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Guia Ilustrado da Guitarra – Tudo sobre captadores

"Qual o melhor captador - ou melhor combinação de captadores - para uma determinada guitarra?"

Essa Talvez seja a pergunta que mais aflinge aquele que deseja obter o melhor som para seu instrumento. Mais do que qualquer outro acessório, os captadores são os grandes responsáveis pelos timbres emanados, funcionando como se fossem o coração da guitarra.

Por isso esse livro é essencial para os músicos que buscam incessantemente o "som perfeito"
.

Por: Edmar Luighi

Este capítulo apresenta explicações sobre alguns conceitos e dados técnicos utilizados para caracterizar a qualidade e o desempenho de humbuckers e single coils de maneira geral. Desmistifica certas atribuições e “poderes” dados a eles, e apresenta elementos de cunho determinantes ao funcionamento, e atuação de todas as características referentes ao modelo em questão.

Nos próximos capítulos, comparo alguns captadores entre si com a finalidade de fazer com que o leitor possa ter um “sopro” de conhecimento para, no momento da escolha do captador que melhor adeque-se às suas necessidades, sinta-se mais seguro para digerir as especificações técnicas.

Vamos relembrar alguns conceitos já apresentados no Guia da Guitarra, volume I. Captador é um transdutor de energia, nome este dado a qualquer dispositivo eletrônico ou eletromagnético usado para converter energia física em elétrica. Eles convertem a energia de vibração da corda de um instrumento em impulsos elétricos de corrente alternada, que alimentam o amplificador. Este por sua vez, trata e multiplica a intensidade de tais impulsos e os conduz para um alto falante, que os transforma novamente em energia sonora.

Mais um dado importante a ser lembrado é que captadores de bobina única, assim chamados de single coil, (Foto 01) possuem a característica congênita de gerarem “hum” (ruído), pois suas bobinas são vulneráveis a interferência de radiações eletromagnéticas proferindo ruídos espontaneamente. Para eliminar tal problema, um engenheiro da Gibosn, Self Lover, “deu a luz” em 1955 a um captador então chamado humbucker (Foto 02) que, por ser constituído de duas bobinas enroladas em série, porém defasadas, propiciava que qualquer interferência indesejada passassee por uma bobina com sinal positivo, e pela outra com sinal negativo. Como as duas correntes viajam em direções opostas, elas se cancelavam e o zunido não passava para o amplificador. Para garantir que as bobinas não cancelem também as correntes geradas pela vibração das cordas, a extensão dos pólos relativa a cada bobina tem polaridades magnéticas opostas que anulam por completo este incomodo ruído.

Tal invento gerou, com o passar do tempo, possibilidades de ligações e combinações múltiplas que proporcionam ao instrumento uma gama enorme de timbres e desta forma, grande versatilidade.

No capítulo VI vocês visualizarão diagramas com diversas possibilidades de ligações, e desta forma conseguir possibilidades ímpares de timbres. Porém gostaria de esclarecer que existem outros critérios que podem modificar a sonoridade dos captadores.

Primeiramente é importante frizar que captadores agem diferentemente em cada guitarra, pois cada instrumento possui um tipo de madeira. Mesmo as feitas com o mesmo tipo elas podem ser cortadas de peças diferentes. Desta forma, seu timbre pode ter sido modificado.

Vários elementos interferem na performance de um captador:
- Tipo de madeira;
- Densidade da madeira;
- Desenho do corpo;
- A forma como captador é preso no corpo do instrumento. (Se preso direto na madeira, ou através de escudos ou molduras);
- Qualidade de propagação dos apoios (ponte e capotraste);
- Tipo de trastes que possui o instrumento;
- Regulagem do instrumento;
- Altura dos captadores (proximidade dos mesmos à corda).

Como você percebe tudo é relevante no quesito “resposta dos captadores”. Talvez o maior problema com relação à indicação e/ou julgamento de um captador, seja o fato de que o timbre é julgado através do gosto e referencial. Por exemplo: para um determinado músico, som pesado pode ser aquele que o Steve Morse consegue em sua guitarra; para outro pode ser o falecido Dimebag Darrel (ex Pantera). Ou seja, o referencial de pesado é diferente para cada um, assim como a beleza do timbre é diferente para quem ouve.

