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História
do Contrabaixo
[por
Nilton Wood]
Onde
tudo começou
O
domínio do grande contrabaixo acústico como
única possibilidade para a emissão de sons
graves durou até 1951. A partir desse ano, tudo mudaria
com a invenção do primeiro baixo elétrico
da história, idealizado por Leo Fender (a esquerda).
A ciência que estuda a origem
e a evolução dos instrumentos musicais é
a organologia. Já a que se dedica à escrita
é a organografia. Por meio delas, foi possível
reconstruir a história de diversos instrumentos,
com maior destaque para os de sopro, percussão e
teclado. Isso porque eles possuem registros mais precisos.
Mas os de corda, como o violino e o violoncelo, carecem
de maiores informações.
Um ponto de
comum acordo entre os historiadores é o de que os
luthiers guardavam, a sete chaves, todo o processo de criação
deles. Muitos, aliás, nunca tomaram nota do tipo
de madeira ou verniz que utilizavam nessas construções.
Pois era de desejo deles que tais conhecimentos jamais fossem
divulgados.
Então inúmeros segredos
da confecção de verdadeiras obras de arte
foram para o túmulo com esses artesãos. Nesse
contexto, enquadram-se principalmente aqueles instrumentos
produzidos com a função de emitir notas mais
graves.
Os registros mais rudimentares datam
do século XIII, na segunda metade da Idade Média,
aproximadamente no ano de 1200. Os primeiros exemplares
conhecidos, que apontam o nascimento do moderno contrabaixo,
encontram-se vinculados à família das “violas”.
E eles são divididos em dois grupos: as de braço
e as de perna.
Naquela época, o nome gige era usado para denominar
tanto a rabeca, instrumento de origem árabe com formato
parecido com o alaúde, quanto o guitar-fiddle, espécie
de violão com formato parecido com o do violino.
Em vários países da
Europa, principalmente na Alemanha, os instrumentos que
eram tocados com arco tinham o nome de gige. De acordo com
sua sonoridade, eram classificados em grande ou pequeno.
Os Primeiros
Contrabaixos
Os registros organográficos informam que a música
executada nessa época era simples. Em muitos materiais
escritos, para ter uma idéia, as partes se limitavam
apenas a duas ou três. Em virtude dessa restrição,
o número de notas que era utilizado era relativamente
pequeno, o que ocasionava um registro bastante reduzido de
notas. Por volta do século XV, as partes que constituíam
a música naquele período aumentaram para quatro
vozes. Mais ou menos em 1450, passou-se a usar o registro
de baixo, que foi uma verdadeira inovação. A
falta dele era muito reclamada pelos compositores. Pois muitos
achavam que sua música soava com timbres bastante agudos.
Uma forma de contornar tal problema foi dividir os instrumentos
em registros diferentes. No entanto, os resultados obtidos
não foram satisfatórios. Uma vez constatado
tal obstáculo, surgiu a necessidade da invenção
de instrumentos que fossem capazes de atingir regiões
mais graves na escala.
A
solução encontrada foi construir instrumentos
maiores, baseados na estrutura dos utilizados normalmente,
tomando o cuidado de não efetuar mudanças estruturais
que viessem a prejudicar a obtenção dos novos
graves. Um dos celeiros de construção foi a
Itália. Naquele país, as violas tinham três
tamanhos: a da gamba aguda, a tenor e a baixa.
Nesse período,
surgiu o violone, que pode ser considerado como o parente
mais próximo do moderno contrabaixo de orquestra. No
início do século XVII, o violone tornou-se o
nome que designava o maior de todos: a viola contrabaixo.
Somente após a segunda metade do século XVIII,
isso se modificou. Foi quando o contrabaixo separou-se do
violone.
Já no final
do século XVIII, o contrabaixo adquiriu sua forma estrutural
definitiva, passando a integrar as mais diferentes formações
musicais como orquestras, big bands e jazz (ragtime, dixland,
swing, blues, etc.). O domínio do grande contrabaixo
acústico como única opção para
a emissão de sons graves perdurou até o ano
de 1951. A partir daí, tudo mudaria com a invenção
do primeiro baixo elétrico da história, realizada
por um técnico de rádio chamado Clarence Leo
Fender.
