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Esse
assunto já foi discutido varias vezes aqui por nós,
contudo novos leitores e instrumentos são lançados
no mercado, e precisamos estar sempre lembrando conceitos
básicos. Selecionei de forma resumida, tópicos
que precisamos verificar no momento da compra, baseados nos
e-mails que recebo com duvidas de nossos leitores.
Lembrando que nesta época do ano logistas e distribuidores
estão preparados para vender muitos instrumentos, então
temos que estar preparados para comprar-los.
Organizei uma série de itens que devem ser verificados
no momento da compra, e que não necessitam que músico
esteja munido de nenhum equipamento especial. Apenas seus
sentidos.
Vamos à alguns desses critérios.
Em primeiro lugar, o músico deve estar ciente na hora
da compra, do tipo de instrumento que ele precisa para o tipo
de música que quer tocar. Caso ele seja iniciante,
e não possua tal informação, deverá
recorrer primeiro ao seu professor ou a um músico profissional,
ou até mesmo a um luthier para obter dados fundamentais
para a escolha do seu instrumento.
Só então, poderá ir a loja em busca da
compra., pois caso o contrario acabará comprando um
instrumento que não atenderá suas expectativas
e necessidades, as vezes nem através de intervenções
técnicas dos luthiers de confiança.
CORPO
Quando pegar um instrumento, que já visualmente o agradou,
pergunte ao vendedor ou verifique nas especificações
técnicas que geralmente acompanham o produto, o tipo
de madeira a qual é feito o corpo do instrumento. As
mais nobres são normalmente mais caras e na maioria
das vezes proporcionam timbres melhores.
Dentre
elas destaco como mais comuns: Alder, Ash, Maple, mogno, Bass
Wood, Cedro... O corpo também pode ser feito de madeiras
nada nobres que são compensado e MDF. Nesses casos
madeiras não maciça, porém coladas em
lâminas e uma espécie de aglomerado de materiais.
Não existe nada errado em ter um instrumento com corpo
feito desse tipo de madeira, embora eles não proporcionem
som com grandes sustentações (normalmente instrumentos
feitos desse material, por serem mais baratos, tornam-se uma
boa opção para músicos iniciantes ou
com menor poder aquisitivo).
Outro item importante a ser observado no corpo do instrumento,
é se ele não apresenta nenhuma rachadura em
algum dos lados. Mesmo pintado, é possível,
se olhar contra a luz, ver alguma evidência de rachadura
ou possível rachadura. (não confundir com a
emenda que muitos corpos possuem. As emendas sempre são
retas e na maioria das vezes estão no centro do corpo
ou nas extremidades laterais, sempre verticalmente).
BRAÇO
O braço mais comumente é feito em Maple com
escala em Jacarandá, pau ferro, ou Maple com escala
em ébano, ou todo em Maple ou em Marfim (essa última
mais comum em instrumentos nacionais). Todos esses materiais
são bons para a fabricação de braços.
A escolha se dá, em sua maioria, pelo aspecto visual
e construção (largura, comprimento, espessura,
conforto que proporciona) do que propriamente pelo material.
O instrumento pode se apresentar na loja, no aspecto tocabilidade,
horrível. Isso se dá muitas vezes, por não
ter sido previamente regulado. Mesmo quando previamente regulado,
ele pode não estar oferecendo tudo àquilo que
o músico esperava ou gostaria que ele oferecesse. Isso
porque essa pré regulagem visa apenas tornar o instrumento
com uma estabilidade padrão, não o dirigindo
para nenhum estilo ou técnica em especial.
É importante verificar alguns certos itens que citarei
para saber se a tocabilidade que agora não está
do agrado, poderá em breve, após a regulagem
de seu luthier, estar satisfatória.
Normalmente,
na loja, o instrumento apresenta ação de cordas
alta e muitas vezes com trastejamento. Verifique se isso apenas
se dá por não estar regulado ou por defeitos
mais graves.
As cordas podem estar altas porque o braço está
um tanto côncavo (FOTO 01) precisando de ajuste no tensor.
A forma de se visualizar isso, é tomar o instrumento
nas mãos olhando o braço lateralmente contra
a luz (FOTO 02), verificando nas laterais a curvatura.
Se
essa curvatura for pouco acentuada (FOTO 03) o tensor corrigirá
e o instrumento ficará bom. Se a curvatura for muito
acentuadao tensor poderá não corrigi-la e aí
teremos um braço empenado.
Nas ilustrações estamos demonstrando essas deformidades
com uma régua, pois, se fosse com um braço de
guitarra, seria mais difícil perceber o problema haja
vista que a lente da máquina fotográfica, não
demonstra facilmente essas irregularidades com o olho humano.
