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Vida longa ao seu baixo

Olá amigos da Cover Guitarra! Nosso intuito, nesta edição especial, é orientá-lo com alguns direcionamentos que, com certeza, farão com que vocês prolonguem a “saúde” de seu contrabaixo evitando assim visitas precoces ao seu luthier. Além do mais, problemas graves muitas vezes são oriundos da falta de pequenos procedimentos e cuidados, que quando utilizados evitam o surgimento de simples desajustes que mais tarde tornam-se quase que irreparáveis.

Por: Edmar Luighi

Para começar, é importante, no momento da compra, caso o instrumento a ser adquirido seja usado (porque quando novo a garantia nos protege) seguir algumas dicas para que façamos um bom negócio.

Primeiramente deve-se verificar o estado do braço do instrumento – se está muito côncavo (FOTO 1), ou convexo (FOTO 2). Em caso positivo, certificar se o tensor (FOTO 3) tem condições de corrigir tal imperfeição. Caso haja dificuldade no diagnóstico por falta de conhecimento, recorra a algum luthier, ou questione o lojista que, no caso de um diagnóstico negativo a este respeito por parte do seu luthier, se o negócio poderá ser desfeito nas próximas horas.

Verifique também, o estado dos trastes – se estão muito amassados, ou baixos demonstrando assim que já foram realizadas diversas retíficas, e que você terá que, no futuro próximo, trocar estes trastes por novos, e desta forma desembolsar algum numerário.

Pontes emperradas, com parafusos enferrujados podem ser sinônimo de problema uma vez que a regulagem do instrumento pode ficar comprometida com o mau funcionamento deste importante acessório. Se houver condições, teste os saddles da ponte (FOTO 4) para saber se os parafusos não estão emperrados. Muitas vezes é possível ao luthier, com uma boa limpeza e lubrificação, desemperra-los. Contudo, muitas vezes, apenas a substituição do saddle e até mesmo da ponte solucionará o problema.

Por outro lado, potenciômetros e chaves ruidosos ou com falhas podem ser sinônimo apenas de uma falta de limpeza. Gire repetidamente os potenciômetros e chaves para perceber se o ruído ou falha cessa por alguns instantes. Se sim, a chance de uma boa lubrificação ser suficiente, é grande.

Nas tarraxas é mais difícil de detectar defeitos. Contudo, podemos avaliar o aspecto do cromo que poderá denotar o tempo de uso ou o cuidado que foi despendido às mesmas.

Se o circuito for ativo, verifique se todas as funções de equalização estão funcionando – grave, médio, agudo, balanço, volume – e se cumprem seu propósito. Peça sempre dicas para seu luthier, com relação às características e/ou problemas mais freqüentes do modelo que estiver adquirindo.
Vamos falar agora sobre conservação e manutenção preventiva periódica do contrabaixo, que você mesmo poderá operar em seus instrumentos.

Para começar, o instrumento quando não estiver em uso, e não possuir um case rígido próprio para transporte ou repouso, é bom que seja acondicionado com as cordas voltadas para baixo, apoiadas na superfície plana, seja em um soft bag ou não (FOTO 5). A superfície pode ser em cima ou embaixo da sua cama, sobre o guarda-roupa, sobre a mesa da cozinha.....Só considere que o lugar não pode ser nem úmido, nem com temperatura muito elevada. A razão das cordas voltadas para baixo é que desta maneira toda a superfície do braço ficará apoiada, impossibilitando assim que haja empenamentos ou torções causados por falhas de acondicionamento.

Um procedimento utilizado antigamente, e que hoje além de ineficaz é prejudicial ao braço do seu contrabaixo é o de afrouxar as cordas quando o mesmo não estiver uso. Tal operação era recomendada, pois os instrumentos de outrora não possuíam tensores ajustáveis. Então o alívio das cordas causava uma melhoria na concavidade do braço e desta forma tornava-o mais confortável por algum tempo. Hoje em dia, o uso deste procedimento pode causar um empenamento contrário pois a força atuante do tensor sem a contra força das cordas poderá causar tal deformidade.

Sugiro que os procedimentos a seguir sejam operados a cada 45 ou 60 dias não importando se houver ou não a substituição do encordoamento, pois se referem a uma manutenção preventiva e de “higienização” uma vez que, suor, poeira e a própria umidade do ar, impregnam a madeira, o hardware e demais componentes prejudicando assim, além do seu funcionamento, a vida útil do seu contrabaixo.

