Guitarras
  Contrabaixo
  Violões
  Eletrônicos
  Componentes
  Cordas
  Captadores
  Cabos
  Pedais
  Livros do luthier
  Galeria de fotos
  Novidades
  Dicas do luthier
  Raio "X" artistas
  Jornal do luthier
  Classificados
  Ofertas do mês
  Assist. autorizadas
  Edmar Luighi guitars
  f.a.q
  Links recomendados
  Parceria
  Como anunciar
  receba informativos e promoções, digite o seu e-mail no campo abaixo.
   
Regulagem de ação de cordas em violões

A partir desta edição, também incluiremos nesta seção dicas sobre violões, que serão intercaladas às habituais, referentes a guitarras.

Por: Edmar Luighi
Fotos: Fernanda Lupo

 

Olá amigos, devido aos vários pedidos, a partir dessa edição vamos começar a comentar e dar dicas também sobre violões. Intercalaremos com o já tradicional trabalho sobre guitarras, mas daremos atenção também aos nossos amigos acústicos, pois qual guitarrista que não utiliza ou ao menos possui para estudo aquele violão “na manga”?

Nesse número comentarei sobre regulagem completa para ajuste do conforto e ação de cordas. Em edições futuras darei dicas sobre tipos de captação para violão, pré amplificadores equalizadores, captação passiva e ativa de rastilho, captação de contato, captação acústica e por vibração, etc. Falarei também sobre como resolver problemas com braços empenados, como regular violões sem tensores ajustáveis. Resumindo, como manter e aproveitar o máximo que seu instrumento pode oferecer.

Bem, vamos lá!

Uma das situações mais comuns de acontecer com os usuários de violões é de perceberem que a ação de corda do seu instrumento está muito alta e “dura”, dificultando a execução de acordes e frases um pouco mais rebuscados. Nas guitarras os músicos ainda arriscam abaixar um pouco a ação de cordas na ponte, entretanto nos violões não é comum existir parafusos de ajuste no cavalete (FOTO 1), desta forma, tal ajuste se torna mais difícil de resolver.

Regulagem de altura de cordas nos violões tem como base os mesmos aspectos determinantes das guitarras (ver edições passadas da CG) para o ajuste, entretanto, no violão as disponibilidades para tais operações não são tão praticas, o que torna sua regulagem mais difícil, e às vezes não tão precisa.

Quando você perceber que seu instrumento não está do seu agrado, procure seu luthier de confiança para que ele faça um diagnóstico do problema e aí determine os procedimentos necessários para a solução. Uma vez percebido que o problema na ação de cordas é falta de regulagem no violão, as atitudes a serem tomadas pelos técnicos comumente serão as seguintes: primeiramente ajustar o tensor (violões sem tensores ajustáveis serão comentados em edição futura), para corrigir a curvatura do braço e colocá-la mais propícia para ação de cordas que gostaria de obter após a regulagem.

O braço quando muito côncavo (FOTO 2), ou muito convexo (FOTO 3) é chamado de empenado. Muitas vezes ajustando o tensor corrigi-se perfeitamente essa curvatura. No violão o ajuste no tensor é feito comumente ou em parafuso localizado no headstock (FOTO 4) ou no fim do braço.

A posição correta do braço é normalmente reta (nem côncavo nem convexo). Entretanto, dependendo da forma como o músico irá tocar, o luthier deverá deixar o braço um pouco convexo ou côncavo, e isso ajudará a determinar a sensibilidade, a maciez e a altura de cordas que o instrumento irá proporcionar.

Em nenhum caso o violão poderá ficar com braço muito arcado para nenhum dos lados, pois causará problemas de trastejamento, ou ação alta de cordas, ou problemas de afinação, ou todos esses problemas juntos.

Uma vez ajustado o tensor é o momento de ajustar a altura dos trastes entre si, para que quando o violão estiver com uma ação de cordas baixas, não trasteje em nenhum traste mais elevado. Muitas vezes o nivelamento nos trastes também se faz necessário para corrigir amassados, e riscos provenientes do uso do instrumento.