Outro fator determinante para cordas altas e trastejamento,
é braço torcido. Chamamos assim o braço
que, quando a concavidade verificada lateralmente não
é a mesma quando verificada a outra lateral. Se a discrepância
dessas curvaturas for grande (ex.: um lado se nota estar côncavo
e outro convexo), esse instrumento não deverá
ser comprado (esse problema tem solução, porém
o custo é muito alto e só vale a pena solucioná-lo
quando já se possui o instrumento e realmente quer
mantê-lo).
É importante observar também no braço
através dessas visualizações laterais,
(FOTO 02) que independente de estar côncavo ou convexo,
se não existe alguma irregularidade na sua extensão
Se houver, pode ser irreparável, mesmo através
da regulagem, pois o tensor atua no braço de uma forma
geral e não corrige defeitos ou irregularidades localizadas.
O instrumento pode estar com ação de cordas
baixas e às vezes altas, e trastejando da 1.casa à
5.casa. Deve-se verificar através do processo da visualização
das laterais do braço se ele não está
convexo. Se estiver e a curvatura for pouca, até poderá
ser corrigida soltando-se o tensor.
utra
questão, é que uma boa parte dos instrumentos,
principalmente os de Headstock inclinado, possuem a madeira
do braço emendada um pouco abaixo do Headstock. Verifique
se esta emenda não está se descolando, passando
a mão sobre ela. É possível notar algum
relevo se ela estiver se soltando.
TRASTES
Deve-se observar no instrumento a ser comprado se os trastes
estão com seus perfis arredondados e intactos. Não
pode haver marcas de limas ou lixas, pois isto indica que
há irregularidades na escala ou na colocação
dos trastes, e que foi dado um “jeitinho” para
que o instrumento não apresentasse algum tipo de trastejamento.
A forma de visualizar isso é como citei acima, verificando
se todos estão com seus perfis arredondados, uniformemente
alinhados, não havendo trastes achatados pela ação
de limas. É comum notar esse “jeitinho”
mais no fim da escala, com o intuito de esconder empenamentos
e torções localizados. Preste atenção:
Esse tipo de instrumento não deve ser comprado, pois
pode ter quase que se gastar, futuramente, uma verba considerável
com um luthier para retificar a escala e trocar os trastes.
Sempre lembrando do bom senso na hora de julgar um possível
trastejamento. A ação de cordas do instrumento
testado pode estar baixa com intuito de torná-lo macio
e confortável, e o músico na hora do teste pode
estar “descendo a mão” e aí julgar
que o instrumento está impróprio. Verifique
todos os itens anteriores, faça todas as possíveis
análises para poder ter critérios para um julgamento.
Instrumento com ação de cordas baixa, devem
ser tocados com menos força para não trastejarem.
Isso não caracteriza defeito, e sim uma opção
de regulagem.
REGULAGEM
O instrumento pode estar “duro” de tocar e com
cordas altas e, não necessariamente estar empenado
ou com defeito. Uma vez visto através de visualização
das laterais do braço (FOTO 02), verificando que não
há torções nem empenamentos, o braço
está reto, equilibrado.
Observe o nut (capotraste) ou o locking nut (trava de cordas)
(FOTO 03) e perceba se as cordas não estão partindo
muito altas deles. Se estiverem, isto torna o ato da digitação
difícil, pois tem que se fazer muita força para
que as cordas toquem os trastes para produzir a nota.
Esse problema um luthier pode facilmente regular e tornar
equilibrada essa ação. Pode acontecer o contrário,
também. As cordas quando tocadas soltas podem trastejar.
Verifique se no nut ou no locking nut, as cordas estão
partindo tão baixas que estão encostando no
primeiro traste e causando o trastejamento.
Toque na primeira casa. Se parar o trastejamento é
porque realmente o problema está no nut. Se não,
o problema pode estar na ação do tensor. Certifique-se
de que o braço não está muito convexo.
Se estiver, aí está o problema. Se não
estiver convexo o braço, o problema pode estar nos
trastes. Aí é prudente testar outro instrumento
ou ligar para seu luthier buscando informações.
A ação de cordas na ponte também ajuda
a determinar se o instrumento está trastejando com
facilidade ou se está “duro” e difícil
de ser tocado. As cordas partindo muito baixas da ponte, embora
facilitem a execução de escalas também
limitam a força da mão direita (se tratando
de um músico destro). As cordas partindo altas da ponte
tornam o instrumento difícil de ser tocado. Um luthier
equilibrará isto com facilidade também, porém
preste atenção em todos os itens para poder
julgar o que está sendo comprado.
PARTE ELÉTRICA
Potenciômetros e chaves com ruídos quando manuseados,
indicam sujeira nos componentes. Isto não é
um problema irreparável, ao contrário, quase
sempre de fácil solução, porém,
se puder ser evitado melhor.
Verifique se todos os captadores funcionam. Procure ouvir
em separado o som de cada um deles, comutando-os através
da chave de seleção. Com uma moeda bata levemente
sobre cada um deles, para realmente verificar se todos estão
funcionando.
