Neste
link você encontrará as perguntas mais
frequêntes que tenho respondido, através
de e-mails ou workshops.
Ultima
postagem 01/11/2003
“O
que é melhor: um single coil tradicional, ou
single de bobina dupla?”.
Na
verdade singles de bobina dupla, são humbuckers
de bobinas sobrepostas em formato single. Mesmo produzindo
timbres muitas vezes idênticos aos singles tradicionais,
pelo fato de possuírem duas bobinas enroladas
defasadas entre si, os caracterizam humbuckers.
Normalmente os singles de bobina dupla são usados
com intuito de não gerarem ruído como
os singles tradicionais, como o de uma Strato, por exemplo.
Esses singles de bobina dupla podem gerar timbres semelhantes
aos de um single coil ou até mesmo tão
forte quanto a um humbucker tradicional.
Lembrando mais uma vez que eles mantém as mesmas
características dos humbuckers, só que
as bobinas possuem tamanhos reduzidos e são sobrepostas
uma sobre a outra ao invés de paralelamente como
em um humbucker tradicional.
Há guitarristas tradicionalistas que afirmam
que esses humbuckers camuflados não imitam por
completo os singles tradicionais, mas muitos desses
músicos acabam cedendo à modernidade por
não agüentarem por muito tempo os ruídos
produzidos pelos single coils tradicionais. Por isso
acho um tanto difícil estipular qual deles é
o melhor, uma vez que os argumentos comparativos giram
em torno do gosto pessoal de cada músico. Entretanto,
a título de tecnologia, silenciosa por sinal,
prefiro particularmente os singles de bobina dupla.
Nas edições 50,51,70 e 71, da cover guitarra,
no livro “Guia ilustrado da guitarra” escrevi
mais sobre captadores.
Os
potenciômetros e chaves de minha guitarra estão
sempre raspando. Levo a um luthier, e ele limpa essas
peças, e o instrumento fica bom. Após
algum tempo, o problema volta a acontecer. Não
existe alguma solução mais efetiva, ou
pelo menos algo que eu mesmo possa fazer em casa, mesmo
que paliativamente?
Na
edição de número 62 da Cover Guitarra
e no livro “Guia Ilustrado da Guitarra’
comento bastante sobre esse assunto. Entretanto, darei
algumas dicas.
De efetivo, apenas trocando os componentes. Existem
dois fatores que fazem com que os potenciômetros
e chaves raspem ou falhem: desgaste dos contatos ou
sujeira nos mesmos.
Em qualquer um dos casos, uma limpeza minuciosa com
álcool isopropílico ou benzina resolvem
o problema. Porém se os contatos é que
estão deteriorados, após alguns dias ou
semanas o problema volta a acontecer, e por isso a substituição
dos componentes é a única solução.
Pode acontecer desses componentes se sujarem freqüentemente
por razão do músico morar em cidades litorâneas,
quando a salinidade contida no ar fará gerar
maus contatos, ou em lugares onde o instrumento permanece
com grande quantidade de poeira, ou até mesmo
o músico com suor em excesso fará com
que aumente a propensão a maus contatos.
É sempre melhor levar um instrumento a um profissional
da área para um melhor diagnóstico, porém
em uma emergência tome as seguintes providências.
Compre em uma farmácia uma seringa descartável
Em uma loja de artigos para eletrônica compre
um frasco de álcool isopropílico Coloque
o álcool nessa seringa e aplique na chave e potenciômetro
fazendo posteriormente os movimentos tradicionais de
cada componente (Ex.:girar o potenciômetro para
um lado e para o outro). Esse procedimento deverá
fazer com que os maus contatos parem. Em caso algum
use óleo ou silicone (tipo WD), pois embora resolva
o problema momentaneamente, o óleo contido nesses
produtos atrai como um imã a poeira, fazendo
com que, ao contrário do desejado, os componentes
apresentem os problemas novamente.
“Meu
violão elétrico quando ligado, uma ou
duas cordas ficam com o volume menor que as demais!
