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Dúvidas mais freqüentes-VII

Nesta matéria apresento as dúvidas mais comuns observadas e selecionadas por meio dos e-mails recebidos nos últimos meses.

Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 102 - Abril/03


“Quanto de corda devo enrolar nas tarraxas para reduzir a desafinação”?

É bem verdade que os comentários a esse respeito são contraditórios, pois alguns argumentam que enrolar poucas voltas faz as cordas desafinarem ao escapar das tarraxas, enquanto outros dizem que se enrolar muito, elas desafinam ao afrouxarem por causa da quantidade de voltas. Ambos os argumentos estão certos. Entretanto, é o exagero que cria o problema.

Enrolar demais as cordas na tarraxa (foto 1) realmente causa desafinação. Isso pode ser verificado ao se fazer o seguinte teste: afine o instrumento, puxe a corda contra a tarraxa (foto 2) e repare que ela baixará a afinação de ½ até dois tons, e isso se repetirá varias vezes. Isso se dá principalmente nas cordas graves, mais grossas, e suas voltas não assentam perfeitamente uma sobre as outras, além da quantidade, que torna tudo mais difícil. Se você enrolar as cordas com cinco voltas, terá que esperar que cada uma delas estique ao máximo para que assentem com perfeição, sem gerar desafinação. Isso pode demorar um bocado de tempo, ainda mais sendo seis cordas. Você também não pode deixar apenas um pequeno pedaço de corda, que certamente escapará.

A dica é colocar a corda na tarraxa e esticá-la até o fim (foto 3). Em seguida, puxe-a dando uma folga de “três dedos” do seu limite (foto 4). A partir daí, comece a enrolar até o fim (foto 5). Você reduzirá bastante a desafinação por acúmulo de cordas.

“Quando ligo meu violão elétrico, uma ou duas cordas ficam com o volume menor que as demais. Devo trocar o captador ou o equalizador”?

Na maioria dos casos, nenhum deles! Essa falta de uniformidade de volume entre as cordas se dá quase sempre por falta de pressão das cordas sobre o rastilho/captador. Esse sistema funciona por intermédio de um captador colocado em sua cavidade no cavalete (foto 6) e o rastilho em cima dele (foto 7). Por sobre ambos passa as cordas (foto 8). Mas se o “piso” da cavidade onde está colocado o captador estiver irregular - ou se a parte inferior do rastilho que apóia no captador não estiver perfeitamente reta, ou mesmo se as cordas não estiverem fazendo pressão suficiente sobre ambos (foto 9) - teremos a ausência de uniformidade de volume entre as cordas.

Isso acontece por falta de regulagem, desgaste natural ou por um pequeno descuido do luthier. Para abaixar a ação de cordas de um violão, um dos pontos de ajuste é o desbastamento da parte inferior do rastilho. Se isso não foi feito de maneira uniforme ou não se providenciou o aumento de pressão das cordas sobre ele após o ajuste, “pintou o problema”. É claro que, algumas vezes, há realmente um defeito no pré ou no captador, mas isso não é comum. No momento em que aparecer o problema, não se desespere à procura de um novo sistema. Vá ao seu luthier para que ele corrija tal alteração.

“Que captador devo escolher para ter um timbre melhor, com mais peso e ataque em minha guitarra”?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que “timbre”, “potência”, “ataque” e “sustentação” são características que variam ao gosto de cada um. Quem quer um captador com bastante ataque tem como referência Ritchie Blackmore, Eddie Van Halen ou Dimebag Darrell? Os captadores desses músicos possuem um “ataque forte”, mas diferentes na força e no timbre. Ao escolher um captador para seu instrumento, é importante ter como referência um guitarrista que toque com o som e o timbre semelhantes aos que você deseja. Evidentemente, cada captador interage de forma diferente em cada guitarra. No entanto, ter ao menos um esboço do que se quer obter já é um bom começo para selecioná-lo.

A forma como é fixado o captador - em escudo ou diretamente na madeira - diferencia a resposta do mesmo, assim como a espessura do corpo (aquele mais espesso ajuda o captador a produzir um som mais “gordo” do que um corpo menos espesso). É claro que o tipo de madeira é determinante no aspecto da espessura. Podemos sentir diferenças apenas se compararmos madeiras de igual tipo. O mogno, por exemplo, permite uma sonoridade “mais gorda” do que o maple. Então, não seria prudente fazer nenhum tipo de comparação quanto à espessura se a outra madeira não for o maple. Entretanto, o maple, com relação ao mogno, normalmente permite um timbre mais definido, superficialmente falando.

 

 

Como vocês podem perceber, para a escolha de um captador são vários os aspectos determinantes a ser observados. Minhas dicas são:

• Tenha ao menos uma idéia do timbre que gostaria de conseguir;

• Procure conhecer as características do seu instrumento (tipo de madeira, sonoridades predominantes);

• Pesquise em lojas, distribuidores e luthiers a respeito de catálogos de captadores, pois neles são descritos timbres e freqüências predominantes de cada um;

• Procure um luthier de confiança ou músicos mais experientes nessa área para maiores informações;

• Não compre um captador só porque um músico conhecido colocou na guitarra dele e você gostou, a menos que a guitarra dele seja idêntica à sua.

Seguindo essas dicas, com certeza você terá maior probabilidade de acerto na hora da escolha.

“Quanto custa um braço novo para minha guitarra?”

É muito difícil conseguir um braço original de guitarra. No caso do instrumento ser importado, o representante da marca em questão normalmente possui braços de reposição para o caso de eventuais problemas no transporte ou no caso de o instrumento apresentar alguma deformidade no braço, e não haver mais uma unidade para a troca. No entanto, esses braços normalmente não estão disponíveis à venda.

Na maioria dos casos, quando um instrumento apresenta torção ou empenamento - e esse já estiver fora de garantia -, o músico deve procurar um luthier de sua confiança para resolver o problema. Esses tipos de deformidades ocorrem por exposição inadequada (deixá-lo muito tempo sob o sol, por exemplo), por erro na fabricação, falta de regulagem, colocação de encordoamentos pesados sem prévio ajuste ou defeitos no tensor. O luthier retirará os trastes do instrumento, “plainará” a escala até a mesma tomar a forma retilínea novamente, colocará trastes novos e fará regulagem do instrumento. Caso o problema tenha sido muito grave, ele poderá trocar a escala e proceder de acordo com os itens citados anteriormente. Resumindo: quase sempre há solução, sendo que em 90% dos casos o instrumento fica até melhor do que estava anteriormente em seu estado original. Isso ocorre porque a operação é feita manualmente e o instrumento é tratado de forma singular, e não em série, como nas montadoras. Portanto, não se desespere quando se confrontar com um problema desse tipo. Procure seu luthier e exponha seu problema.


 

 

 

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