Desta forma, então, é retirado as cordas do violão, e protegida a escala com fita adesiva (fita crepe) para que a operação de nivelamento dos trates (fretwork) não arranhe a escala.
Depois de feita a proteção da escala, com uma pedra porosa de carburundum é feito o nivelamento dos trastes. Importante lembrar que esse trabalho deve ser feito apenas por alguém com experiência para que não se danifique os trastes, às vezes irreparavelmente.

O luthier, antes do fretwork, verificará se não há trastes soltos, ou mal colocados, para que assim possa colar-los ou recoloca-los para que a retífica seja perfeita.
Após o nivelamento da superfície dos trastes, é retirado parte dos riscos deixados pela pedra de carburundum com o auxílio de uma lixa d’água de n.240.

O próximo passo é através do uso de uma lima chata de média abrasividade fazer o nivelamento das extremidades dos trastes para que os mesmos não machuquem a mão do músico quando tocar o violão.

Em seguida as laterais dos trastes devem ser realinhadas, para torna-los novamente com o aspecto arredondado e até um pouco cônicos. Essa operação é feita com uma lima normalmente destinada e fabricada para essa finalidade.
Agora com o auxílio de uma lixa de n.600 e outra de n.1200 sucessivamente é feito o acabamento fino nos trastes.

Logo após, com uma palha fina de aço (tipo Bombril) é feito o polimento nos trastes.
Então, retira-se a fita protetora da escala, e com uma esponja aplica-se um óleo a base de limão encontrado normalmente em lojas especializadas, para limpar, hidratar e deixar a escala com um aspecto natural.

Feito isso é o momento de colocar um encordoamento novo para assim fazer a regulagem de ação de cordas.
Após afinado o instrumento, o luthier verificará o quanto o rastilho deverá ser rebaixado para o ajuste da ação de cordas. Retirado o rastilho, reduz-se a sua altura lixando a sua parte inferior em uma lixa de n.80 fixada em uma madeira extremamente plana.

Recolocando o rastilho e verificado o sucesso da operação, é momento de ajustar o capotraste (nut). Com o auxílio de limas finas e específicas é ajustada a profundidade das cavidades do capotrastepara que a altura de cordas no começo da escala seja coerente com a do fim da escala, contudo é comum que as cordas fiquem um pouco mais baixas no começo da escala.

Feito isso estará concluída a regulagem do seu violão. É claro que todas essas operações citadas acima devem ser empregadas quando o instrumento não tiver nenhum problema que dificulte ou impossibilite esses procedimento, como por exemplo se o rastilho não possuir altura suficiente para ser rebaixado, se o braço estiver muito empenado ou torcido, se os trastes não estiverem gastos demais.

Nesses casos os procedimentos serão outros, que em outras edições comentaremos. Importante lembrar que quanto mais baixa a altura das cordas em um violão, menor o volume de som, e mais de leve deverão ser tocadas as cordas, para evitar trastejamento. Porém, maior facilidade de execução de acordes e solos.

Quando me refiro sobre o menor volume de som, quero dizer que o instrumento quando ouvido apenas acusticamente, ou seja, não ligado a um amplificador caso seja elétrico também, perderá um pouco de seu volume de som quando abaixada a ação de cordas.

Volto a lembrar que é importante que esse tipo de trabalho seja feito por alguém experiente no assunto para que o problema seja sanado em vez de intensificado.


Foto 01
Foto 02

Foto 03
Foto 04

Bem pessoal, por esta edição é só.

Um abraço, até a próxima edição de ”Pequenos Reparos - Acústico”

Edmar Luighi – Setembro de 2004.

 

Edmar Luighi é músico e luthier profissional, autor dos livros “Guia Ilustrado da Guitarra" e “Guia Ilustrado do Baixo". Presta serviços autorizados para Yamaha, Warwick, Godin, Tagima entre outras.
Website: www.edmarluighi.com.br


 

 

Visitantes ativos 6
 
© Copyright 2003 / 2008 - EDMAR LUIGHI LUTHIERS - Todos os direitos reservados