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História do Contrabaixo
[por Nilton Wood]

Evolução

A partir de 1952, houve uma verdadeira revolução na lendária fabrica da Fender. Preocupados em atender uma demanda crescente, todos os funcionários, inclusive o próprio inventor, esqueceram um item fundamental: a catalogação dos instrumentos na qual pudesse refletir a realidade da empresa. A perda em termos históricos foi imensa

Nos anos 60, existia nos Estados Unidos um compêndio intitulado Musician Union Directories, uma espécie de “páginas amarelas”, onde o fabricante, distribuidor, lojista e o músico podiam encontrar todas as empresas ligadas ao ramo musical no país. De acordo com Forrest White, executivo da Fender entre 54 e 67, na metade daquela década as publicações começaram a apresentar, em sua contracapa, de algumas empresas que estavam se destacando. Para surpresa de todos, inclusive do grande inventor, o nome Fender Bass estava lá! Isso foi considerado uma grande vitória, pois o instrumento ainda estava em seus primeiros anos, mas o destaque dado no Musician... animou todos a prosseguirem com o projeto, pois isso indicava que eles estavam no caminho certo.

Entre 51 e 59, os modelos Fender Precision foram os únicos baixos fabricados e distribuídos pela fábrica (o lendário Jazz Bass faria sua triunfal aparição somente em 60). A produção dos P Bass foram crescendo relativamente conforme sua aceitação no mercado. O livro Fender: The Inside Histoy, de autoria de White, realizou uma entrevista com Richard Smith, um dos funcionários da empresa encarregado de catalogar cada modelo. “As notas pessoais de Leo Fender mostravam que, aproximadamente, 83 modelos foram vendidos no ano de 1951. Posteriormente, mais 200 unidades foram distribuídas e também vendidas durante os anos 50. Cálculos aproximados indicam que em torno de seis mil unidades do Precision Bass já estavam circulando pelo país nas mãos de novos baixistas”. Quais eram os números reais? Ninguém sabia ao certo.

Datar a quantidade exata nos primórdios da lendária fábrica provou, pelas dificuldades encontradas durante sua pesquisa, que aquilo não era uma ciência exata. Durante os primeiros anos de produção, houveram saltos vertiginosos de números de unidade comercializadas. Os pedidos vindos de todas as partes do país se multiplicavam a cada dia. Os historiadores acreditam que, em virtude dessa atividade frenética, todo mundo perdeu-se nos números. Mal eles sabiam que tais dados seriam revisados por historiadores profissionais e amadores, ávidos por qualquer informação que pudesse ser útil na busca das origens e evolução do instrumento.

De acordo com James Werner, um dos mais renomados pesquisadores e datadores dos P Bass, os números seriais de fabricação eram datados dentro do braço do instrumento usando-se (pasmem!) um simples lápis! O pesquisador encontrou muitos modelos que, apesar de serem considerados como originais após uma criteriosa análise, tiveram seu número de série apagado pelo tempo, tornando impossível uma identificação precisa.

Para que vocês tenham uma idéia, a datação oficial do primeiro P Bass recebeu o número de série 0118, constatado em setembro do ano de 1952. O que você deve estar imaginando e os historiadores se debatendo era: cadê os 117 modelos anteriores? Em um ponto todos concordam: Leo, visando divulgar seu instrumento, promoveu uma verdadeira distribuição de várias unidades para diversos músicos de diferentes estilo musicais, já que Fender queria que seu instrumento fosse usado por toda a comunidade musical - apesar, conforme vimos, de que suas primeiras tentativas foram direcionadas ao universo country. Muitos desses preciosos modelos foram considerados desaparecidos ou destruídos. O velho inventor era um homem dócil e generoso. Provavelmente, muitos baixos foram vitimas de uma má escolha por parte de músicos que receberam a revolucionária invenção.

Os pesquisadores contam ainda que muitos pedaços de P Bass foram encontrados em latas de lixo, barzinhos, estúdios e casas de shows em várias localidades dos Estados Unidos. O que teria acontecido? Brigas em virtude de bebidas, apostas em jogos e insatisfação devem ter sido os principais motivos. Tudo isso foi apagado pelos tempos. Uma perda sem tamanho para a história.

