| Para
começar, é importante, no momento da compra,
caso o instrumento a ser adquirido seja usado (porque quando
novo a garantia nos protege) seguir algumas dicas para que
façamos um bom negócio.
Primeiramente deve-se verificar o estado do braço do
instrumento – se está muito côncavo (FOTO
1), ou convexo (FOTO 2). Em caso positivo, certificar se o
tensor (FOTO 3) tem condições de corrigir tal
imperfeição. Caso haja dificuldade no diagnóstico
por falta de conhecimento, recorra a algum luthier, ou questione
o lojista que, no caso de um diagnóstico negativo a
este respeito por parte do seu luthier, se o negócio
poderá ser desfeito nas próximas horas.
Verifique também, o estado dos trastes – se estão
muito amassados, ou baixos demonstrando assim que já
foram realizadas diversas retíficas, e que você
terá que, no futuro próximo, trocar estes trastes
por novos, e desta forma desembolsar algum numerário.
Pontes emperradas, com parafusos enferrujados podem ser sinônimo
de problema uma vez que a regulagem do instrumento pode ficar
comprometida com o mau funcionamento deste importante acessório.
Se houver condições, teste os saddles da ponte
(FOTO 4) para saber se os parafusos não estão
emperrados. Muitas vezes é possível ao luthier,
com uma boa limpeza e lubrificação, desemperra-los.
Contudo, muitas vezes, apenas a substituição
do saddle e até mesmo da ponte solucionará o
problema.
Por
outro lado, potenciômetros e chaves ruidosos ou com
falhas podem ser sinônimo apenas de uma falta de limpeza.
Gire repetidamente os potenciômetros e chaves para perceber
se o ruído ou falha cessa por alguns instantes. Se
sim, a chance de uma boa lubrificação ser suficiente,
é grande.
Nas tarraxas é mais difícil de detectar defeitos.
Contudo, podemos avaliar o aspecto do cromo que poderá
denotar o tempo de uso ou o cuidado que foi despendido às
mesmas.
Se o circuito for ativo, verifique se todas as funções
de equalização estão funcionando –
grave, médio, agudo, balanço, volume –
e se cumprem seu propósito. Peça sempre dicas
para seu luthier, com relação às características
e/ou problemas mais freqüentes do modelo que estiver
adquirindo.
Vamos falar agora sobre conservação e manutenção
preventiva periódica do contrabaixo, que você
mesmo poderá operar em seus instrumentos.
Para começar, o instrumento quando não estiver
em uso, e não possuir um case rígido próprio
para transporte ou repouso, é bom que seja acondicionado
com as cordas voltadas para baixo, apoiadas na superfície
plana, seja em um soft bag ou não (FOTO 5). A superfície
pode ser em cima ou embaixo da sua cama, sobre o guarda-roupa,
sobre a mesa da cozinha.....Só considere que o lugar
não pode ser nem úmido, nem com temperatura
muito elevada. A razão das cordas voltadas para baixo
é que desta maneira toda a superfície do braço
ficará apoiada, impossibilitando assim que haja empenamentos
ou torções causados por falhas de acondicionamento.
Um procedimento utilizado antigamente, e que hoje além
de ineficaz é prejudicial ao braço do seu contrabaixo
é o de afrouxar as cordas quando o mesmo não
estiver uso. Tal operação era recomendada, pois
os instrumentos de outrora não possuíam tensores
ajustáveis. Então o alívio das cordas
causava uma melhoria na concavidade do braço e desta
forma tornava-o mais confortável por algum tempo. Hoje
em dia, o uso deste procedimento pode causar um empenamento
contrário pois a força atuante do tensor sem
a contra força das cordas poderá causar tal
deformidade.
Sugiro que os procedimentos a seguir sejam operados a cada
45 ou 60 dias não importando se houver ou não
a substituição do encordoamento, pois se referem
a uma manutenção preventiva e de “higienização”
uma vez que, suor, poeira e a própria umidade do ar,
impregnam a madeira, o hardware e demais componentes prejudicando
assim, além do seu funcionamento, a vida útil
do seu contrabaixo.
Primeiramente, é preciso deixar claro que, por mais
que um contrabaixo esteja regulado e revisado, a necessidade
de visitas periódicas ao luthier, para consultas seguidas
de diagnósticos precisos, se faz obrigatória,
principalmente, em contrabaixos de 5 e 6 cordas, uma vez que,
por possuírem maior número de cordas, sofrem
tensões muito maiores em seus braços correndo
risco de torções e empenamentos mais facilmente
do que os contrabaixos de 4 cordas.
