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Dicas e Truques para os modelos Les Paul-ParteII

Esta é a segunda parte do tema Les Paul. Nela é abordado alguns aspectos da parte elétrica, o uso do push pull, captadores de reposição mais comuns, capotrastes, tarraxas, entre outros.

Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 101 - Mai/03

Esse mês, continuamos com o tema "Les Paul", iniciado na edição 89, abordando alguns aspectos da parte elétrica, o uso do push pull (como visto na edição passada), captadores de reposição mais comuns, capotrastes, tarraxas, etc.
Embora a Les Paul seja um modelo cujo projeto é de autoria da Gibson, outras marcas construíram e distribuíram no mercado mundial modelos similares. Aqui, vou me ater mais ao modelo do que propriamente às marcas.

É importante salientar que as guitarras Les Paul (foto 1) possuem peculiaridades que exigem maiores cuidados. Isso não quer dizer que elas apresentem mais problemas do que uma Strato (foto 2), mas sim que as soluções apresentarão custos mais elevados em função de alguns itens que citarei a seguir.

 As Les Paul possuem braço colado ao corpo (foto 3). Embora isso melhore a sustentação das notas, em caso de empenamento do braço (por exemplo) o conserto será mais difícil do que em um instrumento cujo braço possa ser separado do corpo.

 No caso de uma "repintura" do corpo, o mesmo não poderá ser submetido a nenhum processo de aceleração na secagem, pois isso danificaria o braço. Por isso, suas áreas terão que ser isoladas. Além disso, é preciso cuidado com os filetes laterais existentes no corpo e no braço (foto 4).

 Por possuir incrustações de tamanho mais generoso (foto 5) que as Stratos (foto 6) e fabricadas em madrepérola ou abalone, essas marcações deverão ser retiradas no caso de uma "replainagem" de escala por motivo de empenamento ou torção (ver CG 65), para que não sejam destruídas ou gastas pelo uso de lixas. Elas devem ser recolocadas após o término da operação. Às vezes, não é necessária tal retirada, o que ocorre quando a "replainagem" da escala é mínima.

 Por possuir filetes nas laterais do braço (como citado acima), uma troca de trastes se torna mais difícil e delicada. Os trastes deverão ser cortados e colocados no tamanho exato da escala, para que sua parte inferior não ultrapasse o filete lateral (foto 7) e nem possa ser visto na lateral, como em guitarras sem filetes (foto 8).

Esses são alguns itens que tornam as Les Paul instrumentos delicados quando o assunto é manutenção. Então, sugiro que tenham cuidados especiais, como não expô-los à mudanças bruscas de temperatura (para que o braço não empene nem torça) e não deixar que os trastes fiquem marcados demais pela ação das cordas (para que não seja necessário antecipar uma troca de trastes).

Bem, vamos às dicas.

1) Por não possuírem tremolos, as Les Pauls não desafinam com facilidade. Mas a troca do nut original (foto 9) por outro, fabricado em latão (foto 10), melhora ainda mais essa qualidade. O sulcos do nut de latão não desgastam facilmente com a ação das cordas. Assim, não provocam rebarbas, que muitas vezes restringem o movimento das mesmas.

2) Outro artifício que o instrumentista pode usar para melhorar ainda mais a estabilidade da afinação é o uso de tarraxas com travas. Esse recurso junto com o nut de latão proporciona uma estabilidade na afinação sem igual.

As guitarras modelo Les Paul podem utilizar qualquer tipo de humbuckers. Contudo, existem modelos mais específicos, dos quais citarei alguns dos mais comuns.

Paf Classic DiMarzio

Esse humbucker possui quatro condutores, permitindo conexões em série, em paralelo ou o desligamento de uma das bobinas, utilizando esse captador como um single coil. Proporciona um timbre equilibrado em suas freqüências, lembrando os captadores da Gibson dos anos 50. Possui nickel cover (capa de metal que envolve todo o captador) (foto 11).