Devo trocar o captador ou o equalizador”?
Na
maior parte das vezes, nenhum! Essa falta de uniformidade
de volume entre as cordas se dá quase sempre,
por falta de pressão das cordas sobre o rastilho/captador.
Esse sistema de captação funciona através
de um captador colocado em sua cavidade no cavalete
e o rastilho em cima dele..Por sobre ambos passa as
cordas. Agora, se o “piso” da cavidade onde
esta colocado o captador estiver irregular, ou se a
parte inferior do rastilho onde apóia no captador
não estiver perfeitamente reta, ou ainda, se
as cordas não estiverem fazendo pressão
suficiente sobre ambos, teremos, uma falta de uniformidade
de volume entre as cordas.
Isso acontece por falta de regulagem, desgaste natural,
ou as vezes, por um pequeno descuido do luthier no momento
da regulagem. Para se abaixar a ação de
cordas de um violão, um dos pontos de ajuste
é o desbastamento da parte inferior do rastilho.
Se isso não foi feito de forma uniforme, ou não
se providenciou o aumento de pressão das cordas
sobre ele após o ajuste, “pintou o problema”.
É claro que algumas vezes o problema realmente
é defeito no pré ou no captador, entretanto
não é comum.
Então no momento que aparecer o problema, não
se desespere a procura de um novo sistema. Vá
ao seu luthier, ele com certeza corrigirá esse
problema.
“Quanto
das cordas devo enrolar nas tarraxas para reduzir a
desafinação”?
É
bem verdade que os comentários a esse respeito
são contraditórios, pois os argumentos
são que se enrolar poucas voltas, as cordas desafinam
por escapar das tarraxas. Se enrolar muito, desafinam
por afrouxarem devido a quantidade de voltas. Ambos
argumentos estão certos. Entretanto é
o exagero que cria o problema.
Enrolar demais as cordas na tarraxa realmente causa
desafinação. Isso pode ser verificado
fazendo o seguinte teste: Afine o instrumento, e logo
após puxe a corda contra a tarraxa você
verá que a corda baixará a afinação
de ½ até dois tons, e isso se repetirá
varias vezes.
Isto se dá principalmente nas cordas graves,
porque por serem grossas, suas voltas não assentam
perfeitamente uma sobre as outras, e além disso
a quantidade faz com que isso se torne ainda mais difícil.
"Qual
captador devo escolher para Ter mais timbre e potência
em minha guitarra?"
Em
primeiro lugar é importante lembrar que “timbre”,
“potência”, “ataque” e
“sustentação” são características
julgadas mais determinantemente a partir do gosto de
cada um. Por exemplo: “Gostaria de um captador
com bastante ataque.” Bastante ataque para fazer
um som no estilo Rithie Blackmore, do Deep Purple; Eddie
Van Halen, do Van Halen; ou Dimebag Darrell, do Pantera?
Cada um dos captadores de cada músico que citei,
possui um “ataque forte”, entretanto diferentes
tanto na força, quanto no timbre. É importante
ter em mente quando escolher um captador para seu instrumento,
ao menos como referência, um guitarrista que toque
com o som e o timbre semelhantes aos que você
deseja.
Evidentemente, cada captador interage de forma diferente
em cada guitarra, no entanto ter em mente ao menos um
esboço do que se quer obter já é
um bom começo para selecionar seu captador.
Deve-se lembrar também que a forma como é
fixado o captador , se é em escudo ou diretamente
na madeira , diferencia a resposta do mesmo.
A espessura do corpo também é responsável
pelas diferenciações sonoras. Um corpo
mais espesso ajuda o captador a produzir um som mais
gordo do que um corpo menos espesso . É claro
que o tipo de madeira é determinante no aspecto
espessura. Podemos sentir diferenças no som com
relação a espessura da madeira, porém
só podemos comparar sem ambas as madeiras forem
do mesmo tipo, como por exemplo ambas de maple, ou ambas
de mogno.
