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Dúvidas mais freqüentes - IX

Olá amigos da Cover guitarra, nesta edição teremos mais uma seleção das dúvidas mais comuns observadas e selecionadas através dos e-mails recebidos nesses últimos meses. Algumas delas como sempre são antológicas, porém sempre importante lembrar.
Por: Edmar Luighi
Fotos: Fernanda Lupo

 

“Meu violão elétrico quando ligado, uma ou duas cordas ficam com o volume menor que as demais! Devo trocar o captador ou o equalizador”?
Na maior parte das vezes, nenhum! Essa falta de uniformidade de volume entre as cordas se dá quase sempre, por falta de pressão das cordas sobre o rastilho/captador.
Esse sistema de captação funciona através de um captador colocado em sua cavidade no cavalete (Foto 01) e o rastilho em cima dele. (Foto 02) .Por sobre ambos passa as cordas. (Foto 03) Agora, se o “piso” da cavidade onde esta colocado o captador estiver irregular, ou se a parte inferior do rastilho onde apóia no captador não estiver perfeitamente reta, ou ainda, se as cordas não estiverem fazendo pressão suficiente sobre ambos, (Foto 04) teremos, uma falta de uniformidade de volume entre as cordas.
Isso acontece por falta de regulagem, desgaste natural, ou as vezes, por um pequeno descuido do luthier no momento da regulagem. Para se abaixar a ação de cordas de um violão, um dos pontos de ajuste é o desbastamento da parte inferior do rastilho. Se isso não foi feito de forma uniforme, ou não se providenciou o aumento de pressão das cordas sobre ele após o ajuste, “pintou o problema”.
É claro que algumas vezes o problema realmente é defeito no pré ou no captador, entretanto não é comum.
Então no momento que aparecer o problema, não se desespere a procura de um novo sistema. Vá ao seu luthier, ele com certeza corrigirá esse problema.

Foto 01
Foto 02

Foto 03
Foto 04

“É verdade que para polir ou encerar a minha guitarra, preciso comprar aqueles polidores específicos e caríssimos?”
Não é verdade. É claro que você também não pode pegar um polidor qualquer para carro e passar no instrumento.
Existem instrumentos que possuem a pintura mais delicada, com menor quantidade de verniz, por exemplo.
Como via de regra, o polimento sempre deve ser feito por um profissional da área, pois, o trabalho será melhor executado com máquinas específicas de polir, e feito de forma mais homogênea para que não surjam manchas e nem áreas com mais brilho do que outras.
Muitas vezes, antes de polir um instrumento, se faz necessário lixa-lo antes com lixas d’água finíssimas (baixíssima abrasividade de n
Úmeros 600 e 1200) para eliminar um pouco dos arranhões. Uma pessoa não experiente poderá danificar o verniz ou até mesmo a tinta, irreparavelmente de forma que somente uma repintura repararia o estrago.
Agora, um enceramento para melhorar o brilho, retirar a sujeira e deixar mais lisa e deslizante a pintura de sua guitarra, isso você pode fazer em casa. Vá até uma loja especializada, e compre um pacote pequeno de algodão, e cera automotiva com silicone. Esse material servirá para você encerar sua guitarra por mais de um ano.
Retire as cordas do instrumento e, com um chumaço pequeno de algodão espalhe um pouco da cera por todo o corpo do instrumento (FOTO 5). Com um pedaço maior de algodão retire com movimentos circulares a cera aplicada (FOTO 6).
O brilho será o resultado dos movimentos circulares do algodão limpo contra a superfície encerada do corpo do instrumento.
Esse procedimento deverá ser feito apenas uma vez por mês, na troca do encordoamento, por exemplo, pois o uso exagerado de ceras limpadoras pode desgastar a pintura.
Quando quiser limpar o instrumento depois de encerado, use apenas algodão seco.