Primeiramente, é preciso deixar claro que, por mais que um contrabaixo esteja regulado e revisado, a necessidade de visitas periódicas ao luthier, para consultas seguidas de diagnósticos precisos, se faz obrigatória, principalmente, em contrabaixos de 5 e 6 cordas, uma vez que, por possuírem maior número de cordas, sofrem tensões muito maiores em seus braços correndo risco de torções e empenamentos mais facilmente do que os contrabaixos de 4 cordas.

A troca de encordoamentos se dá nos contrabaixos mais diretamente ligada a necessidade pessoal de cada músico e sua condição financeira uma vez que o custo dos bons encordoamentos são bastante elevados. No entanto sugiro que o musico que toque diariamente não deixe de trocá-los a cada 4 a 6 meses, pelo menos. Importante lembrar que a durabilidade do encordoamento está ligada diretamente à qualidade do mesmo e ao cuidado despendido à ele. Instrumentistas que suam bastante nas mãos tendem a reduzir o tempo de vida de seus encordoamentos, ainda mais aqueles que possuem ácido úrico elevado em seus suores.

Primeiramente, retire as cordas e verifique se não há nenhum traste amassado ou “frisado” (marcado). Se encontrar algum, procure um luthier para que ele efetue um serviço de retífica de trastes para que seja sanada tal imperfeição. Algumas vezes se faz necessário a substituição dos trastes. Porém, se apenas estiverem sujos, sem brilho ou amarelados, a manutenção sugerida a seguir corrigirá esse aspecto.

Para limpar trastes e escala, deve-se isolar captadores, chaves e todos os orifícios e entradas do compartimento elétrico com fita adesiva (FOTO 6) evitando assim que os detritos provenientes da limpeza grudem em componentes como, por exemplo, chave ou potenciômetro, o que certamente poderia senão danificá-los, impedi-los de operar perfeitamente.

Com cuidado e pouca pressão, passe a palha de aço da mais fina que encontrar, sobre os trastes (FOTO 7). Isso retira os fragmentos de ferrugem deixados pelas cordas velhas. Dessa forma, eles se tornarão lisos e polidos para um melhor desempenho.

Posteriormente, usando apenas um pedaço maior do mesmo tipo de palha de aço, remova da escala a gordura que foi deixada pelas mãos. Esfregue-a levemente e em movimentos circulares (FOTO 8). Deve-se fazer isso apenas em escalas escuras - jacarandá e pau-ferro, por exemplo. As escalas claras - como maple e marfim - normalmente recebem verniz ou seladora, por isso a palha de aço pode riscar ou tornar sua superfície fosca. Neste caso, basta um polimento com flanela seca ou chumaço de algodão com um pouco de cera do tipo automotiva, no caso de estarem um pouco áspera ou sem brilho algum.

O procedimento de limpeza para contrabaixos com braços fretless é um pouco diferente. Após retirada as cordas, e isolado os componentes com fita adesiva como descrito acima, basta apenas um algodão embebido em álcool isopropílico que é aplicado na escala (FOTO 9) com o intuito de eliminar gordura deixadas pelas mãos, e resíduos de ceras de polimento. A seguir, os procedimentos são os mesmos tanto para contrabaixos com ou sem trastes.

O próximo passo é tirar da escala e do corpo do instrumento os resíduos deixados pelo processo anterior. Isso deve ser feito com cuidado para que nenhuma parte do instrumento seja danificada. Com um pequeno espanador ou uma escova de sapatos de pelos macios retiram-se a poeira e as limalhas de ferro da palha de aço - a fita adesiva branca, que cobre os captadores e a chave, ajuda a visualizar melhor, se ainda resta algo grudado nas proximidades dos captadores, uma vez que estes, por possuírem imãs, exercem uma atração magnética sobre detritos de metais. Passe delicadamente a escova para que não haja nenhum tipo de agressão à pintura. Depois, retira-se a fita adesiva com cuidado.

Com uma pequena esponja, passa-se, sobre escala e trastes, um óleo à base de limão. Trata-se de produto específico que limpa e hidrata a escala deixando-a com um aspecto natural, sem brilho intenso, porém sem ressecamento. Ele pode ser encontrado em algumas lojas de instrumentos musicais. Pode-se também utilizar várias combinações caseiras que funcionam quase tão bem quanto o específico.

Sugiro a mistura de álcool isopropílico com óleo lubrificante de máquina (estes encontrados com facilidade nos supermercados), na razão de 50% para cada um deles. Antes de utiliza-lo, agite-o vigorosamente e aplique imediatamente. Uma vez que o álcool e o óleo não são miscíveis entre si, o uso da mistura de forma inadequada pode não surtir o efeito esperado. No caso de um braço fretless, o uso de cera liquida ou pastosa se faz necessário para complementar o processo uma vez que a escala necessita ficar “encerada” para melhor deslizamento das cordas e das mãos do instrumentista.