O mogno, por exemplo, permite uma sonoridade “mais
gorda” do que o maple. Então não
seria prudente fazer nenhum tipo de comparação
quanto a espessura, se a outra madeira não for
o maple. Entretanto o maple com relação
ao mogno, normalmente permite um timbre mais definido,
superficialmente falando.
Como vocês podem perceber, para escolha de um
captador, vários aspectos determinantes devem
ser observados. Citarei a seguir algumas dicas, que
em minha opinião, no momento da escolha de um
captador são de extrema importância.
· Tenha ao menos uma idéia do timbre que
gostaria de conseguir;
· Procure saber características do seu
instrumento (tipo de madeira, características
sonoras predominantes);
· Procure pesquisar em lojas, distribuidores
e luthiers, catálogos de captadores, pois neles
vêm descritos timbres e freqüências
predominantes de cada um.;
· Procure um luthier de confiança ou músicos
mais experientes nessa área para maiores informações;
· Não compre um captador só porque
um músico conhecido seu, colocou na guitarra
dele e você gostou, a menos que a guitarra dele
seja idêntica a sua.
Se você seguir essas dicas, com certeza terá
maior probabilidade de acerto na hora da escolha.
"Rollernut
é a melhor solução para o problema
de cordas travarem no nut (capotraste) convencional?"
Realmente
o Rollernut é a melhor solução
para o problema do travamento das cordas, dado que ele
possui roletes metálicos os quais impossibilitam
a paralisação da corda tanto com o uso
do trêmolo, quanto com o uso comum e freqüente.
Porém quero salientar que em um nut comum pode
ser ajustada a profundidade de seus canais individualmente
através de limas específicas, (profissionais
!) afim de que se obtenha uma ação de
cordas mais homogênea com relação
a curvatura do abaulamento da escala (radium) ou ao
gosto do músico.
Apenas alguns Rollernut possuem ajustes individuais.
Os que não possuem, não podem ser ajustados
por limas, pois se danificarão.
A sugestão é procurar seu luthier na hora
da substituição de um nut convencional
para um Rollernut, afim de que ele verifique se o grau
de abaulamento da sua escala se adequa a do Rollernut
"Possuo
uma guitarra Strato de vinte e um trastes. É
possível adaptar um vigésimo segundo?”.
Em
alguns casos há sim a possibilidade de se instalar
mais um traste. Porém em alguns casos não
existe escala suficiente para fixar o mesmo, e uma emenda
na escala não tornaria a operação
bastante segura, e exporia o músico a uma situação
de risco: no momento em que estivesse usando o novo
traste, ele e a ponta da escala adaptada poderiam se
soltar.
A solução seria a substituição
total da escala por outra dimensionada para 22 trastes.
Contudo, em minha opinião, acho que esse trabalho
não vale a pena, uma vez que o custo dessa operação,
sairia muito alto, pois seria necessário além
da substituição da escala, a colocação
de novos trastes e novas marcações.
Ultima
postagem 04/10/2003
"Se
eu instalar uma placa de circuito ativo em meu baixo,
melhorarei o timbre de meus captadores e acabarei com
os ruídos?"
Uma
placa com circuito ativo normalmente trabalha o “sinal”
antes de enviá-lo ao amplificador. O mecanismo
funciona da seguinte maneira: o captador é transdutor
de energia eletromagnética. Transforma a energia
vibratória da corda do instrumento, em impulsos
elétricos de corrente alternada, e os envia para
o amplificador. Este por sua vez, multiplica a intensidade
de tais impulsos e os conduz ao alto falante, que os
transforma novamente em energia sonora (ver CG n.50)
A
placa com circuito ativo trabalha o sinal captado pelo
captador antes de enviá-lo ao amplificador. O
circuito intensificará ou atenuará as
freqüências (agudos, médios e graves)
de acordo com a regulagem que o músico assim
fizer. Porém, o circuito trabalhará o
sinal apenas após a “leitura e resposta”
do captador. Ou seja, se o captador for do tipo que
gera ruído, o circuito não o eliminará.