"Qual tinta posso usar em minha guitarra nos lugares onde a mesma saiu por causa de batidas, por exemplo?"
Na verdade não existe uma tinta pronta para isso. Em sua grande maioria, os instrumentos são pintados com, de três a quatro tipos de coberturas diferentes.
Como exemplo, veja como é um dos processos mais comuns de pintura.
Primeiramente a Base isolante que tem como função promover uma melhor fixação das demais tintas. Em seguida o fundo Poliéster, o qual dá a pintura aquele impressão de ao invés do corpo ser de madeira, ser de acrílico por exemplo. O poliéster isola e nivela a madeira dando um fundo excelente para pintura.
Após essa operação, o corpo do instrumento é lixado, para melhorar o nivelamento e retirar excessos da pintura.
Agora é vez da tinta. Após escolhida a cor é aplicada por volta de duas demãos para uma melhor homogeneidade.
Novamente após seco, é lixado para melhorar o nivelamento e retirar o excesso de tinta.
A seguir o Verniz é aplicado. A quantidade de demãos varia com o projeto e o custo do instrumento, entretanto nunca menos que duas demãos.
Após bem seco, outra vez é lixado, e posteriormente, polido e encerado.
Como puderam ver é um processo bem criterioso. Todas essas coberturas dão a pintura uma espessura considerável, ( às vezes até mais de 1 milímetro) sobre o corpo do instrumento.
Quando há uma batida por exemplo, dependendo do impacto pode apenas arranhar ou retirar o verniz, como pode tirar a tinta ou até mesmo o fundo. Desta forma pode ficar uma depressão na pintura que simplesmente uma tinta de reparo não cobrirá.
Como você podem perceber, não existe uma tinta pronta com todas essas etapas de pintura. O que pode ser feito é usar uma tinta acrílica na cor próxima ao do seu instrumento para disfarçar o problema.
Ao menos de longe não se perceberá o problema.
Para se conseguir um melhor acabamento é melhor consultar seu luthier para ele verificar qual a melhor solução a ser tomada.
Muitas vezes é retirado a tinta de uma superfície maior, e em seguida refeito nessa região todo ou quase todo o processo.

Esta próxima questão é a campeã!! Recebo e-mails diariamente repetindo esta dúvida.

“Quanto das cordas devo enrolar nas tarraxas para reduzir a desafinação”?
É bem verdade que os comentários a esse respeito são contraditórios, pois os argumentos são que se enrolar poucas voltas, as cordas desafinam por escapar das tarraxas. Se enrolar muito, desafinam por afrouxarem devido a quantidade de voltas. Ambos argumentos estão certos. Entretanto é o exagero que cria o problema.
Enrolar demais as cordas na tarraxa realmente causa desafinação. Isso pode ser verificado fazendo o seguinte teste: Afine o instrumento, e logo após puxe a corda contra a tarraxa (Foto 07) você verá que a corda baixará a afinação de ½ até dois tons, e isso se repetirá varias vezes.
Isto se dá principalmente nas cordas graves, porque por serem grossas, suas voltas não assentam perfeitamente uma sobre as outras, e além disso a quantidade faz com que isso se torne ainda mais difícil.
Veja como exemplo. Se você enrolar as cordas cinco voltas, terá que esperar que essas cinco voltas estiquem –se ao máximo cada uma, para que assentem com perfeição e não gerem desafinação. E isto pode demorar um bocado de tempo. Ainda mais sendo seis cordas.
Você também não pode deixar apenas um “pedacinho” de corda, pois com certeza escapará.
Uma dica é, coloque a corda na tarraxa e a estique até o fim. (Foto 08) Em seguida puxe-a dando uma folga de “três dedos” do seu limite. (Foto 09) Agora sim, a partir daí comece a enrolar até o fim. (Foto 10)
Você reduzirá bastante a desafinação por acúmulo de cordas.

"Escalopar a guitarra danifica o braço?"
Dependendo de como for feito o trabalho, não haverá problema algum em escalopar seu instrumento. (Foto 11)
O escalope não deve, por medida de precaução, ultrapassar 50% da espessura da escala.
Independente da espessura da escala, em minha opinião, os melhores escalopes no aspecto tocabilidade são aqueles que não ultrapassam 3 milímetros de profundidade, além do que são os mais seguros uma vez que a madeira retirada é muito pouca.
Ao contrário do que se pensa, o escalope total, ou seja, aquele que é feito no braço inteiro é mais seguro no que diz respeito a um possível empenamento ou torção, do que o parcial, que é feito da 12° casa em diante. Isto porque a madeira é retirada por igual, em toda a extensão do braço, o que não ocorre no escalope parcial.
O escalope só deve ser feito em uma guitarra, se essa oferecer possibilidades seguras para essa operação. O braço do instrumento não deve apresentar torções ou empenamento, e a escala deve ter uma espessura de, pelo menos, 5 milímetros.
Se a espessura da escala for inferior a 5 milímetros, o luthier verificará o tipo e a resistência da madeira para saber se é seguro realizar a operação de escalope.

Isto evidentemente é o meu método de trabalho!

Por hoje é só pessoal!

Um abraço e até o próxima edição!!

Edmar Luighi é músico e luthier profissional, autor dos livros “Guia ilustrado da guitarra e do Contrabaixo” e presta serviços autorizados para Yamaha, Warwick, Godin, Tagima entre outras.
Website: www.edmarluighi.com.br


 

 

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