Nesta
edição, escreverei sobre o potenciômetro
push pull, e sua utilização na guitarra como
um “fabricante de timbres”. Na verdade não
é o push botom – outro nome dado ao potenciômetro
- que fabrica o timbre. Ele apenas disponibiliza uma nova
opção por meio de um pequeno toque. Esse recurso
veio para substituir aquelas mini chaves (foto 01) usadas
para conseguir um pouco mais de versatilidade nos timbres
uma guitarra. O push pull nada mais é do que um potenciômetro
combinado com uma chave comutadora (foto 02). Sua grande vantagem
é a praticidade tanto de instalação,
quanto de utilização. Isso porque, ele atua
em duas funções. Além de regular o volume,
pode “tornar um captador single em humbucker”
, isso sem ocupar o mesmo espaço de um potenciômetro
comum, evitando furos desnecessários no escudo ou no
corpo da guitarra.
Seu
funcionamento se dá como o próprio nome já
diz, puxando e empurrando. Quando puxado para cima (foto 03),
ele ativa o novo timbre; e quando empurrado para baixo (foto
04), retorna o timbre anterior. Alguns músicos comentam
que é difícil ficar puxando o potenciômetro
durante uma música para mudar o timbre e, portanto,
preferem a antiga mini chave. Acredito que foi por causa dessas
reclamações que inventaram o push push.
Com o nome já diz, basta empurrar para ativar um novo
timbre e depois empurrar novamente para retornar ao timbre
anterior. Evidente que esse sistema é muito mais prático.
A utilização dos push botom dependem quase que
exclusivamente da pré disposição dos
captadores para esse tipo de adaptação timbral.
Ou seja, para que essas modificações sejam possíveis,
os captadores terão que oferecer as possibilidades
para que isso aconteça. Os humbuckers ou singles de
bobina dupla (stacks) (ver COVER GUITARRA nº50) apresentam
com os seus condutores (fios) para instalação
em quantidade que variam com o tipo e modelo de cada captador.
· Captadores que possuem um condutor – Apresentam
os seguintes fios: fio positivo + malha
· Captadores que possuem dois condutores – Fio
positivo + fio de função das bobinas + malha.
· Captadores que possuem três condutores –
Fio positivo + fio de função das bobinas + fio
negativo + malha.
· Captadores que possuem quatro condutores –
Fio positivo + fio negativo de uma bobina + fio positivo +
fio negativo de outra bobina + malha.
Cada
uma dessas configurações oferecem possibilidades
variadas de alterações que vão desde
o desligamento de uma bobina, até uma defasagem, ligações
em paralelo ou série. É importante que o músico
conheça esses detalhes, para que no momento da compra
de um captador, saiba quais recursos e variações
de timbres poderá obter.
A seguir, darei sugestões de timbres que poderão
ser conseguidos com ligações elétricas
desde que os captadores permitam tais arranjos. O meu intuito
nessa edição é informar ao leitor sobre
várias possibilidades de melhorar a sonoridade e versatilidade
de seu instrumento apenas com a utilização de
um push botom. Mas, é importante lembrar que você
deve procurar sempre seu luthier de confiança para
que ele lhe indique as possibilidades que o seu set up elétrico
(captadores, chaves, potenciômetros, e fiação)
pode oferecer.
A sugestão a seguir é para aquelas guitarras
que possuem dois humbuckers e um single. Um humbucker ponte,
um single central e um humbucker braço. Por exemplo:
Jackson, Ibanez, Kramer, etc. (foto 05). Para esse tipo de
configuração, é necessário que
os humbuckers possuam ao menos dois condutores. O push botom
será instalado para transformar os humbuckers em single
coil. Ele proporcionará um “curto” em uma
das bobinas dos humbuckers, anulando-a. Desta forma, o som
captadores ficará parecido com o de um single coil.
Esse recurso é bastante interessante para que o instrumentista
obtenha um som mais limpo e cristalino, com um ataque mais
discreto para se tocar por exemplo blues, country, ou funk.
É evidente que ao transformar um humbucker em single
coil, o guitarrista terá que lidar com o hum (ruído)
tradicional de single coil. Entretanto, esse ruído
é discreto, a menos que seja usado uma distorção. |