Nas
guitarras, os músicos ainda arriscam abaixar um pouco
a ação na ponte, mas no caso dos violões,
não é comum existir parafusos de ajuste no cavalete
(foto 1). Por essa razão, tal problema nos violões
se torna mais difícil de resolver.
A
regulagem de altura de cordas nos violões tem como
base os mesmos aspectos determinantes das guitarras. Entretanto,
o violão não possui os mesmos recursos e dispositivos
para ajustes, o que torna sua regulagem, às vezes,
não tão precisa. Quando perceber que seu instrumento
não está lhe agradando, procure seu luthier
de confiança para que ele faça um diagnóstico
do problema e determine os procedimentos necessários
para a solução.
Uma
vez percebido que o problema na ação de cordas
é a falta de regulagem no violão, algumas atitudes
devem ser tomadas. Primeiramente, ajustar o tensor para corrigir
a curvatura do braço e colocá-la mais ao seu
gosto para a ação de cordas que deseja obter
após a regulagem. O braço, quando muito côncavo
(foto 2) ou muito convexo (foto 3), é chamado de “empenado”.
Muitas vezes, corrigi-se perfeitamente essa curvatura ajustando-se
o tensor. No violão, isso é feito por intermédio
de um parafuso localizado no headstock (foto 4) ou no final
do braço (foto 5). Normalmente, a posição
correta do braço é reta. Entretanto, dependendo
da forma como o músico irá tocar, o luthier
pode deixar o braço um pouco convexo ou côncavo.
Isso ajudará a determinar a sensibilidade, maciez e
altura de cordas que o instrumento irá proporcionar.
Em nenhuma hipótese violão deve ficar com braço
muito arqueado para algum dos lados, pois causará problemas
de trastejamento, ação alta de cordas, afinação
ou todos simultaneamente.
Uma
vez ajustado o tensor, é o momento de fazer o mesmo
com a altura dos trastes entre si, para que o violão
não “trasteje” quando estiver com uma
ação baixa de cordas. Muitas vezes, o nivelamento
nos trastes também se faz necessário para
corrigir amassados e riscos provenientes do uso do instrumento.
As cordas são retiradas e a escala é protegida
com fita crepe, para que a operação (fretwork)
não risque ou danifique a escala (foto 6). Depois
disso, com uma pedra porosa de carborundum é feito
o nivelamento (foto 7). É importante lembrar que
esse trabalho deve ser feito apenas por alguém com
experiência, para que os trastes não corram
o risco de serem danificados, às vezes de forma irreparável.
O luthier, antes do fretwork, verificará se não
há trastes soltos ou mal colocados para que, assim,
possa colá-los novamente, visando uma retífica
perfeita.
Após
o nivelamento da superfície dos trastes, é
retirada parte dos riscos deixados pela pedra de carborundum
com o auxílio de uma lixa d’água número
240 (foto 8). O luthier então estreita a superfície
do traste, ao mesmo tempo em que arredonda o seu perfil
(foto 9), tornando-o novamente com um aspecto cônicos.
Essa operação é feita com uma lima
importada, fabricada para tal finalidade (foto 10). Com
o auxílio de uma lima chata de abrasividade média
(foto 11), é feito o nivelamento das extremidades
dos trastes, para que os mesmos não machuquem a mão
do músico quando tocar o violão (foto 12).
Depois, com uma lixa número 600 e outra 1.200, sucessivamente,
faz-se o acabamento fino nos trastes (foto 13). A seguir,
com uma palha fina de aço, o polimento dos trastes.
Em seguida, retira-se a fita protetora da escala e, com
uma esponja, aplica-se um óleo à base de limão
para limpar, hidratar e deixar a escala com um aspecto natural.
Feito isso, é o momento de colocar um encordoamento
novo, para então regular a ação de
cordas.
Depois
de afinado o instrumento, o luthier verifica quanto de rastilho
deve ser rebaixado (foto 14) para o ajuste da ação.
Feito isso, reduz-se a sua altura usando em sua parte inferior
uma lixa fixada em uma madeira extremamente plana (foto 15).
A abrasividade da lixa varia ao gosto de cada luthier. Recolocado
o rastilho e verificado o sucesso da operação,
é hora de ajustar o capotraste ou nut. Com o auxílio
de limas finas e específicas, é ajustada a profundidade
das cavidades do mesmo (foto 16), para que a altura das cordas
no começo da escala seja coerente com aquela do final
da escala, embora seja comum que as mesmas fiquem um pouco
mais baixas no começo da escala. Isso conclui a regulagem
do seu violão.
É
claro que todas as operações citadas acima devem
ser empregadas quando o instrumento não tiver nenhum
problema que dificulte ou impossibilite tais procedimento,
como rastilho sem altura suficiente para ser rebaixado, braço
muito empenado ou torcido e trastes excessivamente gastos
– em tais casos, os procedimentos são outros,
que comentarei em futuras edições. Lembre-se
que quanto mais baixa a altura das cordas em um violão,
menor o volume de som e mais leve deve ser execução,
a fim de evitar trastejamento. Quando me refiro ao menor volume
de som, quero dizer que o instrumento, quando ouvido apenas
acusticamente - ou seja, não ligado a um amplificador.
Volto a lembrar que esse tipo de trabalho deve ser feito apenas
por alguém experiente no assunto, para que o problema
seja sanado e não intensificado.