O Pai do Contrabaixo
Elétrico
No início dos anos 50, Clarence Leo Fender, perito
em eletrônica de rádios e criador da guitarra
elétrica que levava seu nome, observou que o contrabaixo
acústico apresentava alguns inconvenientes para pequenas
formações musicais, como seu tamanho e a sua
baixa sonoridade - em comparação com a guitarra
elétrica -, o que obrigava os contrabaixistas da época
a colocarem microfones para uma maior amplificação
do instrumento. Sob esse prisma, Leo Fender, na primeira metade
de 1949, iniciou a construção de um instrumento
que ficava entre a guitarra elétrica e o grande contrabaixo
acústico. Em outubro de 1951, Leo construiu o primeiro
contrabaixo elétrico da história, usado pela
primeira vez na banda de Bob Guildemann (blues e rock). O
instrumento foi chamado de Precision Bass. “O primeiro
corpo sólido destinado a ser um instrumento musical
foi construído em 1943”, conta Leo. “Nessa
época, eu tinha a patente dos sistemas de captadores.
Sendo assim, nesse período, eu não estava particularmente
interessado em sons musicais e sim em captadores. A amplificação
de qualquer sinal me fascinava. O baixo Fender foi o próximo
passo da evolução após a guitarra elétrica.
Foi uma idéia que se tornou uma obsessão”.
De acordo com Leo Fender, não existiam cordas para
contrabaixo elétrico nessa época. Então
os músicos usavam cordas de instrumentos acústicos.
“Tivemos de cortá-las e adaptá-las em
nosso projeto. Nós as revestimos com uma fina liga
de aço, permitindo assim que o sinal fosse magnetizado
pelo imã do sistema de captadores que tínhamos
inventado. Mais tarde, iniciamos a fabricação
de cordas específicas para nosso novo instrumento”.
Seu
principal objetivo com esse projeto era a comodidade. Além
disso, Leo Fender queria construir um instrumento que pudesse
oferecer maior sonoridade e que coubesse no porta-malas de
um carro. Mas muita gente achou que ele estava ficando maluco.
“Alguns amigos diziam que eu estava completamente louco
e que eu nunca conseguiria vender isso”. Leo, porém,
era um visionário e esses baixistas precisavam de um
novo instrumento. E ele iria desenvolvê-lo.
O
primeiro modelo foi construído no final dos anos 50.
Diversos músicos quiseram experimentá-lo. Mas
todos tocavam guitarra e não conseguiram entender como
tocariam aquilo. O curioso é que os guitarristas, acostumados
com uma outra técnica de execução, não
tinham a mínima idéia de como criar “moldes
rítmicos” no contrabaixo elétrico, já
que todos nunca tinham ouvido, com a devida atenção,
as estruturas rítmicas criadas nas músicas executadas
no período. Não se esqueçam: todos eram
guitarristas.
Muitos dos baixistas
que usavam baixos acústicos solenemente desprezaram
o novo instrumento. Eles alegavam dificuldade de execução
e também que a sonoridade era falsa em comparação
à acústica.
As cordas eram afinadas de acordo com os moldes atuais, ou
seja, E A D G.
Então, quando esse novo instrumento começou
a despontar no cenário artístico mundial, os
músicos limitavam-se simplesmente a repetir o que a
guitarra fazia, mas uma oitava abaixo.
O grande trunfo dele
era, além do tamanho e maior qualidade sonora resultante,
o fato de ter um braço mais curto que o similar acústico.
Outro ponto positivo era possuir trastes. Isso facilitava
muito sua execução.
Foi dessa forma que Leo Fender, em uma chuvosa tarde de dezembro
de 1951, batizou seu novo invento. ”Sim, é um
instrumento diferente do acústico. Ele possui trastes
para uma execução ‘precisa’. É
um ‘Precision Bass’”. No próximo
capítulo, iremos conhecer como o mundo recebeu essa
revolucionária invenção.
Janelas
“O baixo Fender foi o próximo passo da evolução
após a guitarra elétrica. Foi uma idéia
que se tornou uma obsessão”
Leo Fender
“Alguns amigos
diziam que eu estava completamente louco e que eu nunca conseguiria
vender isso”
Leo Fender falando sobre a invenção do baixo
elétrico
Nilton
Wood
· Professor de contrabaixo no Instituto de baixo e
tecnologia do EM&T, e editor técnico da revista
Cover Baixo. Foi coordenador e professor de várias
escolas e projetos de músicas, como, conservatório
Souza Lima, Conservatório Brooklin Paulista, Centro
Experimental de música do Sesc, entre outros. Participou
também de importantes Orquestras Sinfônicas do
País, bem como de diversos trabalhos de Música
de Câmara.
Sua especialidades de ensino são:
· Técnicas avançadas de Mão Esquerda.
· Técnicas avançadas de Mão Direita
· Double Thumb Pluck Technique.
· Thumb Technique.
· Tapping.
· Técnica de contrabaixo Fretless – 4,
5 e 6 cordas.
· Harmonia, arranjos e improvisação.
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