Coloque a chave de comutação em cada posição
oferecida e vá batendo nos imãs dos captadores
com a moeda. Verifique qual captador naquela posição
da chave funciona e qual não funciona. O qual estiver
funcionado fará um “toc” mais alto no amplificador
do que o que não estiver atuando. Teste em todas as
posições da chave. No final do teste, todos
os captadores deverão ter feito o ruído (“toc”)
no amplificador.
Observe com a atenção os humbuckers. Todas as
duas bobinas, quando tocadas pela moeda, deverão soar
“toc” no amplificador. Importante isto, para que
não se compre um instrumento com captadores pifados
ou com humbuckers apenas com uma das bobinas funcionando.
“Fique atento “também com a inscrição:
”DESIGN BY”. Ex.: Design by EMG ou Duncan Design
e outros. Essa inscrição significa que o captador
foi desenhado parecido com o EMG, ou com Seymour Duncan, ou
sob licença deles, ou que possua algumas características
sonoras ou visuais desses captadores. Isto não indica
que sejam dessas marcas de captadores.
É comum as pessoas se iludirem achando que estão
comprando instrumentos com captadores de primeiríssima
linha, e às vezes pagam preços até abusivos
por isso. Não que esses captadores DESIGN BY não
prestem. Às vezes são até muito bons,
porém não se deve confundi-los com os originais.
HARDWARE
Fique atento com o cromo das tarrachas, pontes, straps, enfim,
tudo que for parte de metal, e verifique se não está
descascando o banho com indícios de ferrugem ou amassado.
Verifique se não há folgas nas tarrachas. Elas
não podem ser “duras” para enrolar ou desenrolar
as cordas. É claro que isso varia um pouco de acordo
com a qualidade que ela possui, todavia não deve ser
preciso fazer força para atuá-las.
Deve-se balançá-la para ambos os lados para
observar se não há folgas. As tarrachas devem
ser firmes sem folga algum
PINTURA
Observe se não há evidência de batidas
ou amassados contundentes na pintura. Não se iluda,
retoques em pinturas não são fáceis nem
baratos.
BRAÇOS INTEGRADOS
Quando estiver comprando um instrumento o qual o braço
for integrado ao corpo, ou seja, não existem parafusos
de fixação no braço, certifique-se
se existe a possibilidade de abaixar a ponte, para se conseguir
uma ação de cordas baixa. Pois, se o braço
tiver sido mal integrado ao corpo, muitas vezes as cordas
ficarão com uma ação alta, pois o braço
está abaixo do nível em relação
ao corpo, do que deveria estar.
O mais comum é serem dois pivôs ou duas porcas
de ajuste. Se perceber que não é possível
chegar à ação de cordas necessária,
procure informações com algum luthier ou fuja
dessa compra, pelo menos momentaneamente, até ter certeza
do que está comprando.
FLOYD ROSE
Se estiver interessado em um instrumento com trêmolo
flutuante (tipo Floyd Rose), verifique se no corpo do instrumento
existe um “back Box” (compartimento para que o
trêmolo afunde para dentro do corpo), para que o trêmolo
atue tanto para cima como para baixo. Caso não tenha
esse trêmolo, só decairão as notas quando
alavancado ou dependendo da regulagem, talvez suba as notas,
porém bem pouco.
Isso não é um problema, desde que você
saiba e ou queira isso.
Ë possível fazer o Back Box em um instrumento
que não o possua, entretanto, essa operação
tem um custo, e é bom que você esteja ciente
disso no momento da compra.
Verifique também o tipo da fixação da
haste do trêmolo.
Veja se a haste possui uma espécie de “porca”
de fixação , pois esse tipo é mais eficaz,
no ponto de vista firmeza (sem jogo ou folga) do as convencionais
com rosca na própria haste.
Existem também alguns tipos de sistema que possui um
parafuso Allen de travamento da haste localizado no compartimento
onde é rosquiado a haste, isto também impede
que existam folgas.
Bem, Tendo todos esses cuidados e critérios, com certeza
as chances de você se decepcionar com a próxima
guitarra que comprará serão poucas.
Importantíssimo lembrar, que, após a compra,
leve seu instrumento ao seu luthier para que ele lhe dê
um diagnóstico mais detalhado e preciso sobre o produto
que você adquiriu. Isso para que, se no caso houver
algum problema, você tenha tempo de recorrer à
sua garantia.
Um
abraço, até a próxima, e boas compras!!
Dezembro de 2004
Edmar Luighi
Edmar Luighi é músico e luthier profissional,
autor dos livros “Guia Ilustrado da Guitarra" e
“Guia Ilustrado
do Baixo". Presta serviços autorizados
para Yamaha, Warwick, Godin, Tagima entre outras.
Website: www.edmarluighi.com.br
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