| Olá
amigos da Cover Guitarra!
Neste número, dando seqüência a este nosso
tema, Defeitos mais comuns, suas prováveis
causas, e possíveis soluções,
trataremos de um assunto, sempre polemico, preocupante, e
que lota diariamente as oficinas dos luthiers em todo mundo.
O tema é Guitarra Trastejando.
Eu
diria que 70 % das visitas ao luthier são com o problemas
de trastejamento, em uma região específica,
ou por todo o braço.
Primeiramente vamos determinar as causas deste problema tão
persistente.
Tensor mau ajustado. Esta é
uma causa bastante comum de acontecer. Muitas vezes, ou por
falta de regulagem, ou por variações climáticas
acentuadas, o braço da guitarra assume curvaturas exageradamente
côncava ou convexa, que gera trastejamento.
Quando muito Côncavo, (Foto
01) o braço, tende a trastejar a partir do 12
traste em diante. A razão desta deformidade, pode ser,
além da falta de regulagem inicial, uma troca de encordoamento
por outro de maior tensão. Por exemplo de 009 por 010.
Outra razão, um súbito aumento de temperatura.
Uma variação climática, que faça
com que a temperatura suba, por exemplo, de 22 graus para
32 graus, desencadeia um processo que faz com que o tensor
por ser feito de metal, “delata-se” , e desta
forma “afrouxando” a tensão hora exercida,
permitindo com que o braço da guitarra arca-se tornando
se côncavo, e desta forma causando o trastejamento.
Em
qualquer um dos casos a solução
é reajustar o tensor, “apertando-o” (Foto
02) no sentido horário, até que a errônea
curvatura seja corrigida.
Importantíssimo lembrar, que o luthier é a pessoa
mais indicada para tal ajuste, pois uma conclusão precipitada
sobre o assunto, ou um ajuste indevido, além de não
melhorar o problema pode danificar o braço.
Quando o braço se apresenta muito convexo
(Foto 03), o trastejado aparece no começo da
escala, comumente entre o primeiro traste até o quinto
no máximo.
A razão desta irregularidade além de falta de
regulagem inicial, pode ser uma troca de encordoamento de
uma tensão maior para outra menor. Por exemplo de 010
para 009.
Ou um declínio climático. Uma queda acentuada
da temperatura, de digamos... 30 graus para 18 graus, faz
com que o metal do tensor se “contraia” e desta
forma “aperte” mais a tensão do braço,
fazendo com que fique mais convexo.
A solução em ambos os casos, é “afrouxar”
o tensor no sentido anti-horário, até que a
irregularidade seja corrigida. Com nos casos acima procure
um luthier, caso não tenha conhecimento prático
de tal operação.
Outro problema causador de trastejamento é a
Irregularidade na altura dos trastes
entre si. Os sintomas são percebidos por trastejamentos
espalhados em varias regiões do braço.
Este problema ocorre ou por falta de um ajuste inicial, ou
pelo próprio uso. A medida que tocamos, os trastes
pela própria pressão das cordas, vão
se gastando, riscando, amassando, contraindo sulcos, que não
se apresentam, de forma homogênea. Por tal razão,
em alguns casos o traste que deveria dar “suporte”
a corda para que a mesma não encostasse no próximo
traste, não o faz, por estar, talvez gasto ou amassado
e desta forma ficando com menor altura que os demais a sua
frente, e sendo assim proporcionando o trastejamento.
A solução para
tal problema é nivelar os trastes.
O
luthier após isolar toda a escala, com fita crepe para
evitar possíveis arranhões, (Foto
04), começará um procedimento chamado
retífica de trastes. (ver CG. 64, 91, Ou o Guia Ilustrado
da guitarra)
Tal procedimento começa com o uso de uma lima ou uma
pedra de Carburundum (Foto 05),
com o intuito de nivelar os trastes entre si, e retirar deformidades
como amassados, sulcos, etc.
Após esta operação, é usado lixas,
de varias espessuras para retirar os riscos deixado pelo processo
anterior, (Foto 06), (e em seguida
o uso de uma lima especifica para o estreitamento e arredondamento
dos trastes é utilizada. (Foto
07)
Agora, novamente o uso de lixas é requisitado, só
que desta vez ao final uma palha de aço fina, (tipo
Bombril) é usada para melhor polimento. (Foto
08)
Após uma limpeza cuidadosa, é momento de colocar
novamente as cordas, e finalizar o trabalho.