A troca de encordoamentos se dá nos contrabaixos mais
diretamente ligada a necessidade pessoal de cada músico
e sua condição financeira uma vez que o custo
dos bons encordoamentos são bastante elevados. No entanto
sugiro que o musico que toque diariamente não deixe
de trocá-los a cada 4 a 6 meses, pelo menos. Importante
lembrar que a durabilidade do encordoamento está ligada
diretamente à qualidade do mesmo e ao cuidado despendido
à ele. Instrumentistas que suam bastante nas mãos
tendem a reduzir o tempo de vida de seus encordoamentos, ainda
mais aqueles que possuem ácido úrico elevado
em seus suores.
Primeiramente, retire as cordas e verifique se não
há nenhum traste amassado ou “frisado”
(marcado). Se encontrar algum, procure um luthier para que
ele efetue um serviço de retífica de trastes
para que seja sanada tal imperfeição. Algumas
vezes se faz necessário a substituição
dos trastes. Porém, se apenas estiverem sujos, sem
brilho ou amarelados, a manutenção sugerida
a seguir corrigirá esse aspecto.
Para limpar trastes e escala, deve-se isolar captadores, chaves
e todos os orifícios e entradas do compartimento elétrico
com fita adesiva (FOTO 6) evitando assim que os detritos provenientes
da limpeza grudem em componentes como, por exemplo, chave
ou potenciômetro, o que certamente poderia senão
danificá-los, impedi-los de operar perfeitamente.
Com cuidado e pouca pressão, passe a palha de aço
da mais fina que encontrar, sobre os trastes (FOTO 7). Isso
retira os fragmentos de ferrugem deixados pelas cordas velhas.
Dessa forma, eles se tornarão lisos e polidos para
um melhor desempenho.
Posteriormente, usando apenas um pedaço maior do mesmo
tipo de palha de aço, remova da escala a gordura que
foi deixada pelas mãos. Esfregue-a levemente e em movimentos
circulares (FOTO 8). Deve-se fazer isso apenas em escalas
escuras - jacarandá e pau-ferro, por exemplo. As escalas
claras - como maple e marfim - normalmente recebem verniz
ou seladora, por isso a palha de aço pode riscar ou
tornar sua superfície fosca. Neste caso, basta um polimento
com flanela seca ou chumaço de algodão com um
pouco de cera do tipo automotiva, no caso de estarem um pouco
áspera ou sem brilho algum.
O procedimento de limpeza para contrabaixos com braços
fretless é um pouco diferente. Após retirada
as cordas, e isolado os componentes com fita adesiva como
descrito acima, basta apenas um algodão embebido em
álcool isopropílico que é aplicado na
escala (FOTO 9) com o intuito de eliminar gordura deixadas
pelas mãos, e resíduos de ceras de polimento.
A seguir, os procedimentos são os mesmos tanto para
contrabaixos com ou sem trastes.
O próximo passo é tirar da escala e do corpo
do instrumento os resíduos deixados pelo processo anterior.
Isso deve ser feito com cuidado para que nenhuma parte do
instrumento seja danificada. Com um pequeno espanador ou uma
escova de sapatos de pelos macios retiram-se a poeira e as
limalhas de ferro da palha de aço - a fita adesiva
branca, que cobre os captadores e a chave, ajuda a visualizar
melhor, se ainda resta algo grudado nas proximidades dos captadores,
uma vez que estes, por possuírem imãs, exercem
uma atração magnética sobre detritos
de metais. Passe delicadamente a escova para que não
haja nenhum tipo de agressão à pintura. Depois,
retira-se a fita adesiva com cuidado.
Com uma pequena esponja, passa-se, sobre escala e trastes,
um óleo à base de limão. Trata-se de
produto específico que limpa e hidrata a escala deixando-a
com um aspecto natural, sem brilho intenso, porém sem
ressecamento. Ele pode ser encontrado em algumas lojas de
instrumentos musicais. Pode-se também utilizar várias
combinações caseiras que funcionam quase tão
bem quanto o específico.
Sugiro
a mistura de álcool isopropílico com óleo
lubrificante de máquina (estes encontrados com facilidade
nos supermercados), na razão de 50% para cada um deles.
Antes de utiliza-lo, agite-o vigorosamente e aplique imediatamente.
Uma vez que o álcool e o óleo não são
miscíveis entre si, o uso da mistura de forma inadequada
pode não surtir o efeito esperado. No caso de um braço
fretless, o uso de cera liquida ou pastosa se faz necessário
para complementar o processo uma vez que a escala necessita
ficar “encerada” para melhor deslizamento das
cordas e das mãos do instrumentista.
