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Braços empenados têm solução

Ola amigos da cover baixo. Nessa edição vamos abordar um tema bastante presente na vida dos contrabaixistas. Braços empenados ou torcidos.
Eu diria que por uma estatística pessoal, que 70% dos baixistas sofrem desse problema seja em pequena proporção ou ate daqueles que torna o instrumento impraticável.

Parte desse problema se da por falta de manutenção periódica no instrumento. Regulagens completas anuais, pequenas correções no mínimo trimestrais na concavidade do braço, mudanças de tensão de cordas com os ajustes necessários no tensor, garantem uma melhor conservação da integridade do braço do contrabaixo. É bem verdade que muitos instrumentos já vêm de fabrica com esse tipo de problema, e com o uso se evidencia mais a anomalia. Contudo, esse empenamento, ou torção gera ação de cordas altas, (não é possível abaixa-las porque aparece trastejamento) afinação ocilosa e discrepante pelo braço, trastejamentos leves e contundentes, ou seja – Compromete muita a tocabilidade do instrumento. Mas, tem cura!

Por: Edmar Luighi

Primeiramente vamos entender melhor o que é empenamento.

Consideramos empenamento quando o arqueamento do braço está tão côncavo ou convexo que o tensor já não consegue corrigir. Qualquer uma das situações pode ser causada como dito acima, por falta de ajustes preventivos, exposições a altas temperaturas, falha na fabricação ou pelo uso incorreto do próprio tensor.

Consideramos um braço torcido quando o arqueamento na parte das cordas mais graves (Mi e Lá, no caso de um contrabaixo de quatro cordas) não coincide com o das cordas mais agudas (Sol e Ré, considerando também um contrabaixo de quatro cordas). O ajuste no tensor não consegue reverter tal falha. Pois, ao apertá-lo para a correção da concavidade de um dos lados, torna-se o outro convexo. Os contrabaixos com dois tensores ajudam a corrigir melhor este problema.

Outra razão que pode gerar tais problemas é a forma displicente, de acomodar o instrumento quando não está em uso. Não se pode, por exemplo, deixá-lo por muito tempo descansando sem nenhum apoio sob o braço. O pior acontece quando o instrumentista o transporta dentro do porta-malas de seu carro com temperatura ambiente alta - nesses casos, em aproximadamente uma hora sob o sol, o calor interno do porta-malas será três vezes maior ao externo, o que fará o braço empenar ou torcer. Madeiras úmidas tendem a, no futuro, gerar tais alterações também.

É bem verdade que a torção no braço de um contrabaixo é quase impossível evitar que ocorra, todo esforço e cuidado é para retardá-la. Entendam porque - Tomamos como exemplo um baixo de cinco cordas - A corda Si e a Mi, exerce uma tensão na lateral superior do braço, muito maior do que a Ré e a Sol exerce na lateral inferior. Desta forma se o instrumento não possuir dois tensores, fatalmente irá torcer. O ideal é que a torção ou o empenamento aconteça, de forma moderada e somente após alguns anos de uso, quando já for necessária a troca dos trastes por desgaste e assim dessa forma, o luthier já aproveita para corrigir a deformidade.

A seguir descreverei alguns procedimentos que eu e outros colegas luthiers utilizamos para corrigir tais deformidades. Atento-lhes que tais procedimentos não são as únicas maneiras de corrigir os defeitos citados acima, portanto, alguns luthiers podem se ater a outros meios para conseguir resultados, muito embora, asseguro-lhes que pode mudar a forma de trabalho, mas, a solução é só uma: Replainar a escala.

A replainagem de escalas tem como objetivo a correção das deformidades, independente de serem torções ou arqueamentos acentuados de forma côncava ou convexa. Esse processo também é indicado na troca de trastes gastos ou muito amassados.

