“Quanto
de corda devo enrolar nas tarraxas para reduzir a desafinação”?
É
bem verdade que os comentários a esse respeito são
contraditórios, pois alguns argumentam que enrolar
poucas voltas faz as cordas desafinarem ao escapar das tarraxas,
enquanto outros dizem que se enrolar muito, elas desafinam
ao afrouxarem por causa da quantidade de voltas. Ambos os
argumentos estão certos. Entretanto, é o exagero
que cria o problema.
Enrolar
demais as cordas na tarraxa (foto 1) realmente causa desafinação.
Isso pode ser verificado ao se fazer o seguinte teste: afine
o instrumento, puxe a corda contra a tarraxa (foto 2) e repare
que ela baixará a afinação de ½
até dois tons, e isso se repetirá varias vezes.
Isso se dá principalmente nas cordas graves, mais grossas,
e suas voltas não assentam perfeitamente uma sobre
as outras, além da quantidade, que torna tudo mais
difícil. Se você enrolar as cordas com cinco
voltas, terá que esperar que cada uma delas estique
ao máximo para que assentem com perfeição,
sem gerar desafinação. Isso pode demorar um
bocado de tempo, ainda mais sendo seis cordas. Você
também não pode deixar apenas um pequeno pedaço
de corda, que certamente escapará.
A
dica é colocar a corda na tarraxa e esticá-la
até o fim (foto 3). Em seguida, puxe-a dando uma folga
de “três dedos” do seu limite (foto 4).
A partir daí, comece a enrolar até o fim (foto
5). Você reduzirá bastante a desafinação
por acúmulo de cordas.
“Quando
ligo meu violão elétrico, uma ou duas cordas
ficam com o volume menor que as demais. Devo trocar o captador
ou o equalizador”?
Na
maioria dos casos, nenhum deles! Essa falta de uniformidade
de volume entre as cordas se dá quase sempre por
falta de pressão das cordas sobre o rastilho/captador.
Esse sistema funciona por intermédio de um captador
colocado em sua cavidade no cavalete (foto 6) e o rastilho
em cima dele (foto 7). Por sobre ambos passa as cordas (foto
8). Mas se o “piso” da cavidade onde está
colocado o captador estiver irregular - ou se a parte inferior
do rastilho que apóia no captador não estiver
perfeitamente reta, ou mesmo se as cordas não estiverem
fazendo pressão suficiente sobre ambos (foto 9) -
teremos a ausência de uniformidade de volume entre
as cordas.
Isso
acontece por falta de regulagem, desgaste natural ou por
um pequeno descuido do luthier. Para abaixar a ação
de cordas de um violão, um dos pontos de ajuste é
o desbastamento da parte inferior do rastilho. Se isso não
foi feito de maneira uniforme ou não se providenciou
o aumento de pressão das cordas sobre ele após
o ajuste, “pintou o problema”. É claro
que, algumas vezes, há realmente um defeito no pré
ou no captador, mas isso não é comum. No momento
em que aparecer o problema, não se desespere à
procura de um novo sistema. Vá ao seu luthier para
que ele corrija tal alteração.
“Que
captador devo escolher para ter um timbre melhor, com mais
peso e ataque em minha guitarra”?
Em
primeiro lugar, é importante lembrar que “timbre”,
“potência”, “ataque” e “sustentação”
são características que variam ao gosto de
cada um. Quem quer um captador com bastante ataque tem como
referência Ritchie Blackmore, Eddie Van Halen ou Dimebag
Darrell? Os captadores desses músicos possuem um
“ataque forte”, mas diferentes na força
e no timbre. Ao escolher um captador para seu instrumento,
é importante ter como referência um guitarrista
que toque com o som e o timbre semelhantes aos que você
deseja. Evidentemente, cada captador interage de forma diferente
em cada guitarra. No entanto, ter ao menos um esboço
do que se quer obter já é um bom começo
para selecioná-lo.
A
forma como é fixado o captador - em escudo ou diretamente
na madeira - diferencia a resposta do mesmo, assim como
a espessura do corpo (aquele mais espesso ajuda o captador
a produzir um som mais “gordo” do que um corpo
menos espesso). É claro que o tipo de madeira é
determinante no aspecto da espessura. Podemos sentir diferenças
apenas se compararmos madeiras de igual tipo. O mogno, por
exemplo, permite uma sonoridade “mais gorda”
do que o maple. Então, não seria prudente
fazer nenhum tipo de comparação quanto à
espessura se a outra madeira não for o maple. Entretanto,
o maple, com relação ao mogno, normalmente
permite um timbre mais definido, superficialmente falando.
Como
vocês podem perceber, para a escolha de um captador
são vários os aspectos determinantes a ser observados.
Minhas dicas são:
• Tenha ao menos uma idéia do timbre que gostaria
de conseguir;
• Procure conhecer as características do seu
instrumento (tipo de madeira, sonoridades predominantes);
• Pesquise em lojas, distribuidores e luthiers a respeito
de catálogos de captadores, pois neles são descritos
timbres e freqüências predominantes de cada um;
• Procure um luthier de confiança ou músicos
mais experientes nessa área para maiores informações;
• Não compre um captador só porque um
músico conhecido colocou na guitarra dele e você
gostou, a menos que a guitarra dele seja idêntica à
sua.
Seguindo essas dicas, com certeza você terá maior
probabilidade de acerto na hora da escolha.
“Quanto
custa um braço novo para minha guitarra?”
É
muito difícil conseguir um braço original de
guitarra. No caso do instrumento ser importado, o representante
da marca em questão normalmente possui braços
de reposição para o caso de eventuais problemas
no transporte ou no caso de o instrumento apresentar alguma
deformidade no braço, e não haver mais uma unidade
para a troca. No entanto, esses braços normalmente
não estão disponíveis à venda.
Na
maioria dos casos, quando um instrumento apresenta torção
ou empenamento - e esse já estiver fora de garantia
-, o músico deve procurar um luthier de sua confiança
para resolver o problema. Esses tipos de deformidades ocorrem
por exposição inadequada (deixá-lo muito
tempo sob o sol, por exemplo), por erro na fabricação,
falta de regulagem, colocação de encordoamentos
pesados sem prévio ajuste ou defeitos no tensor. O
luthier retirará os trastes do instrumento, “plainará”
a escala até a mesma tomar a forma retilínea
novamente, colocará trastes novos e fará regulagem
do instrumento. Caso o problema tenha sido muito grave, ele
poderá trocar a escala e proceder de acordo com os
itens citados anteriormente. Resumindo: quase sempre há
solução, sendo que em 90% dos casos o instrumento
fica até melhor do que estava anteriormente em seu
estado original. Isso ocorre porque a operação
é feita manualmente e o instrumento é tratado
de forma singular, e não em série, como nas
montadoras. Portanto, não se desespere quando se confrontar
com um problema desse tipo. Procure seu luthier e exponha
seu problema.