As partes de metal do instrumento (hardware), por estarem
expostas a um constante risco de oxidação, devido
ao suor do músico ou a própria umidade relativa
do ar, precisam de um cuidado especial e constante. Adquira
uma escova de dente de cerdas macias e a deixe para uso exclusivo
de seu instrumento. Com ela, retire a poeira ou outro detrito
acumulado na ponte do contrabaixo (FOTO 10). Em seguida, pingue
na escova algumas gotas de óleo fino de máquina
– o mesmo utilizado anteriormente. Observação:
Não servem aqueles em spray pois são mais indicados
para destravamento de partes intercambiáveis do que
propriamente um lubrificante preventivo.
Então escove novamente a ponte, lubrificando-a. Isso
fará com que os parafusos de sua ponte não travem
futuramente nem ofereça resistência ao ajuste,
e também evitará que apareçam possíveis
pontos de ferrugem, além de deixar sua ponte com um
aspecto visual muito mais agradável.
As tarraxas devem ser limpas com flanela seca e lubrificadas
com o mesmo óleo em toda sua extensão. Isso
reduz a possibilidade de aparecerem pontos de ferrugem ou
desgaste excessivo do cromo.
Os parafusos de fixação das roldanas em que
se prende a correia devem ser sempre limpos e apertados (FOTO
11), pois, quando começam a se soltar, criam uma folga
com o passar do tempo que só se soluciona tampando
o furo anterior e abrindo outro. As roldanas devem também
ser lubrificadas regularmente.
Todos os demais parafusos devem ser limpos e lubrificados
com o auxílio de um cotonete (FOTO 12) para uma melhor
conservação, assim como, caso seja aparente
as terminações superiores dos imãs dos
captadores (FOTO 13).
E por falar em captador, a parte elétrica merece uma
atenção também especial, uma vez que
também é vítima das intempéries
do tempo e do uso freqüente do instrumento.
É bastante comum, potenciômetros seja de instrumentos
passivos ou ativos, ruírem ao serem girados, causando
também falhas e muitas vezes, perda de sinal. Podemos
fazer uma limpeza tanto corretiva quanto preventiva para eliminar
esses pequenos ruídos. Com o auxílio de uma
seringa e agulha, destas facilmente encontradas em drogarias,
deve-se injetar diretamente nos potenciômetros álcool
isopropílico tanto na parte superior (FOTO 14) quanto
na inferior (FOTO 15).
Tal
produto químico é extremamente volátil
e, por conta dessa característica, evapora com facilidade,
não deixando resquícios de umidade ou gordura
nos quais poderiam grudar poeira ou ser gerada algum tipo
de oxidação. Certos óleos em spray dão
a impressão momentânea de que o problema está
sanado logo após sua aplicação. No entanto,
na maior parte das vezes, o problema volta mais intenso. Isso
porque esses óleos limpam os contatos, mas também
os engorduram de tal forma que a sujeira e o pó ali
se fixam com incrível facilidade. Às vezes,
os danos são de conseqüências quase que
irreparáveis, sendo inevitável a substituição
do componente.
Alguns contrabaixos possuem chave de comutação
de captadores. Essas deverão passar pelo mesmo processo
que os potenciômetros para a limpeza. O produto será
injetado internamente nas partes inferior e superior. Em seguida,
deverão ser mudadas suas posições repetidamente
para que a limpeza se efetue por completo.
No jacks, a limpeza se dá através de um cotonete
embebido na solução limpadora (álcool
isopropílico) e inserido diretamente no interior do
componente (FOTO 16). Algumas vezes, o mau contato se dá
por falta de pressão nas garras internas de contato
do jack . O procedimento a ser adotado é apertar as
garras com os dedos (FOTO 17) para promover uma melhor pressão.
Alguns contrabaixos possuem jacks de formato cilíndrico
e selado (FOTO 18). Para este tipo não é possível
promover melhor contato através de reapertos em garras
ou algo semelhante, uma vez que são selados –
apenas o procedimento de limpeza poderá ser feito.
Caso não solucione, a peça deverá ser
substituída.
Gostaria de salientar que, tanto potenciômetros quanto
as chaves, após algum tempo, terão que ser substituídos
devido a desgastes, não oferecendo nenhuma despesa
exorbitante ao proprietário.
Continuando com a limpeza, fazendo uso novamente da escova
de sapatos de cerdas macias ou do pequeno espanador, retira-se
cuidadosamente detritos e poeira provocada tanto pela limpeza
da escala quanto da parte elétrica para não
provocar nenhum dano à pintura do corpo do instrumento.