Sintetizando, o elemento de maior peso no julgamento do desempenho e da “beleza” do timbre de cada captador é o gosto pessoal, a necessidade e o estilo de cada músico. Então, tudo o que você ler neste livro, seja por especificação técnica do fabricante ou por minha opinião pessoal, não é unanimidade e isso deve ser considerado. Para uma melhor interpretação costumo criar uma escala de valores que funciona como indicador comparativo entre os captadores. Esta escala não possui nenhum critério técnico ou eletrônico que possa ser medido por algum equipamento. Bastam apenas o ouvido e percepção deste que vos escreve. Para que não fique apenas o meu gosto como referência, coloco também a especificação técnica do fabricante para que as informações não sejam tendenciosas.

Um outro ponto relevante é que tais especificações de freqüências dadas pelo fabricante - ou a sugerida por mim ou qualquer outro luthier (como o captador X possua 8 de graves, 6 de médios e 4 de agudos)- significa a predisposição de captação que o humbucker, no caso, possui.

Um microfone feito para captar melhor as freqüências agudas, não faz com que um vocalista que possua o tom grave de voz passe a cantar agudo, e sim atua melhor captando as freqüências agudas que existe na voz do suposto vocalista.

No instrumento, ocorre a mesma coisa. Um captador com 10 de agudos, por exemplo, deve ser entendido como aquele que atuará de maneira perfeita numa que possuir 10 de agudos, trabalhando com excelência, tais freqüências.

De maneira alguma, uma guitarra com timbre "abafado", terá seu som corrigido perfeitamente com a troca de um captador. Uma escolha mais apurada valoriza as freqüências que menos “aparecem”, atenuando aquelas de maior profusão, dando a idéia de uma correção no timbre da guitarra. Contudo, este instrumento não terá o mesmo brilho de um outro construído especialmente para tal característica.

Como dito acima, uso uma escala de 0 a 10 para dar proporção da freqüência de cada captador e para a comparação de "potência de saída" (output). Alguns fabricantes também utilizam métodos semelhantes de comparação e identificação de freqüências, entretanto para identificação do output, empregam uma unidade de medida chamada milivolts (mV), obtida por meio de aparelhos eletrônicos e métodos específicos, o que proporciona uma leitura com melhor exatidão da “potência” do captador. Apenas para ilustrar: quanto maior o valor em milivolts, maior a saída do captador (Força, volume, potencia de modo geral). Nos próximos capítulos, os captadores os quais os fabricantes disponibilizam os valores em milivolts, tais “medidas” estarão também dispostas junto com as demais classificações, para que possam melhor avaliar o captador.
Existe também uma outra referencia de medida bastante utilizada, que é o valor da “resistência” oferecida pelos fios das bobinas (enrolamento total da bobina). A unidade de medida é o “Ohm” O, e a grosso modo também, quanto maior a resistência maior a saída do captador. Ex. um captador de 17k, possui uma resistência de 17.000 ohms, inferior a um modelo de 20K. Todos os elementos de avaliação quando conferidos e somados, proporcionam maior veracidade ao resultado.

Você verá também informações com relação ao tipo de ímã (cerâmico ou alnico). Existem diferenças entre eles desde a sua confecção, ate à sonoridade que ajudam a proporcionar. O magneto em alnico é talvez o mais antigo. É uma liga feita em alumínio, níquel e cobalto. Uma de suas características é "operar" melhor as freqüências de graves, médios e agudos em comparação ao magneto cerâmico. O ímã cerâmico, por sua vez, possibilita a construção de captadores de maior saída que aqueles de alnico.

Neste livro há referências sobre o tipo de alnico utilizado (alnico 2, alnico 5 etc). Esse dado técnico, talvez o menos relevante com relação ao desempenho e qualidade do captador, mostra-nos a capacidade magnética do imã utilizado.