As partes de metal do instrumento (hardware), por estarem expostas a um constante risco de oxidação, devido ao suor do músico ou a própria umidade relativa do ar, precisam de um cuidado especial e constante. Adquira uma escova de dente de cerdas macias e a deixe para uso exclusivo de seu instrumento. Com ela, retire a poeira ou outro detrito acumulado na ponte do contrabaixo (FOTO 10). Em seguida, pingue na escova algumas gotas de óleo fino de máquina – o mesmo utilizado anteriormente. Observação: Não servem aqueles em spray pois são mais indicados para destravamento de partes intercambiáveis do que propriamente um lubrificante preventivo.

Então escove novamente a ponte, lubrificando-a. Isso fará com que os parafusos de sua ponte não travem futuramente nem ofereça resistência ao ajuste, e também evitará que apareçam possíveis pontos de ferrugem, além de deixar sua ponte com um aspecto visual muito mais agradável.

As tarraxas devem ser limpas com flanela seca e lubrificadas com o mesmo óleo em toda sua extensão. Isso reduz a possibilidade de aparecerem pontos de ferrugem ou desgaste excessivo do cromo.

Os parafusos de fixação das roldanas em que se prende a correia devem ser sempre limpos e apertados (FOTO 11), pois, quando começam a se soltar, criam uma folga com o passar do tempo que só se soluciona tampando o furo anterior e abrindo outro. As roldanas devem também ser lubrificadas regularmente.

Todos os demais parafusos devem ser limpos e lubrificados com o auxílio de um cotonete (FOTO 12) para uma melhor conservação, assim como, caso seja aparente as terminações superiores dos imãs dos captadores (FOTO 13).

E por falar em captador, a parte elétrica merece uma atenção também especial, uma vez que também é vítima das intempéries do tempo e do uso freqüente do instrumento.

É bastante comum, potenciômetros seja de instrumentos passivos ou ativos, ruírem ao serem girados, causando também falhas e muitas vezes, perda de sinal. Podemos fazer uma limpeza tanto corretiva quanto preventiva para eliminar esses pequenos ruídos. Com o auxílio de uma seringa e agulha, destas facilmente encontradas em drogarias, deve-se injetar diretamente nos potenciômetros álcool isopropílico tanto na parte superior (FOTO 14) quanto na inferior (FOTO 15).

Tal produto químico é extremamente volátil e, por conta dessa característica, evapora com facilidade, não deixando resquícios de umidade ou gordura nos quais poderiam grudar poeira ou ser gerada algum tipo de oxidação. Certos óleos em spray dão a impressão momentânea de que o problema está sanado logo após sua aplicação. No entanto, na maior parte das vezes, o problema volta mais intenso. Isso porque esses óleos limpam os contatos, mas também os engorduram de tal forma que a sujeira e o pó ali se fixam com incrível facilidade. Às vezes, os danos são de conseqüências quase que irreparáveis, sendo inevitável a substituição do componente.

Alguns contrabaixos possuem chave de comutação de captadores. Essas deverão passar pelo mesmo processo que os potenciômetros para a limpeza. O produto será injetado internamente nas partes inferior e superior. Em seguida, deverão ser mudadas suas posições repetidamente para que a limpeza se efetue por completo.

No jacks, a limpeza se dá através de um cotonete embebido na solução limpadora (álcool isopropílico) e inserido diretamente no interior do componente (FOTO 16). Algumas vezes, o mau contato se dá por falta de pressão nas garras internas de contato do jack . O procedimento a ser adotado é apertar as garras com os dedos (FOTO 17) para promover uma melhor pressão.

Alguns contrabaixos possuem jacks de formato cilíndrico e selado (FOTO 18). Para este tipo não é possível promover melhor contato através de reapertos em garras ou algo semelhante, uma vez que são selados – apenas o procedimento de limpeza poderá ser feito. Caso não solucione, a peça deverá ser substituída.

Gostaria de salientar que, tanto potenciômetros quanto as chaves, após algum tempo, terão que ser substituídos devido a desgastes, não oferecendo nenhuma despesa exorbitante ao proprietário.

Continuando com a limpeza, fazendo uso novamente da escova de sapatos de cerdas macias ou do pequeno espanador, retira-se cuidadosamente detritos e poeira provocada tanto pela limpeza da escala quanto da parte elétrica para não provocar nenhum dano à pintura do corpo do instrumento.