Em seguida, deve-se então encerá-lo. Não
é que não se deva usar ceras automotivas; o
uso freqüente deste produto, por serem de uma abrasividade
maior do que os produtos destinados a este fim, pode agredir
de forma a retirar pequenas camadas de verniz do contrabaixo.
De qualquer forma, de posse, ou da cera ou de produtos mais
específicos, aplique em um chumaço de algodão
hidrófilo (o mesmo usado para curativos) e espalhe
por todo o corpo do instrumento (FOTO 19). Após alguns
segundos, retire e dê brilho com um pouco de algodão
seco - estará pronto o polimento.
No momento de encerar, não é conveniente o uso
da flanela.
Afinal, pode haver algum detrito ou sujeira abrasiva nela
que, possivelmente, irá riscar seu instrumento. Com
o algodão, não se corre esse risco. Uma vez
que, depois de usado, normalmente é jogado fora.
Observação: pequenos defeitos da pintura ou
riscos algumas vezes podem ser sanados com um polimento mais
severo. Entretanto, seu luthier é mais indicado para
tal serviço, uma vez que pode-se comprometer a integridade
da pintura.
A parte de trás do braço deve ser limpa com
algodão seco (FOTO 20). A utilização
de cera ou polidores segura a ação da mão
de certos músicos. Tal processo químico é
possível quando o suor se mistura com o produto aplicado,
criando uma espécie de “cola” que restringe
um pouco a tocabilidade. Entretanto, não é sempre
que o suor provoca isso. Aliás, esse fator pode variar
de músico para músico. Os escudos também
podem ser encerados com polidores e algodão.
Finalizada esta etapa, chega o momento da colocação
do novo encordoamento. Sugiro sempre aos meus clientes que
cortem um pequeno pedaço das cordas para que não
sejam enroladas totalmente nas tarraxas, e desta forma possam
gerar dificuldades na estabilização da afinação.
É correto que comprimentos maiores são mais
úteis quando as cordas se arrebentam, pois às
vezes há possibilidades de reaproveitamento, não
obstante como dito acima há sempre o risco do comprometimento
na rápida fixação da afinação.
Com relação à conservação
das cordas é importante saber que sua durabilidade
caminha paralelamente com a situação orgânica
que o instrumentista se encontra. Ou seja, se a quantidade
de ácido úrico contida no suor determinará
também, como dito anteriormente, o quanto a corda durará,
assim como em que velocidade será o desgaste das peças
de metal do instrumento. Existem pessoas que suam demais nas
mãos.
Essas,
mesmo não tendo excesso de ácido úrico,
apenas pelo excesso de umidade, provocarão um desgaste
mais acentuado nas cordas e também nas demais partes
de metal. Mas há aqueles que suam em demasia nas mãos
e também têm ácido úrico em abundância.
Para esses, é comum as cordas enferrujarem em curto
espaço de tempo. Ao menos por enquanto, não
existe nenhum líquido milagroso que possa evitar tal
processo de deterioração.
Então, após o uso do contrabaixo seque as cordas
com um pano que não solte pêlos - flanela não
serve. Os produtos disponíveis no mercado não
prolongam muito a vida das cordas. Alguns deles possuem um
óleo para reduzir a corrosão e álcool
isopropílico para limpeza. Lembre-se também
de que somente o pano oferece bons resultados.
Então
ele deve ser utilizado desde a troca do encordoamento já
que, uma vez começado o processo de corrosão,
fica impossível retroceder. Em determinados casos,
o uso de produtos abrasivos, como Kaol, e Braço, por
exemplo, detém o processo e às vezes até
retira a ferrugem. Entretanto, a sonoridade e a afinação
das cordas ficam comprometidas.
Portanto,
a limpeza e a secagem preventiva das cordas são a melhor
alternativa para a conservação das mesmas. Sugiro
como alternativa, um produto caseiro feito com óleo
de máquina e álcool isopropílico na razão
de 50% para cada um deles, como feito anteriormente. Utilize
uma vez por semana em todas as cordas, com o auxílio
de um pano que não solte pelos, para minimizar mais
ainda os efeitos do envelhecimento precoce das mesmas.
Todos estes procedimentos, se feitos periódicos e corretamente,
prolongarão tanto a vida útil de trastes, pontes,
parafusos e componentes em geral do seu contrabaixo, quanto
da regulagem feita anteriormente pelo seu luthier. Cada contrabaixo
possui características individuais que devem ser tratadas
com exclusividade. Contudo, estes procedimentos genéricos
servem para todos os tipos, mas não isenta de consultas
periódicas ao seu luthier de confiança.
Um abraço e até a próxima.
Edmar Luighi
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