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Defeitos – Suas causas e soluções - Parte III

Defeitos, suas causas e soluções - parte 3
Neste artigo trato de um assunto que incomoda bastante os músicos, tanto profissionais como amadores. "Desequilíbrio de tensão".
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves

Olá amigos da Cover Guitarra!
Continuaremos neste número com esse nosso tema que trata dos
'Defeitos mais comuns, suas prováveis causas, e possíveis soluções', que as guitarras costumam apresentar com uma certa freqüência.

Nesta edição abordaremos um problema bastante comum, que embora já comentado bastante sobre ele, sempre gera questionamento. O tema é

Desequilíbrio de tensão nos trêmolos flutuantes
Nessas três últimas edições, comentamos bastante sobre pontes, e trêmolos, isto porque, são os protagonistas, dos problemas mais simples e comuns encontrados nas guitarras. Creio que neste número finalizaremos os assuntos, com relação a problemas mais determinantemente ligados a ponte, para que nas próximas edições, possamos abordar outros temas. O desequilíbrio de tensão nas pontes flutuantes, são notados, pelo desalinhamento do tremolo, em relação a superfície do corpo da guitarra. (Foto 01e 02)

Primeiramente., vamos entender como funciona o equilíbrio, para compreender porque há o desequilibro. O tremolo flutuante é equilibrado através da tensão das molas. (Foto 03) Tanto as cordas quanto as molas tem que estar exercendo o mesmo grau de tensão para que o tremolo mantenha-se equilibrado (Foto 04) e desta forma, tenha um curso tanto para baixo quanto para cima, não causando variações na afinação. É como um “Cabo de Guerra” (jogo que consiste em dois grupos de pessoas cada qual em uma extremidade de uma corda tentando puxar um ao outro). Imagine Que as cordas exerça uma “força tração” sobre o trêmolo de 30X. E que este mesmo trêmolo possua 3 molas para efetuar o equilíbrio. Cada mola dessa terá que oferecer uma “força tração contrária” de 10X, para que quando somadas proporcionem a mesma força exercida pelas cordas, e desta forma promova o equilíbrio. Então percebam que, qualquer variação de força ou resistência, por qualquer um dos lados, poderá causar um desequilíbrio de tensão. Ou seja o desequilíbrio acontece quando a força das molas é superior ou inferior a força exercida pelas cordas.

E o que causa esse desequilíbrio?
São vários os fatores

Encordoamento. Muitas vezes, na troca do encordoamento – mesmo respeitando as medidas das cordas ora usadas anteriormente – há uma mudança de marca, e isso pode operar o desequilíbrio. Encordoamento de marcas diferentes – mesmo que de medidas iguais – possuem pequenas diferenças de tensões que podem gerar desequilíbrio. Se a tensão das cordas for um pouco menor, isso fará com que o tremolo incline-se para baixo – Ou seja, a tensão das molas será maior que a das cordas (Foto 02) – Mas se a tensão das cordas for um pouco maior – As molas não oferecerão resistência suficiente, e com isso o tremolo se inclinará para cima. (Foto 01)


foto 01

foto 02

foto 03



foto 07

foto 08

foto 09

Perceba, que me refiro a troca de encordoamentos por de medidas iguais. 009 por 009, 010 por 010. Agora, se a troca for de um 009 por exemplo, por outro 010. Aí o desequilíbrio será grande, impossibilitando as vezes até o uso do instrumento.

A solução é refazer o ajuste de tensão. O ajuste de tensão é feito comumente atrás da guitarra, onde se encontra as molas. (Existem alguns trêmolos, como os da marca Kaller, quase extintos aqui no Brasil, que o ajuste de tensão é feito na parte superior do trêmolo). O procedimento é o seguinte. Se a ponte estiver inclinada para cima (Foto 01) significa que a tensão das cordas esta superior as das molas, e desta forma as referidas molas deverão ter a sua tensão aumentada. Isto será feito apertando meia volta em cada um dos parafusos de fixação e ajuste das molas (Foto 05)
Logo após este procedimento, a guitarra deverá ser afinada novamente, e verificar se houve o equilíbrio do tremolo. (Foto 04) Se o tremolo estiver equilibrado, a operação esta finalizada, caso, ainda se apresente, inclinado para cima (Foto 01), o procedimento anterior deverá ser repetido até que se consiga um completo sucesso.