Em seguida, deve-se então encerá-lo. Não é que não se deva usar ceras automotivas; o uso freqüente deste produto, por serem de uma abrasividade maior do que os produtos destinados a este fim, pode agredir de forma a retirar pequenas camadas de verniz do contrabaixo. De qualquer forma, de posse, ou da cera ou de produtos mais específicos, aplique em um chumaço de algodão hidrófilo (o mesmo usado para curativos) e espalhe por todo o corpo do instrumento (FOTO 19). Após alguns segundos, retire e dê brilho com um pouco de algodão seco - estará pronto o polimento.
No momento de encerar, não é conveniente o uso da flanela.

Afinal, pode haver algum detrito ou sujeira abrasiva nela que, possivelmente, irá riscar seu instrumento. Com o algodão, não se corre esse risco. Uma vez que, depois de usado, normalmente é jogado fora.

Observação: pequenos defeitos da pintura ou riscos algumas vezes podem ser sanados com um polimento mais severo. Entretanto, seu luthier é mais indicado para tal serviço, uma vez que pode-se comprometer a integridade da pintura.

A parte de trás do braço deve ser limpa com algodão seco (FOTO 20). A utilização de cera ou polidores segura a ação da mão de certos músicos. Tal processo químico é possível quando o suor se mistura com o produto aplicado, criando uma espécie de “cola” que restringe um pouco a tocabilidade. Entretanto, não é sempre que o suor provoca isso. Aliás, esse fator pode variar de músico para músico. Os escudos também podem ser encerados com polidores e algodão.

Finalizada esta etapa, chega o momento da colocação do novo encordoamento. Sugiro sempre aos meus clientes que cortem um pequeno pedaço das cordas para que não sejam enroladas totalmente nas tarraxas, e desta forma possam gerar dificuldades na estabilização da afinação. É correto que comprimentos maiores são mais úteis quando as cordas se arrebentam, pois às vezes há possibilidades de reaproveitamento, não obstante como dito acima há sempre o risco do comprometimento na rápida fixação da afinação.

Com relação à conservação das cordas é importante saber que sua durabilidade caminha paralelamente com a situação orgânica que o instrumentista se encontra. Ou seja, se a quantidade de ácido úrico contida no suor determinará também, como dito anteriormente, o quanto a corda durará, assim como em que velocidade será o desgaste das peças de metal do instrumento. Existem pessoas que suam demais nas mãos.

Essas, mesmo não tendo excesso de ácido úrico, apenas pelo excesso de umidade, provocarão um desgaste mais acentuado nas cordas e também nas demais partes de metal. Mas há aqueles que suam em demasia nas mãos e também têm ácido úrico em abundância. Para esses, é comum as cordas enferrujarem em curto espaço de tempo. Ao menos por enquanto, não existe nenhum líquido milagroso que possa evitar tal processo de deterioração.

Então, após o uso do contrabaixo seque as cordas com um pano que não solte pêlos - flanela não serve. Os produtos disponíveis no mercado não prolongam muito a vida das cordas. Alguns deles possuem um óleo para reduzir a corrosão e álcool isopropílico para limpeza. Lembre-se também de que somente o pano oferece bons resultados.

Então ele deve ser utilizado desde a troca do encordoamento já que, uma vez começado o processo de corrosão, fica impossível retroceder. Em determinados casos, o uso de produtos abrasivos, como Kaol, e Braço, por exemplo, detém o processo e às vezes até retira a ferrugem. Entretanto, a sonoridade e a afinação das cordas ficam comprometidas.

Portanto, a limpeza e a secagem preventiva das cordas são a melhor alternativa para a conservação das mesmas. Sugiro como alternativa, um produto caseiro feito com óleo de máquina e álcool isopropílico na razão de 50% para cada um deles, como feito anteriormente. Utilize uma vez por semana em todas as cordas, com o auxílio de um pano que não solte pelos, para minimizar mais ainda os efeitos do envelhecimento precoce das mesmas.

Todos estes procedimentos, se feitos periódicos e corretamente, prolongarão tanto a vida útil de trastes, pontes, parafusos e componentes em geral do seu contrabaixo, quanto da regulagem feita anteriormente pelo seu luthier. Cada contrabaixo possui características individuais que devem ser tratadas com exclusividade. Contudo, estes procedimentos genéricos servem para todos os tipos, mas não isenta de consultas periódicas ao seu luthier de confiança.

Um abraço e até a próxima.

Edmar Luighi


 

 

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