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Olá
amigos, devido aos vários pedidos, a partir dessa edição
vamos começar a comentar e dar dicas também
sobre violões. Intercalaremos com o já tradicional
trabalho sobre guitarras, mas daremos atenção
também aos nossos amigos acústicos, pois qual
guitarrista que não utiliza ou ao menos possui para
estudo aquele violão “na manga”?
Nesse número comentarei sobre regulagem completa para
ajuste do conforto e ação de cordas. Em edições
futuras darei dicas sobre tipos de captação
para violão, pré amplificadores equalizadores,
captação passiva e ativa de rastilho, captação
de contato, captação acústica e por vibração,
etc. Falarei também sobre como resolver problemas com
braços empenados, como regular violões sem tensores
ajustáveis. Resumindo, como manter e aproveitar o máximo
que seu instrumento pode oferecer.
Bem, vamos lá!
Uma das situações mais comuns de acontecer com
os usuários de violões é de perceberem
que a ação de corda do seu instrumento está
muito alta e “dura”, dificultando a execução
de acordes e frases um pouco mais rebuscados. Nas guitarras
os músicos ainda arriscam abaixar um pouco a ação
de cordas na ponte, entretanto nos violões não
é comum existir parafusos de ajuste no cavalete (FOTO
1), desta forma, tal ajuste se torna mais difícil de
resolver.
Regulagem de altura de cordas nos violões tem como
base os mesmos aspectos determinantes das guitarras (ver edições
passadas da CG) para o ajuste, entretanto, no violão
as disponibilidades para tais operações não
são tão praticas, o que torna sua regulagem
mais difícil, e às vezes não tão
precisa.
Quando você perceber que seu instrumento não
está do seu agrado, procure seu luthier de confiança
para que ele faça um diagnóstico do problema
e aí determine os procedimentos necessários
para a solução. Uma vez percebido que o problema
na ação de cordas é falta de regulagem
no violão, as atitudes a serem tomadas pelos técnicos
comumente serão as seguintes: primeiramente ajustar
o tensor (violões sem tensores ajustáveis serão
comentados em edição futura), para corrigir
a curvatura do braço e colocá-la mais propícia
para ação de cordas que gostaria de obter após
a regulagem.
O braço quando muito côncavo (FOTO 2), ou muito
convexo (FOTO 3) é chamado de empenado. Muitas vezes
ajustando o tensor corrigi-se perfeitamente essa curvatura.
No violão o ajuste no tensor é feito comumente
ou em parafuso localizado no headstock (FOTO 4) ou no fim
do braço.
A posição correta do braço é normalmente
reta (nem côncavo nem convexo). Entretanto, dependendo
da forma como o músico irá tocar, o luthier
deverá deixar o braço um pouco convexo ou côncavo,
e isso ajudará a determinar a sensibilidade, a maciez
e a altura de cordas que o instrumento irá proporcionar.
Em nenhum caso o violão poderá ficar com braço
muito arcado para nenhum dos lados, pois causará problemas
de trastejamento, ou ação alta de cordas, ou
problemas de afinação, ou todos esses problemas
juntos.
Uma vez ajustado o tensor é o momento de ajustar a
altura dos trastes entre si, para que quando o violão
estiver com uma ação de cordas baixas, não
trasteje em nenhum traste mais elevado. Muitas vezes o nivelamento
nos trastes também se faz necessário para corrigir
amassados, e riscos provenientes do uso do instrumento.
Desta forma, então, é retirado as cordas do
violão, e protegida a escala com fita adesiva (fita
crepe) para que a operação de nivelamento dos
trates (fretwork) não arranhe a escala.
Depois de feita a proteção da escala, com uma
pedra porosa de carburundum é feito o nivelamento dos
trastes. Importante lembrar que esse trabalho deve ser feito
apenas por alguém com experiência para que não
se danifique os trastes, às vezes irreparavelmente.
O luthier, antes do fretwork, verificará se não
há trastes soltos, ou mal colocados, para que assim
possa colar-los ou recoloca-los para que a retífica
seja perfeita.
Após o nivelamento da superfície dos trastes,
é retirado parte dos riscos deixados pela pedra de
carburundum com o auxílio de uma lixa d’água
de n.240.
O próximo passo é através do uso de uma
lima chata de média abrasividade fazer o nivelamento
das extremidades dos trastes para que os mesmos não
machuquem a mão do músico quando tocar o violão.
Em seguida as laterais dos trastes devem ser realinhadas,
para torna-los novamente com o aspecto arredondado e até
um pouco cônicos. Essa operação é
feita com uma lima normalmente destinada e fabricada para
essa finalidade.
Agora
com o auxílio de uma lixa de n.600 e outra de n.1200
sucessivamente é feito o acabamento fino nos trastes.
Logo após, com uma palha fina de aço (tipo Bombril)
é feito o polimento nos trastes.
Então, retira-se a fita protetora da escala, e com
uma esponja aplica-se um óleo a base de limão
encontrado normalmente em lojas especializadas, para limpar,
hidratar e deixar a escala com um aspecto natural.
Feito isso é o momento de colocar um encordoamento
novo para assim fazer a regulagem de ação de
cordas.
Após afinado o instrumento, o luthier verificará
o quanto o rastilho deverá ser rebaixado para o ajuste
da ação de cordas. Retirado o rastilho, reduz-se
a sua altura lixando a sua parte inferior em uma lixa de n.80
fixada em uma madeira extremamente plana.
Recolocando o rastilho e verificado o sucesso da operação,
é momento de ajustar o capotraste (nut). Com o auxílio
de limas finas e específicas é ajustada a profundidade
das cavidades do capotrastepara que a altura de cordas no
começo da escala seja coerente com a do fim da escala,
contudo é comum que as cordas fiquem um pouco mais
baixas no começo da escala.
Feito isso estará concluída a regulagem do seu
violão. É claro que todas essas operações
citadas acima devem ser empregadas quando o instrumento não
tiver nenhum problema que dificulte ou impossibilite esses
procedimento, como por exemplo se o rastilho não possuir
altura suficiente para ser rebaixado, se o braço estiver
muito empenado ou torcido, se os trastes não estiverem
gastos demais.
Nesses casos os procedimentos serão outros, que em
outras edições comentaremos. Importante lembrar
que quanto mais baixa a altura das cordas em um violão,
menor o volume de som, e mais de leve deverão ser tocadas
as cordas, para evitar trastejamento. Porém, maior
facilidade de execução de acordes e solos.
Quando me refiro sobre o menor volume de som, quero dizer
que o instrumento quando ouvido apenas acusticamente, ou seja,
não ligado a um amplificador caso seja elétrico
também, perderá um pouco de seu volume de som
quando abaixada a ação de cordas.
Volto a lembrar que é importante que esse tipo de trabalho
seja feito por alguém experiente no assunto para que
o problema seja sanado em vez de intensificado.
Bem
pessoal, por esta edição é só.
Um abraço, até a próxima edição
de ”Pequenos Reparos - Acústico”
Edmar Luighi – Setembro de 2004.
Edmar Luighi é músico e luthier profissional,
autor dos livros “Guia Ilustrado da Guitarra" e
“Guia Ilustrado
do Baixo". Presta serviços autorizados
para Yamaha, Warwick, Godin, Tagima entre outras.
Website: www.edmarluighi.com.br
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