Minibucker DiMarzio

Também de quatro condutores e de freqüências equilibradas, mas com um pouco mais de ataque que o anterior. É parafinado, para evitar possíveis microfonias. Possui nickel cover.

Jazz Model Seymour Duncam

Esse humbucker encontra-se disponível com e sem nickel cover. Possui quatro condutores e timbre bastante cristalino, com poucos médios, bastante graves e agudos.

The'59 Seymour Duncam

Esse captador não possui nickel cover e é encontrado com dois e quatro condutores. Possui um som limpo bastante cristalino e encorpado. Quando saturado, mostra freqüências bastante equilibradas e boa sustentação. Longe de ser um captador estridente, o 59 produz médios modestos, bons graves, agudos e um som "cheio".

JB Model Seymour Duncam

Esse humbucker é encontrado com e sem nickel cover e com quatro condutores. Bastante versátil e de freqüências equilibradas, ele propicia boa sustentação e saída bem forte (massa de volume e potência). É usado em diversos estilos, como hard blues, hard rock e jazz rock.

Duncam Custom Seymour Duncam

Com quatro condutores, com e sem nickel cover, esse poderoso humbucker possui uma excelente sustentação e equilíbrio de freqüências, com timbre límpido, encorpado e de saída fortíssima. Satura com facilidade, mas não é um captador "sujo".

500 T Gibson

Possui quatro condutores e não tem nickel cover. É um humbucker com excelente equilíbrio de freqüências e saída fortíssima. Proporciona ótima sustentação, timbre "gordo" e límpido. Entretanto, graças à sua saída alta, satura com facilidade. É indicado para hard rock, heavy metal e para um jazz mais pesado.

Alnico II Pró

Com quatro condutores com e sem nickel cover, esse humbucker possui excelente sustentação e equilíbrio de freqüências, com timbre bastante "gordo" e com saída fortíssima. Satura com facilidade. Esse captador é usado por Slash.

 

Esses são apenas alguns captadores. Como existem muitos outros, você deve consultar seu luthiers antes da compra para receber maiores informações.

Para terminar, algumas dicas de ligações desses humbuckers utilizando potenciômetros do tipo push pull (ver edição passada) para incrementar mais sua parte elétrica e aumentar a gama de timbres. Essa é uma configuração elétrica bem complexa e bastante interessante, destinada aos modelos Les Paul ou outras guitarras com dois humbuckers e quatro potenciômetros. Ao contrário das configurações vistas na edição passada, essa tem a necessidade dos humbuckers apresentarem de quatro condutores, porque trabalharemos, além do cancelamento de bobinas, com sua defasagem, ou seja, vamos fazê-las trabalhar com as polaridades invertidas. Isto resultará no cancelamento de certas freqüências - principalmente das graves.

Os captadores convertem a energia vibratória das cordas em uma corrente alternada (vide CG 50), formada por "picos" e "vales". Quando duas bobinas geram correntes alternadas e seus "picos" e "vales" coincidem, dizemos que estão em fase. Por outro lado, se o "pico" de uma corrente coincide com o "vale" da outra, estão defasadas. Captadores defasados produzem uma gama de timbres interessantes quando a idéia é um som limpo.

Essa configuração trabalhará da seguinte maneira: cada captador terá dois push-pull, sendo um para tornar single o humbucker e o outro que defasará as bobinas desse mesmo humbucker. É importante salientar que o efeito da defasagem só será audível quando o captador estiver com as duas bobinas funcionando (forma humbucker). Ou seja, o push destinado ao cancelamento de bobina deverá estar inoperante. Dessa forma, poderemos obter a sonoridade de single com humbucker defasado; single com humbucker; ou humbucker defasado com single. Enfim, aproximadamente 14 timbres diferentes.

Na edição 69 da CG, você pode ver um diagrama dessas ligações. Contudo, é mais seguro pedir ao seu luthier de confiança que faça essa operação.


 

 

 

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