Uma vez detectado o problema, são retirados os trastes com cuidado para não lascar a escala. Para isso, o luthier aquece-os – cada profissional pode utilizar um método diferente, como ferro de solda e soprador térmico, entre outros - e depois, com auxílio de uma ferramenta que atua como uma alavanca - particularmente utilizo formão (foto 01) - faz-se a remoção deles. Depois de retirados todos os trastes, a escala é lixada levemente apenas para extrair possíveis imperfeições deixadas pelo processo anterior. Em seguida, com o auxílio de uma régua, ou através de uma verificação visual das laterais do braço (foto 02) detecta-se o grau de empenamento ou torção a fim de ajustar previamente o tensor para o melhor equilíbrio da curvatura do braço. Importante frisar, que só um luthier experiente consegue apenas visualmente detectar essas variações.

Começa-se, então, a plainar a escala. Cada profissional pode empregar nesse processo um tipo de ferramenta. Eu utilizo uma prancha de compensado muito bem alinhada, revestida de fórmica de ambos os lados. Dependendo do tamanho da irregularidade, há uma variação na “abrasividade” da lixa - costumo usar as lixas de n. 36 e de n.80 respectivamente. Não se deve lixar muito tempo seguidamente, pois o calor gerado por esse processo pode empenar a escala. (foto 03) De tempos em tempos durante o processo, deve-se verificar por intermédio de régua e da visualização longitudinal das laterais do braço o quanto está avançado o trabalho de retífica da escala, observando se o empenamento está sanado ou a se a torção foi corrigida.

Quando efetuo da operação, costumo deixar o braço do contrabaixo no mínimo reto com o tensor totalmente solto, pois, as cordas quando tensionadas já exercerão uma grande força que tornará o braço côncavo. Se, após a plainagem o braço ainda estiver côncavo, com a tensão das cordas poderá o tensor ter que atuar quase que no limite. Em alguns casos por cautela, prefiro deixar o braço do contrabaixo um pouco convexo.

Verificado o sucesso da operação, o luthier refaz o abaulamento da escala (radius) (foto 04) que às vezes é retirado por completo, dado ao uso da lixa no processo anterior.

Uma vez concluída mais essa etapa, com o auxilio de lixas finas de numero 100, 180, 220, e 600, é retirada os riscos da escala deixada pelos processos anteriores, (foto 05).

Em seguida o luthier reabre as cavidades destinadas aos trastes, cuidadosamente para não riscar nem arranhar a escala, utilizando uma serra destinada comumente para essa finalidade, (foto 06) e aí então é só trastar novamente a escala. Os novos trastes são encaixados com o auxílio de um martelo de plástico rígido. (foto 07) e depois de colocados, são limados lateralmente com uma lima de superfície chata de média abrasividade (foto 08). Esse processo é importante e é feito com muita atenção porque qualquer falha às vezes poderá danificá-los de maneira irreversível. A seguir serão colados na escala, ou com uma seringa de vidro e agulha (foto 09) ou com o próprio tubo de uma cola adesiva de média aderência (foto 10) Em seguida, deverá ser feito um pequeno Fret Work (Vide Edição passada da CB) para corrigir qualquer irregularidade que tenha surgido depois da retífica da escala e do assentamento de trastes.

E finalmente o instrumento é montado, colocando cordas e fazendo as regulagens necessárias. Em 95% dos casos o contrabaixo que passa por esse processo fica com uma tocabilidade muito melhor do que antes mesmo de ter apresentado algum defeito. Isso porque o trabalho efetuado no braço fora feito de forma natural, paulatinamente, supervisionado, e o principal é que o instrumento fora tratado como único, ao contrário, de quando fora construído, que se sucedeu em serie e de maneira industrial.

Esse serviço também pode ser executado quando o musico não se está satisfeito com o grau de abaulamento de sua escala, ou quando os trastes já estão gastos, ou então baixos, ou então quandosimplesmente quer adequar sua escala ao seu gosto pessoal.

Saiba mais detalhes sobre esse tipo de serviço e outros no “Guia Ilustrado do baixo” lançado também pela editora HMP, no qual eu descrevo esses processos de forma menos sucinta.

Por hoje é só pessoal!
Até a próxima!

Edmar Luighi


 

 

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