| Olá
amigos da Cover Guitarra!
Continuaremos neste número com esse nosso tema que
trata dos 'Defeitos
mais comuns, suas prováveis causas, e possíveis
soluções', que as guitarras costumam
apresentar com uma certa freqüência.
Nesta edição abordaremos um problema bastante
comum, que embora já comentado bastante sobre ele,
sempre gera questionamento. O tema é
Desequilíbrio
de tensão nos trêmolos flutuantes
Nessas três últimas edições, comentamos
bastante sobre pontes, e trêmolos, isto porque, são
os protagonistas, dos problemas mais simples e comuns encontrados
nas guitarras. Creio que neste número finalizaremos
os assuntos, com relação a problemas mais determinantemente
ligados a ponte, para que nas próximas edições,
possamos abordar outros temas. O desequilíbrio de tensão
nas pontes flutuantes, são notados, pelo desalinhamento
do tremolo, em relação a superfície do
corpo da guitarra. (Foto 01e 02)
Primeiramente.,
vamos entender como funciona o equilíbrio, para compreender
porque há o desequilibro. O tremolo flutuante é
equilibrado através da tensão das molas. (Foto
03) Tanto as cordas quanto as molas tem que estar exercendo
o mesmo grau de tensão para que o tremolo mantenha-se
equilibrado (Foto 04) e desta
forma, tenha um curso tanto para baixo quanto para cima, não
causando variações na afinação.
É como um “Cabo de Guerra” (jogo que consiste
em dois grupos de pessoas cada qual em uma extremidade de
uma corda tentando puxar um ao outro). Imagine Que as cordas
exerça uma “força tração”
sobre o trêmolo de 30X. E que este mesmo trêmolo
possua 3 molas para efetuar o equilíbrio. Cada mola
dessa terá que oferecer uma “força tração
contrária” de 10X, para que quando somadas proporcionem
a mesma força exercida pelas cordas, e desta forma
promova o equilíbrio. Então percebam que, qualquer
variação de força ou resistência,
por qualquer um dos lados, poderá causar um desequilíbrio
de tensão. Ou seja o desequilíbrio acontece
quando a força das molas é superior ou inferior
a força exercida pelas cordas.
E
o que causa esse desequilíbrio?
São vários os fatores
Encordoamento.
Muitas vezes, na troca do encordoamento – mesmo respeitando
as medidas das cordas ora usadas anteriormente – há
uma mudança de marca, e isso pode operar o desequilíbrio.
Encordoamento de marcas diferentes – mesmo que de medidas
iguais – possuem pequenas diferenças de tensões
que podem gerar desequilíbrio. Se a tensão das
cordas for um pouco menor, isso fará com que o tremolo
incline-se para baixo – Ou seja, a tensão das
molas será maior que a das cordas (Foto
02) – Mas se a tensão das cordas for um
pouco maior – As molas não oferecerão
resistência suficiente, e com isso o tremolo se inclinará
para cima. (Foto 01)

foto 01
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foto 02
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foto 09 |
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Perceba, que
me refiro a troca de encordoamentos por de medidas iguais.
009 por 009, 010 por 010. Agora, se a troca for de um 009
por exemplo, por outro 010. Aí o desequilíbrio
será grande, impossibilitando as vezes até o
uso do instrumento.
A
solução é refazer o ajuste de tensão.
O ajuste de tensão é feito comumente atrás
da guitarra, onde se encontra as molas. (Existem alguns trêmolos,
como os da marca Kaller, quase extintos aqui no Brasil, que
o ajuste de tensão é feito na parte superior
do trêmolo). O procedimento é o seguinte. Se
a ponte estiver inclinada para cima
(Foto 01) significa que a tensão das cordas
esta superior as das molas, e desta forma as referidas molas
deverão ter a sua tensão aumentada. Isto será
feito apertando meia volta em cada um dos parafusos de fixação
e ajuste das molas (Foto 05)
Logo após este procedimento, a guitarra deverá
ser afinada novamente, e verificar se houve o equilíbrio
do tremolo. (Foto 04) Se o tremolo
estiver equilibrado, a operação esta finalizada,
caso, ainda se apresente, inclinado para cima
(Foto 01), o procedimento anterior deverá ser
repetido até que se consiga um completo sucesso.
