Guitarras
  Contrabaixo
  Violões
  Eletrônicos
  Componentes
  Cordas
  Captadores
  Cabos
  Pedais
  Livros do luthier
  Galeria de fotos
  Novidades
  Dicas do luthier
  Raio "X" artistas
  Jornal do luthier
  Classificados
  Ofertas do mês
  Assist. autorizadas
  Edmar Luighi guitars
  f.a.q
  Links recomendados
  Parceria
  Como anunciar
  receba informativos e promoções, digite o seu e-mail no campo abaixo.
   

Desertos....
[por Marcio Okayama]

"A imagem de um deserto evoca sentimentos de isolamento, abandono e um vazio aparente que leva a nossa própria alma a se encontrar.Foi no deserto que Cristo se isolou e foi tentado três vezes ;é o deserto que representa a energia da vida manifestada através de sua singela força latente(sejam pelos cactos,cobras,lagartos ou aves locais); é o deserto,também , o lugar onde o mar foi vencido pela terra e pelos ventos..."

O filósofo Slovaj Zizak usa essa imagem no título da obra: “Bem-vindo ao deserto do real”, na qual decreta a falência de argumentos dos próprios filósofos em relação ao vazio sócio-cultural onde estamos , momento em que o culto à personalidade e à dicotomia entre o bem e o mal parecem conceitos datados; todas circunstâncias que, de maneira subliminar, porém direta, atingem na coluna cervical de toda nossa cultura pop e cenário musical.

Parece que cada vez mais a ênfase é numa arte funcional que assume seu papel e importância tanto quanto um chaveirinho comprado em loja de R$ 1,99...aproximando o artista na função de fabricante do mesmo, seja como entretenedor de massas em festas ufânicas histéricas, vendendo refrigerantes “da onda” ou alimentando sonhos e desejos falsos para uma geração ansiosa em ocupar o palco e receber as luzes e aplausos.

Prova deste fato é a estatística de que as grandes vendas de revistas especializadas em música disparam com ganchos e capas de “do it yourself”... seja através de dicas de como tocar, gravar ou soar mais alto, muito mais que colocar o Satriani, Vai ou Van Halen na capa.

Como diria o profético poeta da penumbra Kurt Cobain, tudo isso tem cheiro de “espírito adolescente”...
Percebemos então, caros amigos, que o fenômeno “Big Brother” não é predicado exclusivo da cultura de massa que nós, roqueiros convictos, sempre fizemos questão de atacar (parafraseando Jack Black no filme “Escola de Rock”: o rock tem sempre que atacar “O Homem”,seja o sistema ou o que for...).

Se por um lado tocar um instrumento , se comunicar e expressar através do mesmo é uma forma única de elevação espiritual, por outro a vaidade que cerceia o meio musical e sua indústria pouco tem a ver com a mesma.

Grandes descobertas são processos que surgem na fronteira entre a extrema dedicação e o extremo abandono, o choque entre estes dois polos é que faz a mágica acontecer neste jogo de perdas e ganhos feito para uns poucos corajosos , malucos e iluminados.


Cá estamos nós, prezados combatentes , neste novo deserto humano feito de muito concreto, luz, desperdício e isolamento, no meio de uma enorme multidão dopada que pula com a trilha sonora feita de beats eletrônicos, feedbacks e ruídos de modem....

Como diria Mr. Peter Dennis Blanford Towshend: “It’s only teenage wasteland”....
Pena que a adolescência parece estar se estendendo para bem além dos trinta...
Tomara que esse deserto criado por nós todos, nos ajude a encontrarmos as respostas que só o isolamento traz...

 

Márcio Okayama
Guitarrista, violonista, produtor , bacharel em violão erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes, professor do Instituto de Guitarra e Tecnologia, tem atuado ao lado de diversas bandas e cantores, como produtor e músico.
Colunista da revista Guitar Player,em Português, trabalha na área de transcrição musical, tendo seus trabalhos publicados em revistas especializadas, como a Cover Guitarra e, a já citada, Guitar Player.
Desenvolve também trabalho musical-solo próprio.
Acesse www.mokayama.com


 

 

Visitantes ativos 13
 
© Copyright 2003 / 2008 - EDMAR LUIGHI LUTHIERS - Todos os direitos reservados