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Nesta edição, além de comentarmos sobre as causas, vou dar algumas dicas de “pronto socorro”, para aqueles casos em que o “paciente” – no caso, a guitarra – apresente falhas na chave de comutação de captadores, potenciômetros raspando, chiando ou falhando, jacks barulhentos... Enfim, sintomas que, muitas vezes, aparecem em algumas horas do show, não havendo tempo hábil para procurar um “médico” ou “clínica especializada”.
Quem ainda não se deparou com problemas semelhantes a estes que citei acima pode se considerar um sujeito de sorte. Chaves, potenciômetros e jacks são componentes que atuam nos seus objetivos através de contato físico entre dois ou mais pontos. Estes pontos de contato, feitos em metal, estão sujeitos a oxidação, zinabres e ferrugens, que impedem ou prejudicam o desempenho desses componentes. Até mesmo a umidade ou o pó contribuem para o aparecimento de falhas. Evitar que isso aconteça é difícil, pois pó, sujeira e umidade existem em todo o lugar.
Existem alguns cuidados essenciais, como:
a) Não deixar acumular pó sobre a guitarra, para que o mesmo não impregne os contatos da chave e/ou os potenciômetros.
b) Não derramar líquidos sobre o instrumento (água, cerveja ou refrigerante), coisa muito comum de acontecer em shows.
c) As pessoas que transpiram demais devem procurar secar as mãos com maior freqüência (os músicos que moram e/ou fazem shows em cidades litorâneas ou regiões onde a umidade relativa do ar é alta presenciam esses problemas com maior freqüência)
d) Fixar “saquinhos” de sílica próximos as chaves e potenciômetros, na parte interna do gabinete destinado aos componentes eletrônicos do instrumento (isso ajuda a controlar a umidade e assim, minimizar seus defeitos). Essas são algumas dicas que ajudam a reduzir a freqüência do problema. No entanto, quando constatada a falha nos controles, a solução é procurar seu luthier para que ele – no caso da chave, por exemplo – possa limpar os contatos (até mesmo lixa-los) para que a mesma volte a funcionar com perfeição (embora, em alguns casos, se faça necessária a substituição).
Já os potenciômetros merecem uma escovação interna cuidadosa e uma limpeza minuciosa, para que o seu funcionamento retorne à perfeição.
É comum as pessoas acharem que basta jogar um óleo em spray – do tipo WD40 – para que se solucione o problema. Isso é um enorme engano! Embora, momentaneamente, tudo pareça estar sanado, na maior parte dos casos o problema volta mais forte, com falhas, ruídos e chiados intensos. Isto se deve ao fato de que, se por um lado o óleo limpa os contatos, por outro os impregna de tal forma que a sujeira e o pó grudam com uma extrema facilidade às vezes causando danos irreparáveis.
Darei aqui algumas dicas de como agir nessas situações. Mas apenas nos casos urgentes, em que você não possa levar o instrumento para uma limpeza mais criteriosa em seu luthier de confiança.
I) Numa loja de produtos farmacêuticos, compre uma seringa de vidro, uma agulha, benzina ou álcool isopropílico. A benzina e o álcool isopropílico ajudam a limpar os contatos, pois sua química atua diretamente no zinabre ou na “sujeira” que estiver dificultando/impedindo o contato, solvendo, limpando e melhorando – ou até sanando – o problema. (Às vezes apenas momentaneamente) Como são líquidos voláteis – evaporam com facilidade – não deixam resquícios de umidade ou gordura, que poderiam atrair poeira ou criar algum tipo de oxidação.
No caso dos potenciômetros, aplique o produto com a seringa na parte de cima do potenciômetro, na lateral e no centro de sua haste (FOTO 1). Posteriormente, retire o escudo ou abra o compartimento de acesso a parte elétrica, e aplique o álcool ou a benzina diretamente na abertura próxima aos contatos do potenciômetro (FOTO 2). Em seguida, gire a haste do potenciômetro para os dois lados, repetidas vezes.
Pronto! Isto deverá melhorar e até sanar o problema momentaneamente. Após o show, procure seu luthier para que ele possa, pessoalmente, limpar seu potenciômetro.
II) A chave de comutação, sofrerá o mesmo processo do potenciômetro. Será aplicado o produto na parte superior e inferior interna (FOTO 3). Posteriormente, deverá seu mudada suas posições repetidas vezes.
III) No Jack, será feito o mesmo processo (FOTOS 4 e 5), entretanto utilizando-se também de um cotonete embebido no mesmo produto. O resultado não será tão satisfatório, pois o problema quase sempre é a falta de pressão nas garras de contato. No entanto, vale a pena a tentativa, embora o seu luthier, com certeza, terá mais êxito.
Após ter passado por estas situações de emergência, cesse os primeiros socorros, leve o “paciente” à sua “clínica de confiança” para que um “médico” possa efetuar os cuidados mais específicos e corretos para sanar essa “enfermidade”.
Um abraço, e até a próxima.. |