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Can’t change the world... if I can’t change myself
[por Marcio Okayama]

Todd RundGreen é um nome desconhecido da maioria do público roqueiro brazuca; todavia é um dos principais produtores da história da música pop, inovador no uso de instrumentação eletrônica, arranjos vocais arrojados com aberturas de vozes geniais e muito bom gosto, além de ser um grande guitarrista e herói de, ninguém menos que, Paul Gilbert.

O título que dá nome a esta coluna (em português a tradução seria: “Não posso mudar o mundo se não mudar a mim mesmo”) serve de tema para reflexão de muita coisa nesta época, em que cada vez mais, o ser humano parece andar desencontrado, praguejando sobre os rumos que a vida toma.

O meio musical não é exceção, onde os fãs ardorosos da boa música (uma das poucas bandeiras dignas de ser levantada e defendida nesta era cínica), sentem-se perplexos com o cenário difuso e vazio que parece tomar conta de nossa era, na qual a boa música parece fervilhar, porém em guetos fora da grande mídia.

Cada vez mais as pessoas se agrupam em células de interesse e crenças comuns (vide as célebres comunidades do Orkut), buscando refúgio do mar turbulento que aprisiona as suas almas (como exemplo temos quando estamos numa festa, ou evento, onde a “trilha sonora” não parece agradar muito).
Arte não é sinônimo de lugar seguro, levando em conta de que as grandes descobertas e encontros nascem da proposta de um amplo questionamento do mundo que cerca o ser humano.

Jamais poderemos dar um novo, definitivo e verdadeiro passo, caso não iniciemos a revolução dentro de nossa alma, assumindo, se necessário, a “mea-culpa” da lama pessoal e social.
Humildemente, tomo a liberdade de dar algumas idéias que possam ajudar a todos nós, músicos e amantes da arte, para criarmos um cenário mais saudável :

1) Estudo - Não apenas “brincar” de quem toca o arpejo mais rápido, mas conhecer música e os seus princípios, o mais fundo possível!

2) Conhecimento e perspectiva histórica - Tentar anular a política de que somos um país sem memória; segundo o mestre Paulo Castagna (um dos nosso maiores musicólogos), partituras barrocas transformam-se em papel para rojão. Pesquisar as origens e porquês da história musical.

3) Anulação do ego - Princípio budista que, aplicado, tanto à música, quanto à vida em sociedade torna ambas verdadeiras.

4) Bom senso e ética - Não suje no quintal alheio, as moscas vão contaminar sua comida!

Viu como as coisas são simples?

Bons sons e novas dimensões!

Márcio Okayama


Márcio Okayama
Guitarrista, violonista, produtor, bacharel em violão erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes, professor do Instituto de Guitarra e Tecnologia, tem atuado ao lado de diversas bandas e cantores, como produtor e músico.
Colunista da revista Guitar Player, em Português, trabalha na área de transcrição musical, tendo seus trabalhos publicados em revistas especializadas, como a Cover Guitarra e, a já citada, Guitar Player.
Desenvolve também trabalho musical-solo próprio.
Acesse www.mokayama.com


 

 

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