Existe casos que as vezes há necessidade de aumentar a quantidade de molas – Por exemplo das tradicionais três molas (Foto 06) para quatro molas (Foto 07)

Este procedimento é comumente usado quando quer se utilizar de encordoamentos de medidas elevadas como 011, 012, ou 013.

Variações bruscas de temperatura, também podem causar esse desequilíbrio. Calor e frio causam, tanto nas cordas quanto nas molas, uma dilatação ou contração nas mesmas. Uma vez que as cordas e molas possuem dimensões e materiais diferentes, a dilatação ou contração não ocorre de forma homogênea, causando assim o desequilíbrio.

Falta de paciência do músico, no momento de afinar um encordoamento novo, pode gerar também desequilíbrios nas molas. Quem possui guitarras providas de trêmolos flutuantes sabe o quanto é chato afina-las nessa hora: afina-se a primeira corda, a segunda e assim por diante: quando se chega na ultima, a primeira já está desafinada...Para se ter o equilíbrio, seria preciso que todas as cordas fossem afinadas ao mesmo tempo. Como isso é impossível, muitos músicos perdem a paciência e começam a tensionar demais as cordas, na esperança que isso acelere o processo. Isso acaba “dilatando” as molas, fazendo com que o tremolo precise de um novo ajuste para reequilibra-lo.

O procedimento para reequilibrar é o descrito acima.
A dica que eu posso dar para evitar de calibrar novamente o trêmolo após afinar um encordoamento novo, é que se afine a 6° corda, 5, 4, 3, 2, e 1. Depois, afine a 2, 3, 4, 5 e 6, depois a 5, 4, 3 e assim por diante. Dessa forma, todas as cordas serão afinadas duas vezes por série. Ou então, no momento da troca, substitua corda por corda. Exemplo: tire a corda E (sexta corda) usada e coloque um outra corda E nova e afine; tire a corda A (quinta corda) usada e coloque uma outra corda A nova e afine. Faça isso sucessivamente pois, dessa forma, reduz-se a possibilidade de desequilibrar o tremolo. Uma outra dica é escorar a parte traseira do tremolo com uma flanela antes de retirar as cordas usadas. Assim, quando estiver sem cordas, o trêmolo ficará próximo do seu estado anterior com cordas, e desta forma, o musico não terá muitos problemas para afinar o instrumento após a colocação do novo encordoamento, pois o tremolo não cedeu muito na troca das cordas.

Os problemas que esse desajuste de tensão promove, são vários.
- Não mantém a afinação quando o trêmolo é alavancado, e as vezes nem permite que o instrumento seja afinado no diapasão.

- Quando o trêmolo cede para baixo (Foto 02) pode também abaixar a ação de cordas, e gerar um possível trastejamento.

- Quanto ao contrário – O tremolo cede para cima (Foto 01), acaba por elevar a ação de cordas, tornando a guitarra desconfortável.

- Em alguns casos, impossibilita por completo o uso do instrumento, por questão de total desconforto.

Como podem perceber um simples problema pode gerar grandes dores de cabeça.
Portanto, fiquem atentos, a qualquer irregularidade em seus instrumentos, e façam visitas periódicas ao seu luthier de confiança.
Por hoje é só pessoal!
Um grande abraço e até a próxima!!

Novembro de 2003


Além de prejudicar a afinação (quando o tremolo cede para baixo), pode também abaixar a ação das cordas, o que acaba provocando o trastejamento. Quando acontece o contrario (o tremolo sobe), acaba elevando a ação de cordas, tornando a tonalidade da guitarra desconfortável.
Em qualquer um desses casos, a regulagem se faz na parte traseira da guitarra

 


 

 

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