O circuito trabalhará o som captado, intensificando
ou atenuando junto com o ruído. As freqüências
“não lidas” pelo captador ou as captadas
em menor proporção, serão tratadas
em igual proporção.
Conclusão:
uma placa de circuito ativo melhora até 100%
o som de um contrabaixo, porém é preciso
que os captadores também tenham qualidade, senão
é melhor substituí-los também.
Antes de colocar qualquer circuito ativo em seu contrabaixo,
consulte um luthier para que ele avalie seu problema,
e lhe ofereça uma solução que seja
realmente eficaz.
"Uso
em meu contrabaixo encordoamento na medida 040. Gostaria
de colocar a medida 045. Há necessidade de regulá-lo
para isso?
Complemente.
A tensão que o encordoamento “040”
exerce sobre o braço, é inferior a que
a “045” exercerá.
No mínimo, se faz necessário ajustar o
tensor aproximadamente um quarto de volta Essa dica
que estou dando é, imaginando que antes da troca
de medida, o instrumento estivesse regulado para 040.
Caso contrário, não terá referencial.
O
mesmo também vale para o contrário. Se
você estivesse usando 045 e quisesse mudar para
040, necessitaria, no mínimo ajustar o tensor.
Só que nesse caso, soltaria-se o tensor, um quarto
de volta. Como no caso anterior, imaginando-se que o
instrumento estivesse regulado para a medida 045.
Sugiro
então, que caso seu instrumento não tenha
estado sobre a supervisão de um luthier nos últimos
tempos, que você procure um para fazer a substituição
de medidas de encordoamentos, pois se um contrabaixo
ficar muito tempo com o braço arcado, tanto para
frente como para trás, além do uso se
tornar desconfortável, o problema pode ficar
quase irreparável, e com certeza se gastará
muito mais dinheiro para arrumá-lo.
“É
verdade que para polir ou encerar a minha guitarra,
preciso comprar aqueles polidores específicos
e caríssimos?”
Não
é verdade. É claro que você também
não pode pegar um polidor qualquer para carro
e passar no instrumento.
Existem instrumentos que possuem a pintura mais delicada,
com menor quantidade de verniz, por exemplo.
Como via de regra, o polimento sempre deve ser feito
por um profissional da área, pois, o trabalho
será melhor executado com as máquinas
de polir, e feito de forma mais homogênea para
que não fiquem manchas e nem áreas com
mais brilho do que outras.
Muitas
vezes, antes de polir um instrumento, se faz necessário
lixa-lo antes com lixas d’água finíssimas
(baixíssima abrasividade) para eliminar um pouco
dos arranhões. Uma pessoa não experiente
poderá danificar o verniz ou até mesmo
a tinta, irreparavelmente de forma que somente uma repintura
repararia o estrago.
Agora,
um enceramento para melhorar o brilho, retirar a sujeira
e deixar mais lisa e deslizante a pintura de sua guitarra,
isso você pode fazer em casa. Vá até
uma loja especializada, e compre um pacote pequeno de
algodão hidrófilo, e cera automotiva com
silicone. Esse material servirá para você
encerar sua guitarra por mais de um ano.
Retire as cordas do instrumento e, com um chumaço
pequeno de algodão espalhe um pouco da cera por
todo o corpo do instrumento Com um pedaço maior
de algodão retire com movimentos circulares a
cera aplicada
O
brilho será o resultado dos movimentos circulares
do algodão limpo contra a superfície encerada
do corpo do instrumento.
Esse
procedimento deverá ser feito apenas uma vez
por mês, na troca do encordoamento, por exemplo,
pois o uso exagerado de ceras limpadoras pode desgastar
a pintura.
Quando quiser limpar o instrumento depois de encerado,
use apenas algodão seco.
"Qual
tinta posso usar em minha guitarra nos lugares onde
a mesma saiu por causa de batidas, por exemplo"?
Na
verdade não existe uma tinta pronta para isso.
Em sua grande maioria, os instrumentos são pintados
com, de três a quatro tipos de tintas diferentes.