Importante salientar que as vezes a
irregularidade na altura dos trastes se encontra em apenas
um ou dois trastes, por motivo ou de uma pequena batida, ou
algum traste se descolando, e desta forma, fica um
pouco mais alto causando o trastejado.
A solução é
mais simples, as vezes apenas recolando-se o traste solto,
ou levando o traste muito baixo resolve-se o problema. Portanto
como pode perceber, o diagnóstico de um técnico
especializado, é de suma importância.
Cordas velhas, podem gerar trastejamentos, os quais podem
trazer sintomas, semelhantes a todos esses citados acima.
É preciso Ter cuidado para não proferir diagnósticos
errados, pois a impressão de trastejamentos grave que
encordoamento velho pode sugerir, é muito grande.
A razão, é que cordas velhas podem apresentar
amassados, elevações e ou depressões
por sua extensão, ferrugens ou zinabres, causados pelo
próprio uso, que propiciam esses trastejado.
A solução, é simples! Antes de qualquer
diagnostico, ou mesmo um prognóstico, verifique se
as cordas estão novas. (até duas semanas) .Se
não, troque-as, e aí faça de novo a constatação
se há ou não trastejado.
Ponte muito baixa, pode ser a
causadora de trastejamento.
Muitas vezes os parafusos dos sadles
(Foto 09) ou dos pivôs (Foto
10) podem ceder, em razão ou de impacto, ou
da própria vibração e uso do instrumento,
fazendo com que as cordas fiquem tão baixas a ponto
de apresentarem trastejado.
A solução é
levantar um pouco os sadles para voltar a Ter uma ação
de cordas coesa. Lembre-se! Leve a um luthier para que ele
melhor avalie a situação.
Nut com ação de cordas
muito baixa, é um forte causador de trastejado
em se tratando do uso das cordas soltas.
O nut pode em função do próprio uso,
ter seus sulcos, (Foto 11) gastos
e desta forma, propiciar uma ação de cordas
tão baixas, que quando tocadas soltas, esbarram no
primeiro traste, causando o trastejado.
A
solução será
através de calços, restabelecer a altura conveniente.
Este trabalho só deve ser feito por técnicos
especializados. (maiores informações no Livro
“Guia ilustrado da guitarra”, ou nas edições
64 e 91 da cover Guitarra)
A mão direita do músico,
é uma forte causadora de trastejamentos em guitarra.
Muitas vezes o músico pede ao luthier, uma ação
baixa de cordas, a qual não esta acostumado e nem pronto
para usar. Um ação baixa de cordas, comumente
é solicitada, com o intuito de dotar o instrumento
de uma performance “leve” e fácil de tocar.
Desta forma se imagina que o instrumentista queira, tocar
levemente sem fazer força, para não se cansar,
não contrair uma tendinite, ou não ter sua técnica
prejudicada, por esforços desnecessários. Só
que ao contrario, alguns músicos, “descem a mão”
na guitarra, e argumentam, que a mesma esta trastejando. Ora
vejam. Precisamos respeitar algumas leis da física.
Por exemplo, se as cordas estão como uma distancia
de 1milímetro dos trastes, é imprescindível
que a mão direita contenha sua força para que
ao tocar as cordas não as faça vibrar superior
a esta medida de 1 milímetro, pois, se não com
certeza trastejarão, é não será
por defeito e sim por lógica.
Caso o músico não consiga deter sua mão,
a solução será
pedir a seu luthier que aumenta a ação de cordas
de sua guitarra pois, esta não é a altura de
cordas ideal para a sua técnica no momento.
Braços empenados ou torcidos, são também
causadores de fortes trastejamentos, entretanto, nesta situação,
os procedimentos não são de ajustes e sim de
consertos.
A solução é
retirar os trastes e plainar a escala até que a mesma
se encontre novamente em condição de uso. Mas
isto já é assunto para um outro dia. (Ver Cover
guitarra, 65, ou “guia ilustrado da guitarra”)
Por hoje é só pessoal!
Um grande abraço e até a próxima!!
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