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Guia de compras II

Continuando a seleção Guia de compras, apresentaremos a segunda parte do guia de compras, com dicas e cuidados que devemos ter ao adquirir um novo instrumento. No mês passado, vimos como analisar corpo, braço e trastes. Aqui, veremos como identificar o estado da regulagem, parte elétrica, hardware, ponte Floyd Rose, pintura e cuidados com instrumentos com o braço integralizado.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 99 - Fev/03


É importante averiguar detalhes reguláveis no instrumento antes de tecer uma opinião sobre ele. O instrumento pode estar “duro” de tocar e com cordas altas, mas não necessariamente empenado ou com defeito. Uma vez visto por meio de visualização das laterais do braço (foto 1) que não há torções nem empenamentos (lembre-se da edição passada), o braço está reto, equilibrado. Observe o nut (capotraste) (foto 02) ou o locking nut (trava de cordas) (foto 03) e perceba se as mesmas não estão partindo de lá muito altas. Caso isso esteja ocorrendo, o ato da digitação será dificultado, requerendo muita força para que as cordas toquem os trastes. Um luthier pode facilmente regular e tornar equilibrada essa ação. Também pode acontecer o contrário, ou seja, as cordas, quando tocadas soltas, podem trastejar. Verifique se as cordas estão partindo tão baixas do nut ou do locking nut que estão encostando no primeiro traste e causando o problema. Toque na primeira casa: se cessar o trastejamento, o problema está no nut; se não, o problema pode estar na ação do tensor. Certifique-se de que o braço não está muito convexo (se estiver, aí está o problema!); caso contrário, o problema pode estar nos trastes. Nesse caso, é prudente testar outro instrumento ou ligar para seu luthier buscando informações.

A ação de cordas no nut deve variar de 1 a 1,5 mm (no máximo). Acima disso, ela já se torna difícil de ser tocada. O mesmo fator, na ponte, também ajuda a determinar se o instrumento está trastejando com facilidade ou se está “duro” e difícil de ser tocado. As cordas, ao partirem muito baixas da ponte, facilitam a execução de escalas, mas também limitam a força da mão direita (quando se tratar de um músico destro). As cordas, partindo altas da ponte, tornam o instrumento difícil de ser tocado. Um luthier pode equilibrar isso com facilidade, mas preste atenção em todos os itens para julgar o que está sendo comprado.

Parte Elétrica

Potenciômetros e chaves com ruídos quando manuseadas indicam sujeira nos componentes. Isso não é um problemas irreparável - ao contrário, quase sempre é de fácil solução -, mas deve ser evitado. Verifique se todos os captadores funcionam. Procure ouvir em separado o som de cada um deles, comutando-os por intermédio da chave de seleção. Com uma moeda, bata levemente sobre cada um deles para verificar se todos estão funcionando. Coloque a chave de comutação em cada posição oferecida e vá batendo nos imãs dos captadores com a moeda (foto 4). Verifique qual captador naquela posição da chave funciona ou não. Aquele que estiver funcionado fará um “toc” mais alto no amplificador do que aquele que não estiver atuando. Teste em todas as posições da chave. No final, todos os captadores deverão ter feito o ruído no amplificador.


Observe os humbuckers com a atenção. Todas as duas bobinas, quando tocadas pela moeda, deverão “estalar” no ampli. Isso é importante para que não se compre um instrumento com captadores pifados ou com humbuckers em que apenas uma das bobinas está funcionando. Fique atento também à inscrição “Design By” (Ex: Design by EMG ou Duncan Design, entre outras), que significa que o captador foi desenhado semelhante ao modelo mencionado, sob licença deles ou que possua algumas características sonoras/visuais desses captadores, mas não indica que sejam dessas marcas. É comum as pessoas se iludirem, achando que estão comprando instrumentos com captadores de primeiríssima linha, às vezes pagando preços abusivos por isso. Não que esses captadores não sejam prestem - às vezes, são até muito bons -, mas não os confunda com os originais.

Hardware

Fique atento com o cromo das tarraxas, pontes, straps, enfim, tudo que for parte de metal. Verifique se o “banho” não está descascando, com indícios de ferrugem ou amassado, assim como se não há folgas nas tarraxas (foto 5), que não podem ser “duras” para enrolar ou desenrolar as cordas. É claro que isso varia de acordo com a qualidade que ela possui, mas não deve ser preciso fazer força para atuá-las. Balance-as para ambos os lados e veja se não há folgas. Elas devem ser firmes.

Pintura

Observe se não há evidência de batidas ou amassados contundentes na pintura. Não se iluda: retoques em pinturas não são fáceis nem baratos.

Braços Integrados

Quando estiver comprando um instrumento com o braço integrado ao corpo, ou seja, sem parafusos de fixação, certifique-se se existe a possibilidade de abaixar a ponte para se conseguir uma ação de cordas mais reduzida. Se o braço estiver mal integrado ao corpo, muitas vezes as cordas ficarão com uma ação alta, pois o braço está mais abaixo do nível ao corpo do que deveria estar. O mais comum é haver dois pivôs ou duas porcas de ajuste. Se perceber que não é possível chegar à ação de cordas necessária, procure informações com seu luthier ou fuja dessa compra, pelo menos momentaneamente, até ter certeza do que está comprando.

Floyd Rose

Se você está interessado em um instrumento com trêmolo flutuante, tipo Floyd Rose, verifique se no corpo do instrumento há um “back box” (compartimento para que o trêmolo “afunde” dentro do corpo, (foto 6) para que o trêmolo atue tanto para cima como para baixo. Caso não tenha esse trêmolo, as notas só decairão quando alavancado ou, dependendo da regulagem, talvez as notas subam, mas bem pouco. Isso não é um problema, desde que você saiba/queira isso. Ë possível construir esse back box em um instrumento que não o possua, mas essa operação tem um custo, e é bom que você esteja ciente disso no momento da compra. Verifique também o tipo de fixação da haste do trêmolo e se ela possui uma espécie de “porca” de fixação (foto 7), pois esse tipo é mais eficaz - do ponto de vista de firmeza (sem jogo ou folga) - do as convencionais com rosca na própria haste (foto 8). Existe também alguns tipos de sistema que possuem um parafuso Allen de travamento da haste, localizado no compartimento no qual é rosqueada a haste, o que também impede que hajam folgas.

Resumo

• Verifique se o braço não está torcido ou empenado;

• Veja se não há descolamento de partes no braço e na escala, ou emendas no headstock;

• Observe os trastes: veja se não estão limados;

• Certifique-se de que a madeira é do mesmo material do corpo;

• Veja se não há rachaduras no corpo ou riscos na pintura;

• Analise a regulagem que o instrumento está oferecendo antes de julgá-lo e a parte elétrica com atenção;

• Teste os captadores;

• Verifique as partes de metal do instrumento, observando seu estado;

• Atenção aos instrumentos com braço integrado;

• Tenha certeza que a atuação que a Floyd Rose oferece é aquilo que você procura;

Com todos esses cuidados e critérios, as chances de você se decepcionar com a próxima guitarra que comprar será quase zero. É muito importante lembrar que, após a compra, você deve levar seu instrumento ao seu luthier, para que ele faça um diagnóstico mais detalhado e preciso sobre o produto que você adquiriu. No caso houver algum problema, você vai ter tempo de recorrer à sua garantia.

 


 

 

 

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