O corpo do instrumento quando com a madeira “crua”,
ou seja, sem pintura ou verniz algum, recebe um fundo
aderente transparente, que serve para melhor fixação
da tinta. Em seguida recebe “poliéster”,
que é um fundo nivelador de superfície,
também transparente, e isolante que impede que
a tinta seja absorvida pela madeira, e conseqüentemente
dando aquele aspecto de acrílico após
a pintura concluída.
Posterior ao poliéster, aplica-se a tinta que
pode ser resultado de mistura de várias tintas
até se obter a tonalidade desejada, e por fim
aplica-se mão final de verniz.
Como você pode perceber, não existe uma
tinta pronta com todas essas etapas de pintura. O que
pode ser feito é usar uma tinta acrílica
na cor próxima ao do seu instrumento para disfarçar
o problema.
Pode haver nesse retoque, um desnível de superfície
uma vez que a pintura original envolve também
o poliéster, a tinta e o verniz, e o retoque
apenas a tinta. Para se conseguir um melhor acabamento
é melhor consultar seu luthier para ele verificar
qual a melhor solução a ser tomada.
"A
mizinha da minha guitarra quebra sempre na ponte. O
que eu posso fazer para resolver esse problema"?
Este
é um problema chato de ser resolvido, pois os
procedimentos que ensinarei a seguir, em alguns casos
são apenas paliativos, fazendo com que o problema
retorne no futuro.
O
que acontece é que, mesmo em pontes de boa qualidade,
com o passar do tempo as cordas causam sulgos nos sadles
(carrinhos) da ponte Esses sulgos oferecem rebarbas
ou pontas que acabam por cortas as cordas.
É
claro que pontes de boa qualidade demoram mais tempo
para criar essas rebarbas, devido ao material mais resistente
com o qual são construídas.
O
que podemos fazer uma vez que as cordas estão
se partindo na ponte, é com o auxilio de uma
lima fina de pequena abrasividade, limpar com cuidado
o sadle a fim de eliminar as possíveis rebarbas.
Feito isso, com uma lixa d’água de n.240,
lixa-se o local a fim de tornar ainda mais liso o local
onde a corda passará
Posteriormente,
com o auxílio de uma lixa finíssima de
n.1200, tornamos a lixar, para que assim o local certamente
esteja liso e sem obstáculo algum para as cordas.
Algumas
gotas de óleo no sadle se faz necessário
para garantir que não apareça nenhuma
ferrugem prematura.
Normalmente,
esses procedimentos fazem com que as cordas não
mais se quebrem nos sadles, as vezes apenas por alguns
meses, e as vezes por muito mais tempo. Se o problema
persistir com freqüência após varias
tentativas de nivelamento dos sadles, a solução
é a substituição da peça.
Procure seu luthier de confiança para que ele
avalie melhor o problema do instrumento.
Ultima
postagem 10/09/2003
"O
que fazer para que a minha guitarra, que possui uma
floyd rose, não desafine inteira quando uma corda
se quebra?"
Impossível!
O trêmolo floyd rose atua com uma mecânica
de equilíbrio entre as cordas X mola Uma vez
regulada essa tensão, a ponte trêmolo estará
equilibrada, constando que cordas e molas estão
exercendo "forças" contrárias
como em um "cabo de guerra"(jogo que consiste
em dois grupos de pessoas cada qual em uma extremidade
de uma corda tentando puxar um ao outro). Evidentemente
ao se quebrar uma corda, as molas "vencerão"
o jogo, e o equilíbrio da tensão estará
perdido, daí a desafinação completa.
Não
existe uma forma efetiva de se evitar esse processo,
uma vez que isso é característica do sistema.
Entretanto pode-se travar a atuação da
floyd rose para trás, não permitindo que
ela seja alavancada para cima (subindo a afinação),
apenas para baixo - descendo a afinação.
