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PUSH-PULL - Versatilidade sem truques
Neste artigo abordo como aumentar a versatilidade e diversificar o timbre de sua guitarra sem comprometer a estética do instrumento com furos extras ou gambiarras, utilizando os potenciômetros Push-pull.

Por: Edmar Luighi
Fotos:
Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 100 - Abr/03

Nesta edição, escreverei sobre o potenciômetro push pull, e sua utilização na guitarra como um “fabricante de timbres”. Na verdade não é o push botom – outro nome dado ao potenciômetro - que fabrica o timbre. Ele apenas disponibiliza uma nova opção por meio de um pequeno toque. Esse recurso veio para substituir aquelas mini chaves (foto 01) usadas para conseguir um pouco mais de versatilidade nos timbres uma guitarra. O push pull nada mais é do que um potenciômetro combinado com uma chave comutadora (foto 02). Sua grande vantagem é a praticidade tanto de instalação, quanto de utilização. Isso porque, ele atua em duas funções. Além de regular o volume, pode “tornar um captador single em humbucker” , isso sem ocupar o mesmo espaço de um potenciômetro comum, evitando furos desnecessários no escudo ou no corpo da guitarra.

Seu funcionamento se dá como o próprio nome já diz, puxando e empurrando. Quando puxado para cima (foto 03), ele ativa o novo timbre; e quando empurrado para baixo (foto 04), retorna o timbre anterior. Alguns músicos comentam que é difícil ficar puxando o potenciômetro durante uma música para mudar o timbre e, portanto, preferem a antiga mini chave. Acredito que foi por causa dessas reclamações que inventaram o push push.

Com o nome já diz, basta empurrar para ativar um novo timbre e depois empurrar novamente para retornar ao timbre anterior. Evidente que esse sistema é muito mais prático. A utilização dos push botom dependem quase que exclusivamente da pré disposição dos captadores para esse tipo de adaptação timbral. Ou seja, para que essas modificações sejam possíveis, os captadores terão que oferecer as possibilidades para que isso aconteça. Os humbuckers ou singles de bobina dupla (stacks) (ver COVER GUITARRA nº50) apresentam com os seus condutores (fios) para instalação em quantidade que variam com o tipo e modelo de cada captador.

· Captadores que possuem um condutor – Apresentam os seguintes fios: fio positivo + malha

· Captadores que possuem dois condutores – Fio positivo + fio de função das bobinas + malha.

· Captadores que possuem três condutores – Fio positivo + fio de função das bobinas + fio negativo + malha.

· Captadores que possuem quatro condutores – Fio positivo + fio negativo de uma bobina + fio positivo + fio negativo de outra bobina + malha.

Cada uma dessas configurações oferecem possibilidades variadas de alterações que vão desde o desligamento de uma bobina, até uma defasagem, ligações em paralelo ou série. É importante que o músico conheça esses detalhes, para que no momento da compra de um captador, saiba quais recursos e variações de timbres poderá obter.

A seguir, darei sugestões de timbres que poderão ser conseguidos com ligações elétricas desde que os captadores permitam tais arranjos. O meu intuito nessa edição é informar ao leitor sobre várias possibilidades de melhorar a sonoridade e versatilidade de seu instrumento apenas com a utilização de um push botom. Mas, é importante lembrar que você deve procurar sempre seu luthier de confiança para que ele lhe indique as possibilidades que o seu set up elétrico (captadores, chaves, potenciômetros, e fiação) pode oferecer.

A sugestão a seguir é para aquelas guitarras que possuem dois humbuckers e um single. Um humbucker ponte, um single central e um humbucker braço. Por exemplo: Jackson, Ibanez, Kramer, etc. (foto 05). Para esse tipo de configuração, é necessário que os humbuckers possuam ao menos dois condutores. O push botom será instalado para transformar os humbuckers em single coil. Ele proporcionará um “curto” em uma das bobinas dos humbuckers, anulando-a. Desta forma, o som captadores ficará parecido com o de um single coil.

Esse recurso é bastante interessante para que o instrumentista obtenha um som mais limpo e cristalino, com um ataque mais discreto para se tocar por exemplo blues, country, ou funk. É evidente que ao transformar um humbucker em single coil, o guitarrista terá que lidar com o hum (ruído) tradicional de single coil. Entretanto, esse ruído é discreto, a menos que seja usado uma distorção.

Essa outra configuração se destina a instrumentos que possuem três captadores de bobina dupla e pelo menos três condutores. Por exemplo: guitarras com três humbuckers, stratos com três singles de bobinas duplas (Stacks) ou guitarras com dois humbuckers e um single de bobina dupla. Neste caso, o que faremos é acrescentar mais um push pull para que os três captadores se “tornem” singles. Um dos push pull tornará single os captadores da ponte e braço, por exemplo; e o outro, o captador central. O resultado que obteremos com essa adaptação será parecido com o anterior, entretanto com a vantagem de podermos combinar humbuckers com single, single com humbuckers, single com single, enfim até 14 timbres diferentes, aproximadamente. Esses recursos são bastante interessantes e úteis para músicos que precisam de guitarras com som pesado para tocar hard rock, por exemplo, e de um som limpo para tocar funk.

 

Essa próxima configuração se destina mais para guitarras modelo strato, já que possuem três potenciômetros (um volume e dois tons) (foto 6). Como nos casos anteriores, é necessário que os captadores sejam de bobina dupla e possuam no mínimo três condutores. Neste tipo de instrumento será colocado, como no anterior, um push botom para tornar single os captadores das extremidades (ponte e braço), um outro para tornar single o captador central, e um terceiro para fazer com que os captadores das extremidades operem simultaneamente. Esse feito é conhecido também como blend. Essa última opção pode ser feita com o potenciômetro de tom. Ou seja, ele deixa de atuar como um controlador de tom e, girando o potenciômetro, passa a comutar gradativamente os captadores da posição ponte e braço. Essas configurações permitirão além de todas as 14 combinações anteriores, mais seis, no mínimo.

Você comutará os captadores das posições extremas (ponte e braço) operando-os juntos como em uma Les Paul na posição central da chave. Ao utilizar o outro push botom, transformará os captadores extremos em singles. Com isso, terá um timbre que semelhante ao de uma Telecaster. Se você colocar ainda a chave comutadora de captadores nas posições intermediárias, fará com que os três funcionem juntos, além de variá-los com uma ou duas bobinas. Ou seja, terá uma infinidade de timbres. Essa configuração é excelente para instrumentistas de jazz rock, ou bandas que fazem versão de músicas já conhecidas.

Para finalizar, um truque bastante utilizado por “strateiros” que pode ser usado em qualquer guitarra. Trata-se da instalação de um capacitor cerâmico cujo o valor é 470pF (foto 7) ao potenciômetro de volume. O intuito é preservar as freqüências agudas, que normalmente são perdidas quando se reduz volume da guitarra. Esse recurso faz com o timbre se mantém igual mesmo com as variações de volume, sem dar aquela “abafadinha”. Mas, muitos músicos curtem essa “abafadinha”. Eles argumentam que quando utilizada com saturação, essa redução de volume torna o timbre da guitarra mais suave e menos estridente.

Por hoje é só. Na próxima edição, escreverei sobre push botom em Les Paul.


 

 

 

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