Existe casos
que as vezes há necessidade de aumentar a quantidade
de molas – Por exemplo das tradicionais três molas
(Foto 06) para quatro molas (Foto
07)
Este procedimento
é comumente usado quando quer se utilizar de encordoamentos
de medidas elevadas como 011, 012, ou 013.
Variações
bruscas de temperatura, também podem causar
esse desequilíbrio. Calor e frio causam, tanto nas
cordas quanto nas molas, uma dilatação ou contração
nas mesmas. Uma vez que as cordas e molas possuem dimensões
e materiais diferentes, a dilatação ou contração
não ocorre de forma homogênea, causando assim
o desequilíbrio.
Falta
de paciência do músico, no momento de afinar
um encordoamento novo, pode gerar também desequilíbrios
nas molas. Quem possui guitarras providas de trêmolos
flutuantes sabe o quanto é chato afina-las nessa hora:
afina-se a primeira corda, a segunda e assim por diante: quando
se chega na ultima, a primeira já está desafinada...Para
se ter o equilíbrio, seria preciso que todas as cordas
fossem afinadas ao mesmo tempo. Como isso é impossível,
muitos músicos perdem a paciência e começam
a tensionar demais as cordas, na esperança que isso
acelere o processo. Isso acaba “dilatando” as
molas, fazendo com que o tremolo precise de um novo ajuste
para reequilibra-lo.
O procedimento
para reequilibrar é o descrito acima.
A dica que eu posso dar para evitar
de calibrar novamente o trêmolo após afinar
um encordoamento novo, é que se afine a 6° corda,
5, 4, 3, 2, e 1. Depois, afine a 2, 3, 4, 5 e 6, depois a
5, 4, 3 e assim por diante. Dessa forma, todas as cordas serão
afinadas duas vezes por série. Ou então, no
momento da troca, substitua corda por corda. Exemplo: tire
a corda E (sexta corda) usada e coloque um outra corda E nova
e afine; tire a corda A (quinta corda) usada e coloque uma
outra corda A nova e afine. Faça isso sucessivamente
pois, dessa forma, reduz-se a possibilidade de desequilibrar
o tremolo. Uma outra dica é escorar a parte traseira
do tremolo com uma flanela antes de retirar as cordas usadas.
Assim, quando estiver sem cordas, o trêmolo ficará
próximo do seu estado anterior com cordas, e desta
forma, o musico não terá muitos problemas para
afinar o instrumento após a colocação
do novo encordoamento, pois o tremolo não cedeu muito
na troca das cordas.
Os
problemas que esse desajuste de tensão promove,
são vários.
- Não mantém a afinação quando
o trêmolo é alavancado, e as vezes nem permite
que o instrumento seja afinado no diapasão.
- Quando o
trêmolo cede para baixo (Foto
02) pode também abaixar a ação
de cordas, e gerar um possível trastejamento.
- Quanto ao
contrário – O tremolo cede para cima (Foto
01), acaba por elevar a ação de cordas,
tornando a guitarra desconfortável.
- Em alguns
casos, impossibilita por completo o uso do instrumento, por
questão de total desconforto.
Como podem
perceber um simples problema pode gerar grandes dores de cabeça.
Portanto, fiquem atentos, a qualquer irregularidade em seus
instrumentos, e façam visitas periódicas ao
seu luthier de confiança.
Por hoje é só pessoal!
Um grande abraço e até a próxima!!
Novembro de
2003
Além de prejudicar a afinação (quando
o tremolo cede para baixo), pode também abaixar a ação
das cordas, o que acaba provocando o trastejamento. Quando
acontece o contrario (o tremolo sobe), acaba elevando a ação
de cordas, tornando a tonalidade da guitarra desconfortável.
Em qualquer um desses casos, a regulagem se faz na parte traseira
da guitarra
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