Consegue-se
isso, levando sua guitarra a seu luthier e pedindo para
que ele ampute esse movimento, travando a parte de baixo
da floyd rose. Essa operação fará
com que mesmo quebrando uma das cordas, as demais não
desafinem. Todavia é importante lembrar que perdeu-se,
talvez mais de 50% dos movimentos que o trêmolo
podia oferecer. Por essa razão é que em
minha opinião travar a floyd rose não
é um bom negócio. Então, se você
não vai adotar essa atitude e não quer
correr o risco de uma corda quebrar em uma situação
importante, opte por uma ponte fixa.
"Não
sou músico profissional. Como posso detectar
se a minha guitarra necessita de uma regulagem?".
Essa
dúvida não é exclusiva para músicos
iniciantes ou amadores. Até músicos profissionais,
às vezes passam da hora de mandar ajustar seus
instrumentos, dificultando com isso os empregos de suas
técnicas. Isso se dá porque o instrumento
não se desrregula de uma hora para a outra. Isso
vai acontecendo aos poucos e o músico, sem perceber
vai se adequando a essas irregularidades.
O
ideal é procurar o seu luthier ao menos duas
vezes ao ano, para que ele possa estar diagnosticando
previamente qualquer irregularidade que possa vir ou
estar acontecendo. Entretanto, não custa ficar
atento a se por exemplo, se os trastes não estão
ficando marcados pelo uso, se a ação de
cordas não está excessivamente alta ou
baixa, ou até mesmo "duras" de tocar,
se o floyd rose apresenta desequilíbrio, ou a
parte elétrica proporciona ruídos ou chiados
ou maus contatos.
"Existe
alguma forma efetiva de se conseguir uma ação
realmente baixa de cordas em uma Strato?".
Se
a ação de cordas que se espera for semelhante
as conseguidas em guitarras como Ibanez, Jackson, Kramer,
e outras, na maioria dos casos só se consegue
realinhando a escala e trocando os trastes de uma Strato.
O
caso é que os tópicos que determinam as
características sonoras invejáveis de
uma Strato são os mesmos que colaboram para críticas
a seu respeito.
O
som brilhante e cristalino de uma Strato é proveniente
de seus captadores single coils instalados em um escudo,
que por sua vez é colocado em um corpo com uma
série de compartimentos cavados que evidenciam
uma considerável ausência de madeira, se
comparada as outras guitarras que citei acima. Isso
tudo aliado a um braço com trastes normalmente
com aspecto fino e baixo, e associado a uma escala bastante
abaulada, determinam esse timbre maravilhoso de uma
Strato.
Entretanto,
esses mesmos captadores e trastes que proporcionam esse
timbre brilhante contribuem para um som estalado e muitas
vezes até "trastejante".
O
grau de abaulamento da escala (radium) intensifica o
problema quando se quer ter uma ação de
cordas baixa e conseguir bends altos.
Existem
outros aspectos que contribuem para o som característico
da Strato, no entanto esses que citei são os
que contribuem mais diretamente para a impossibilidade
de uma ação de cordas muito baixa.
A
solução mais efetiva é reduzir
o grau de abaulamento da escala e colocar trastes de
níquel de tamanho médio jumbo.
Esse
procedimento altera quase em nada o timbre de uma Strato,
contudo o resultado na ação de cordas,
na pegada, na maciez, e nos bends é sensível.
Esse tipo de trabalho só deve ser feito por um
luthier experiente e de sua confiança.
"Escalopar
a guitarra danifica o braço?".
Dependendo
de como for feito o trabalho, não haverá
problema algum em escalopar seu instrumento.
O
escalope não deve, por medida de precaução,
ultrapassar 50% da espessura da escala.
Independente
da espessura da escala, em minha opinião, os
melhores escalopes no aspecto tocabilidade são
aqueles que não ultrapassam 3 milímetros
de profundidade, além do que são os mais
seguros uma vez que a madeira retirada é muito
pouca.
Ao
contrário do que se pensa, o escalope total,
ou seja, aquele que é feito no braço inteiro
é mais seguro no que diz respeito a um possível
empenamento ou torção, do que o parcial,
que é feito da 12° casa em diante. Isto porque
a madeira é retirada por igual, em toda a extensão
do braço, o que não ocorre no escalope
parcial.