FIG 1 – A primeira ponte do P Bass era dividida em dois suportes ( um para cada grupo de duas cordas), feito em phenolic.

As cordas eram inseridas pela parte traseira do corpo.

Este tipo de ponte equipou o instrumento até 1957, quando foi substituída por outro modelo, de metal, com um suporte para cada corda.

 

FIG 2 - Uma visão traseira dos orifícios nos quais eram inseridas as cordas.

“Pensamos em colocar os orifícios na parte de trás do instrumento para dar uma melhor estética na parte dianteira”, justificou o inventor na época.

O problema é que esse tipo de ponte não fornecia um ajuste preciso das notas no braço. Historiadores e técnicos concordam que esse sistema deveria ter sido substituído muito antes.

 

FIG 3 – Visão frontal do P Bass original, construído em 1951.

Com o corpo feito em ash e o braço em maple, o novo modelo representou um imenso salto em termos de evolução técnica, sonora e ergonômica.

No entanto, muitos modelos tinham sérios problemas de entonação no braço, principalmente a partir do final de 1952.

Motivos: aumento brutal na demanda do novo produto (falta de controle de qualidade) e um sistema de ponte mal construído.

 


 

 

 


FIG 4 – Em 1953, a nova Stratocaster estava pronta para ser lançada, tendo como novidade um novo recorte na parte dianteira do corpo, propiciando maior confortabilidade.

No início de 1954, ocorreu a primeira mudança dramática no P Bass. Fender modificou a parte superior do corpo, dando um contorno semelhante ao da lendária Strato.

 

 

 




FIG 5
– O modelo de 1954.

Além do recorte no corpo, havia duas novidades: um novo escudo, da cor branca, feito em um novo material plástico, mais resistente e com melhor acabamento (o original era fabricado em fibra vulcanizada) e a inclusão de duas cores (sunburst), dando um novo visual ao instrumento.


FIG 6
– Para acompanhar o novo design do P Bass, o lendário Bassman teve um “up grade” em 1955, com o aumento do tamanho do gabinete para acoplar um falante de 15” polegadas.

 

 

 

 


FIG 7
– Novas mudanças estruturais ocorreram nos modelos abricados a partir de 1957.

Note os captadores, em formato Humbucking, em substituição aos single coil anteriores, resultando em menos ruídos e maior sonoridade. O headstock ganhou seu formato definitivo.

O pick guard, ganhou um novo design, onde os knobs passam a ser acoplados à peça. Veja ainda que o modelo da foto não possui as placas metálicas dos captadores e da ponte (comumente, elas eram retiradas pois representavam um transtorno em termos de tocabilidade).

Colecionadores consideram que esse conjunto de mudanças foi decisivo para que o P Bass atingisse o “state of the art” em termos e evolução.

 

 



FIG 8
– Um raro Fender 1963 completo!
Até as placas metálicas estão lá!

A mudança ocorreu na inclusão de uma escala, feita em rosewood, finalmente separando a madeira do braço.

No final dos anos 50, novas cores foram introduzidas no mercado, com base em pinturas feitas em automóveis da época.

A cor desse modelo é conhecida como “Azul Plácido”, uma cor na moda nos começo dos anos 60.

Esse modelo foi considerado a matriz para os Precision atuais.

 

 

 

 

 

 

Nilton Wood
· Professor de contrabaixo no Instituto de baixo e tecnologia do EM&T
, e editor técnico da revista Cover Baixo. Foi coordenador e professor de várias escolas e projetos de músicas, como, conservatório Souza Lima, Conservatório Brooklin Paulista, Centro Experimental de música do Sesc, entre outros. Participou também de importantes Orquestras Sinfônicas do País, bem como de diversos trabalhos de Música de Câmara.
Sua especialidades de ensino são:
· Técnicas avançadas de Mão Esquerda.
· Técnicas avançadas de Mão Direita
· Double Thumb Pluck Technique.
· Thumb Technique.
· Tapping.
· Técnica de contrabaixo Fretless – 4, 5 e 6 cordas.
· Harmonia, arranjos e improvisação.


 

 

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