). Verifique
qual captador naquela posição da chave funciona
ou não. Aquele que estiver funcionado fará um
“toc” mais alto no amplificador do que aquele
que não estiver atuando. Teste em todas as posições
da chave. No final, todos os captadores deverão ter
feito o ruído no amplificador.
Observe os humbuckers com a atenção. Todas as
duas bobinas, quando tocadas pela moeda, deverão “estalar”
no ampli. Isso é importante para que não se
compre um instrumento com captadores pifados ou com humbuckers
em que apenas uma das bobinas está funcionando. Fique
atento também à inscrição “Design
By” (Ex: Design by EMG ou Duncan Design, entre outras),
que significa que o captador foi desenhado semelhante ao modelo
mencionado, sob licença deles ou que possua algumas
características sonoras/visuais desses captadores,
mas não indica que sejam dessas marcas. É comum
as pessoas se iludirem, achando que estão comprando
instrumentos com captadores de primeiríssima linha,
às vezes pagando preços abusivos por isso. Não
que esses captadores não sejam prestem - às
vezes, são até muito bons -, mas não
os confunda com os originais.
Hardware
Fique atento com o cromo das tarraxas, pontes, straps, enfim,
tudo que for parte de metal. Verifique se o “banho”
não está descascando, com indícios de
ferrugem ou amassado, assim como se não há folgas
nas tarraxas (foto 5), que não podem ser “duras”
para enrolar ou desenrolar as cordas. É claro que isso
varia de acordo com a qualidade que ela possui, mas não
deve ser preciso fazer força para atuá-las.
Balance-as para ambos os lados e veja se não há
folgas. Elas devem ser firmes.
Pintura
Observe se não há evidência de batidas
ou amassados contundentes na pintura. Não se iluda:
retoques em pinturas não são fáceis nem
baratos.
Braços
Integrados
Quando estiver comprando um instrumento com o braço
integrado ao corpo, ou seja, sem parafusos de fixação,
certifique-se se existe a possibilidade de abaixar a ponte
para se conseguir uma ação de cordas mais reduzida.
Se o braço estiver mal integrado ao corpo, muitas vezes
as cordas ficarão com uma ação alta,
pois o braço está mais abaixo do nível
ao corpo do que deveria estar. O mais comum é haver
dois pivôs ou duas porcas de ajuste. Se perceber que
não é possível chegar à ação
de cordas necessária, procure informações
com seu luthier ou fuja dessa compra, pelo menos momentaneamente,
até ter certeza do que está comprando.
Floyd
Rose
Se você está interessado em um instrumento com
trêmolo flutuante, tipo Floyd Rose, verifique se no
corpo do instrumento há um “back box” (compartimento
para que o trêmolo “afunde” dentro do corpo,
(foto 6) para que o trêmolo atue tanto para cima como
para baixo. Caso não tenha esse trêmolo, as notas
só decairão quando alavancado ou, dependendo
da regulagem, talvez as notas subam, mas bem pouco. Isso não
é um problema, desde que você saiba/queira isso.
Ë possível construir esse back box em um instrumento
que não o possua, mas essa operação tem
um custo, e é bom que você esteja ciente disso
no momento da compra. Verifique também o tipo de fixação
da haste do trêmolo e se ela possui uma espécie
de “porca” de fixação (foto 7),
pois esse tipo é mais eficaz - do ponto de vista de
firmeza (sem jogo ou folga) - do as convencionais com rosca
na própria haste (foto 8). Existe também alguns
tipos de sistema que possuem um parafuso Allen de travamento
da haste, localizado no compartimento no qual é rosqueada
a haste, o que também impede que hajam folgas.
Resumo
•
Verifique se o braço não está torcido
ou empenado;
•
Veja se não há descolamento de partes no braço
e na escala, ou emendas no headstock;
•
Observe os trastes: veja se não estão limados;
•
Certifique-se de que a madeira é do mesmo material
do corpo;
•
Veja se não há rachaduras no corpo ou riscos
na pintura;
•
Analise a regulagem que o instrumento está oferecendo
antes de julgá-lo e a parte elétrica com atenção;
•
Teste os captadores;
•
Verifique as partes de metal do instrumento, observando seu
estado;
•
Atenção aos instrumentos com braço integrado;
•
Tenha certeza que a atuação que a Floyd Rose
oferece é aquilo que você procura;
Com todos
esses cuidados e critérios, as chances de você
se decepcionar com a próxima guitarra que comprar será
quase zero. É muito importante lembrar que, após
a compra, você deve levar seu instrumento ao seu luthier,
para que ele faça um diagnóstico mais detalhado
e preciso sobre o produto que você adquiriu. No caso
houver algum problema, você vai ter tempo de recorrer
à sua garantia.
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