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Defeitos - Suas causas e soluções - Parte IV

Trataremos de um assunto sempre polêmico e preocupante, que lota diariamente as oficinas dos luthiers em todo o mundo: Guitarra Trastejando.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Tatyana Alves

Olá amigos da Cover Guitarra!
Neste número, dando seqüência a este nosso tema, Defeitos mais comuns, suas prováveis causas, e possíveis soluções, trataremos de um assunto, sempre polemico, preocupante, e que lota diariamente as oficinas dos luthiers em todo mundo.
O tema é Guitarra Trastejando.
Eu diria que 70 % das visitas ao luthier são com o problemas de trastejamento, em uma região específica, ou por todo o braço.

Primeiramente vamos determinar as causas deste problema tão persistente.


Tensor mau ajustado. Esta é uma causa bastante comum de acontecer. Muitas vezes, ou por falta de regulagem, ou por variações climáticas acentuadas, o braço da guitarra assume curvaturas exageradamente côncava ou convexa, que gera trastejamento.
Quando muito Côncavo, (Foto 01) o braço, tende a trastejar a partir do 12 traste em diante. A razão desta deformidade, pode ser, além da falta de regulagem inicial, uma troca de encordoamento por outro de maior tensão. Por exemplo de 009 por 010.
Outra razão, um súbito aumento de temperatura. Uma variação climática, que faça com que a temperatura suba, por exemplo, de 22 graus para 32 graus, desencadeia um processo que faz com que o tensor por ser feito de metal, “delata-se” , e desta forma “afrouxando” a tensão hora exercida, permitindo com que o braço da guitarra arca-se tornando se côncavo, e desta forma causando o trastejamento.

Em qualquer um dos casos a solução é reajustar o tensor, “apertando-o” (Foto 02) no sentido horário, até que a errônea curvatura seja corrigida.
Importantíssimo lembrar, que o luthier é a pessoa mais indicada para tal ajuste, pois uma conclusão precipitada sobre o assunto, ou um ajuste indevido, além de não melhorar o problema pode danificar o braço.

Quando o braço se apresenta muito convexo (Foto 03), o trastejado aparece no começo da escala, comumente entre o primeiro traste até o quinto no máximo.
A razão desta irregularidade além de falta de regulagem inicial, pode ser uma troca de encordoamento de uma tensão maior para outra menor. Por exemplo de 010 para 009.
Ou um declínio climático. Uma queda acentuada da temperatura, de digamos... 30 graus para 18 graus, faz com que o metal do tensor se “contraia” e desta forma “aperte” mais a tensão do braço, fazendo com que fique mais convexo.

A solução em ambos os casos, é “afrouxar” o tensor no sentido anti-horário, até que a irregularidade seja corrigida. Com nos casos acima procure um luthier, caso não tenha conhecimento prático de tal operação.

Outro problema causador de trastejamento é a
Irregularidade na altura dos trastes entre si. Os sintomas são percebidos por trastejamentos espalhados em varias regiões do braço.
Este problema ocorre ou por falta de um ajuste inicial, ou pelo próprio uso. A medida que tocamos, os trastes pela própria pressão das cordas, vão se gastando, riscando, amassando, contraindo sulcos, que não se apresentam, de forma homogênea. Por tal razão, em alguns casos o traste que deveria dar “suporte” a corda para que a mesma não encostasse no próximo traste, não o faz, por estar, talvez gasto ou amassado e desta forma ficando com menor altura que os demais a sua frente, e sendo assim proporcionando o trastejamento.
A solução para tal problema é nivelar os trastes.

