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Regulagem de ação de cordas em violões

Neste artigo comento os procedimentos para regulagem de violões a fim de sanar ou reduzir problemas com ação alta de cordas, por exemplo.

Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves
Cover Guitarra Edição 103 - Julho/03


Nas guitarras, os músicos ainda arriscam abaixar um pouco a ação na ponte, mas no caso dos violões, não é comum existir parafusos de ajuste no cavalete (foto 1). Por essa razão, tal problema nos violões se torna mais difícil de resolver.

A regulagem de altura de cordas nos violões tem como base os mesmos aspectos determinantes das guitarras. Entretanto, o violão não possui os mesmos recursos e dispositivos para ajustes, o que torna sua regulagem, às vezes, não tão precisa. Quando perceber que seu instrumento não está lhe agradando, procure seu luthier de confiança para que ele faça um diagnóstico do problema e determine os procedimentos necessários para a solução.

Uma vez percebido que o problema na ação de cordas é a falta de regulagem no violão, algumas atitudes devem ser tomadas. Primeiramente, ajustar o tensor para corrigir a curvatura do braço e colocá-la mais ao seu gosto para a ação de cordas que deseja obter após a regulagem. O braço, quando muito côncavo (foto 2) ou muito convexo (foto 3), é chamado de “empenado”. Muitas vezes, corrigi-se perfeitamente essa curvatura ajustando-se o tensor. No violão, isso é feito por intermédio de um parafuso localizado no headstock (foto 4) ou no final do braço (foto 5). Normalmente, a posição correta do braço é reta. Entretanto, dependendo da forma como o músico irá tocar, o luthier pode deixar o braço um pouco convexo ou côncavo. Isso ajudará a determinar a sensibilidade, maciez e altura de cordas que o instrumento irá proporcionar. Em nenhuma hipótese violão deve ficar com braço muito arqueado para algum dos lados, pois causará problemas de trastejamento, ação alta de cordas, afinação ou todos simultaneamente.

Uma vez ajustado o tensor, é o momento de fazer o mesmo com a altura dos trastes entre si, para que o violão não “trasteje” quando estiver com uma ação baixa de cordas. Muitas vezes, o nivelamento nos trastes também se faz necessário para corrigir amassados e riscos provenientes do uso do instrumento. As cordas são retiradas e a escala é protegida com fita crepe, para que a operação (fretwork) não risque ou danifique a escala (foto 6). Depois disso, com uma pedra porosa de carborundum é feito o nivelamento (foto 7). É importante lembrar que esse trabalho deve ser feito apenas por alguém com experiência, para que os trastes não corram o risco de serem danificados, às vezes de forma irreparável. O luthier, antes do fretwork, verificará se não há trastes soltos ou mal colocados para que, assim, possa colá-los novamente, visando uma retífica perfeita.

Após o nivelamento da superfície dos trastes, é retirada parte dos riscos deixados pela pedra de carborundum com o auxílio de uma lixa d’água número 240 (foto 8). O luthier então estreita a superfície do traste, ao mesmo tempo em que arredonda o seu perfil (foto 9), tornando-o novamente com um aspecto cônicos. Essa operação é feita com uma lima importada, fabricada para tal finalidade (foto 10). Com o auxílio de uma lima chata de abrasividade média (foto 11), é feito o nivelamento das extremidades dos trastes, para que os mesmos não machuquem a mão do músico quando tocar o violão (foto 12). Depois, com uma lixa número 600 e outra 1.200, sucessivamente, faz-se o acabamento fino nos trastes (foto 13). A seguir, com uma palha fina de aço, o polimento dos trastes. Em seguida, retira-se a fita protetora da escala e, com uma esponja, aplica-se um óleo à base de limão para limpar, hidratar e deixar a escala com um aspecto natural. Feito isso, é o momento de colocar um encordoamento novo, para então regular a ação de cordas.

 

 

Depois de afinado o instrumento, o luthier verifica quanto de rastilho deve ser rebaixado (foto 14) para o ajuste da ação. Feito isso, reduz-se a sua altura usando em sua parte inferior uma lixa fixada em uma madeira extremamente plana (foto 15). A abrasividade da lixa varia ao gosto de cada luthier. Recolocado o rastilho e verificado o sucesso da operação, é hora de ajustar o capotraste ou nut. Com o auxílio de limas finas e específicas, é ajustada a profundidade das cavidades do mesmo (foto 16), para que a altura das cordas no começo da escala seja coerente com aquela do final da escala, embora seja comum que as mesmas fiquem um pouco mais baixas no começo da escala. Isso conclui a regulagem do seu violão.

É claro que todas as operações citadas acima devem ser empregadas quando o instrumento não tiver nenhum problema que dificulte ou impossibilite tais procedimento, como rastilho sem altura suficiente para ser rebaixado, braço muito empenado ou torcido e trastes excessivamente gastos – em tais casos, os procedimentos são outros, que comentarei em futuras edições. Lembre-se que quanto mais baixa a altura das cordas em um violão, menor o volume de som e mais leve deve ser execução, a fim de evitar trastejamento. Quando me refiro ao menor volume de som, quero dizer que o instrumento, quando ouvido apenas acusticamente - ou seja, não ligado a um amplificador. Volto a lembrar que esse tipo de trabalho deve ser feito apenas por alguém experiente no assunto, para que o problema seja sanado e não intensificado.


 

 

 

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