O
escalope só deve ser feito em uma guitarra, se
essa oferecer possibilidades seguras para essa operação.
O braço do instrumento não deve apresentar
torções ou empenamento, e a escala deve
ter uma espessura de, pelo menos, 5 milímetros.
Isto
evidentemente é minha opinião!
*O
braço da minha guitarra empenou. Quanto sai um
outro braço novo?
Bem
pessoal, é muito difícil conseguir braço
original de guitarra. No caso do instrumento ser importado,
o importador em questão normalmente traz junto
com um lote de instrumento, braços de reposição
para o caso de eventuais problemas no transporte, ou
se enquanto na garantia o instrumento apresentar alguma
deformidade no braço, e não haver mais
um instrumento para o troca. No entanto esses braços
normalmente não estão disponíveis
à venda.
Na
maioria dos casos quando um instrumento apresenta torção
ou empenamento e esse já estiver fora de garantia,
o músico deve procurar um luthier de confiança
que, na maioria das vezes, esse problema será
resolvido.
Esses
tipos de deformidades no braço ocorrem ou por
exposição inadequada (deixá-lo
muito tempo sob o sol, por exemplo), ou por erro na
fabricação, ou ainda por falta de regulagem,
ou colocação de encordoamentos pesados
sem prévio ajuste, defeitos no tensor.
O
luthier procederá normalmente da seguinte maneira:
retirará os trastes do instrumento, planará
a escala até a mesma tomar a forma retilínea
novamente. Colocará trastes novos, e fará
regulagem do instrumento. Caso o problema tenha sido
muito grave, o luthier poderá trocar a escala,
e aí proceder de acordo com os itens citados
anteriormente.
Resumindo,
quase sempre há solução, e em 90%
dos casos o instrumento fica melhor do que anteriormente,
quando bom. Isto porque a operação é
feita manualmente, e o instrumento é tratado
de forma singular, e não em série, como
nas montadoras.
Portanto
não se desespere quando se confrontar com um
problema desse tipo: procure um luthier de sua confiança,
e exponha a ele seu problema.
*Os
captadores que são instalados em guitarras com
Floyd Rose são diferentes dos instalados em guitarras
com ponte fixa?
Normalmente
sim. O espaçamento de cordas em um Floyd Rose,
normalmente é maior (mais largo nas extremidades)
do que em uma ponte Strato, por exemplo.
Então
um humbucker, que ora era satisfatório em uma
guitarra Strato, quando colocado em uma guitarra Floyd
Rose, pode comprometer o som da primeira corda (mizinha),
por exemplo. Esse som pode sair com menos volume, ou
menos sustentação, isto porque a corda
estaria mais "para fora" da ação
do campo magnético do captador.
Praticamente
todos os fabricantes de captadores possuem seus modelos
de captadores em duas versões: os captadores
para uso com Floyd Rose, e captadores para uso com ponte
fixa. Citarei duas marcas como exemplo: A Dimarzio coloca
na embalagem de seus captadores o nome "F Spaced"
quando o mesmo foi projetado para o uso com Floyd Rose.
A Seymour Duncam já usa a nomenclatura de trembucker.
Em
qualquer dos dois casos os captadores possuem o seu
campo magnético um pouco mais espaçado
e abrangente para as laterais para que não haja
perda de sonoridade. No entanto, existem Floyd Roses
que possuem a mesma configuração de espaçamento
de uma ponte fixa. Portanto procure sempre informações
junto a um luthier ou a um músico mais experiente
nesse assunto para que você não erre na
hora da compra.
Usar
captadores feitos para uso com Floyd Rose em guitarras
com ponte fixa, algumas vezes pode dar errado. A mizinha
pode soar com volume mais baixo, porque a corda "ficou
mais para dentro" e não coincidiu com o
polo do captador, que está mais para fora.
Isto
também não é via de regra. Porém
quanto mais informações sobre o que você
está instalando em sua guitarra ou contrabaixo,
melhor.
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