Segundo Arsídio G. Castro Junior, técnico reparador de captadores especializado de marcas como, Seymour Duncan e Dimarzio, o do tipo alnico não indica a qualidade que o captador oferece, e sim a armazenagem de magnetismo que o mesmo consegue reter. Alnico 1, por exemplo, indica que este ímã possui aproximadamente um milhão de linhas magnéticas, por milímetro quadrado (mm²), enquanto o Alnico 5 indica cinco milhões de linhas magnéticas por milímetro quadrado, e assim sucessivamente. (esses valores são aproximados e apenas referenciais) .Isso ajuda a determinar o tipo de timbre, não a qualidade do mesmo.

Segundo fabricantes, uma outra característica interessante desses ímãs é que o alnico, a cada dez anos, perde por volta 50% de sua capacidade magnética, enquanto o cerâmico, a cada 70 anos perde apenas 1% de sua capacidade. É por essa razão que muitos "vintagers" apreciam magnetos em alnico, pois tal propriedade, após determinado tempo assume uma identidade característica de uma época especifica. Alguns imãs precisam ser recarregados após muitos anos.

Box: Vintage é um termo criado na indústria de vinhos para definir a data da colheita. Esse termo é uma combinação de Vint (of the vine = do vinho) com age (time of creation= idade). Desde então o termo vintage é empregado por colecionadores de carros, instrumentos, móveis, e outros, para representar uma peça antiga e original.

Vamos comentar mais especificamente sobre singles, stacks e mini humbuckers, ou humbuckers em formato de single. Uma vez que o single coil gera ruídos (hum) espontaneamente - algumas regiões, como o Brasil, que não possui o terceiro pólo na tomada de força (terra) (Foto 03) – este torna-se ainda mais proeminente. Para tentar sanar tal problema, fabricantes de captadores desenvolveram um modelo semelhante a um humbucker, (com duas bobinas) porém reduzidas, e sobrepostas ao invés de paralelas, e batizaram-no de "Stack", (Foto 04) que traduzindo ao pé da letra significa empilhar. Outro detalhe importante, é que o single coil tradicional opera apenas com um imã, (independente das extensões polares aparentes) (Foto 05) enquanto o stack utiliza 6 magnetos independentes que transpassam as bobinas. Semelhante em aparência ao tradicional single, mas sem o “genético” ruído. A função do Stack é apenas de cancelar o ruído, e tentar preservar as características sonoras de um single tradicional. Embora, em tese, ele se pareça com um humbucker, não é considerado como tal. Mesmo atingindo a meta de eliminar o "Hum", alguns músicos não sentem-se satisfeitos com esse captador, argumentando que parte da cristalinidade inerente ao single coil, é perdida.

Fabricantes no mundo inteiro estão sempre criando novos modelos, para tentar satisfazer os ouvidos mais apurados. Paralelamente aos stacks existem os humbuckers em formato single, ou também chamados de "mini humbuckers". Estes sim, agem como humbuckers em toda sua extensão, além de fabricados como tal (duas bobinas em um único imã). Eles possuem diversas configurações de extensões polares, como barras paralelas, parafusos fixos ou ajustáveis, trilhos, etc. (Foto 6a, 6b, 6c, 6d) e podem ter a sutileza de um brando humbucker, e a saída e o ataque de um captador poderoso. Contudo, é importante salientar que muito embora possa ter o output de um humbucker tradicional (assim com suas freqüências) a área de "captação" de um mini humbucker é menor (Foto 07) do que um humbucker propriamente dito (Foto 08) uma vez que o mesmo é do tamanho de um single. Desta forma, a região captada na guitarra também será menor, e, por conseguinte, freqüências e corpo do som podem ser atenuados (ou até intensificados, dependendo do caso), de maneira geral.

 

Embora os humbuckers em formato single, se adequam melhor aos espaços já dispostos nas guitarras (como nas strato), e substituam com louvor os tradicionais humbuckers em alguns casos, ainda assim não podemos dizer que são absolutamente iguais. Em alguns casos o humbucker ainda é mais indicado. Consulte sempre seu luthier de confiança no momento da substituição de um captador, ou quaisquer outras customizações.


Edmar Luighi


 

 

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