O luthier após isolar toda a escala, com fita crepe para evitar possíveis arranhões, (Foto 04), começará um procedimento chamado retífica de trastes. (ver CG. 64, 91, Ou o Guia Ilustrado da guitarra)
Tal procedimento começa com o uso de uma lima ou uma pedra de Carburundum (Foto 05), com o intuito de nivelar os trastes entre si, e retirar deformidades como amassados, sulcos, etc.
Após esta operação, é usado lixas, de varias espessuras para retirar os riscos deixado pelo processo anterior, (Foto 06), (e em seguida o uso de uma lima especifica para o estreitamento e arredondamento dos trastes é utilizada. (Foto 07)
Agora, novamente o uso de lixas é requisitado, só que desta vez ao final uma palha de aço fina, (tipo Bombril) é usada para melhor polimento. (Foto 08)
Após uma limpeza cuidadosa, é momento de colocar novamente as cordas, e finalizar o trabalho.
Importante salientar que as vezes a irregularidade na altura dos trastes se encontra em apenas um ou dois trastes, por motivo ou de uma pequena batida, ou algum traste se descolando, e desta forma, fica um pouco mais alto causando o trastejado.
A solução é mais simples, as vezes apenas recolando-se o traste solto, ou levando o traste muito baixo resolve-se o problema. Portanto como pode perceber, o diagnóstico de um técnico especializado, é de suma importância.

Cordas velhas, podem gerar trastejamentos, os quais podem trazer sintomas, semelhantes a todos esses citados acima. É preciso Ter cuidado para não proferir diagnósticos errados, pois a impressão de trastejamentos grave que encordoamento velho pode sugerir, é muito grande.
A razão, é que cordas velhas podem apresentar amassados, elevações e ou depressões por sua extensão, ferrugens ou zinabres, causados pelo próprio uso, que propiciam esses trastejado.
A solução, é simples! Antes de qualquer diagnostico, ou mesmo um prognóstico, verifique se as cordas estão novas. (até duas semanas) .Se não, troque-as, e aí faça de novo a constatação se há ou não trastejado.

Ponte muito baixa, pode ser a causadora de trastejamento.
Muitas vezes os parafusos dos sadles (Foto 09) ou dos pivôs (Foto 10) podem ceder, em razão ou de impacto, ou da própria vibração e uso do instrumento, fazendo com que as cordas fiquem tão baixas a ponto de apresentarem trastejado.

A solução é levantar um pouco os sadles para voltar a Ter uma ação de cordas coesa. Lembre-se! Leve a um luthier para que ele melhor avalie a situação.

Nut com ação de cordas muito baixa, é um forte causador de trastejado em se tratando do uso das cordas soltas.
O nut pode em função do próprio uso, ter seus sulcos, (Foto 11) gastos e desta forma, propiciar uma ação de cordas tão baixas, que quando tocadas soltas, esbarram no primeiro traste, causando o trastejado.


foto 01

foto 02

foto 03


foto 04

A solução será através de calços, restabelecer a altura conveniente. Este trabalho só deve ser feito por técnicos especializados. (maiores informações no Livro “Guia ilustrado da guitarra”, ou nas edições 64 e 91 da cover Guitarra)

A mão direita do músico, é uma forte causadora de trastejamentos em guitarra.
Muitas vezes o músico pede ao luthier, uma ação baixa de cordas, a qual não esta acostumado e nem pronto para usar. Um ação baixa de cordas, comumente é solicitada, com o intuito de dotar o instrumento de uma performance “leve” e fácil de tocar. Desta forma se imagina que o instrumentista queira, tocar levemente sem fazer força, para não se cansar, não contrair uma tendinite, ou não ter sua técnica prejudicada, por esforços desnecessários. Só que ao contrario, alguns músicos, “descem a mão” na guitarra, e argumentam, que a mesma esta trastejando. Ora vejam. Precisamos respeitar algumas leis da física. Por exemplo, se as cordas estão como uma distancia de 1milímetro dos trastes, é imprescindível que a mão direita contenha sua força para que ao tocar as cordas não as faça vibrar superior a esta medida de 1 milímetro, pois, se não com certeza trastejarão, é não será por defeito e sim por lógica.

Caso o músico não consiga deter sua mão, a solução será pedir a seu luthier que aumenta a ação de cordas de sua guitarra pois, esta não é a altura de cordas ideal para a sua técnica no momento.
Braços empenados ou torcidos, são também causadores de fortes trastejamentos, entretanto, nesta situação, os procedimentos não são de ajustes e sim de consertos.
A solução é retirar os trastes e plainar a escala até que a mesma se encontre novamente em condição de uso. Mas isto já é assunto para um outro dia. (Ver Cover guitarra, 65, ou “guia ilustrado da guitarra”)
Por hoje é só pessoal!

Um grande abraço e até a próxima!!


 

 

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